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Referência no Estado, Hospital Santa Teresa pode ser fechado, em São Pedro de Alcântara

Governo do Estado montou equipe técnica para avaliar a situação da unidade, que atende pacientes com hanseníase e da área de psiquiatria

Gustavo Bruning
Florianópolis
26/07/2017 às 20H39

Após a exoneração do diretor do Hospital Santa Teresa, que abriga 16 pessoas com hanseníase em São Pedro de Alcântara, o município e os funcionários da instituição temem o fechamento da unidade, inaugurada em 1940 para o tratamento da doença. A possibilidade, segundo o diretor exonerado, Henrique Borges Tancredi, foi informada pelo secretário de Estado da Saúde, Vicente Caropreso, que teria a intenção de manter apenas o atendimento aos pacientes de hanseníase.

“Fomos informados que a psiquiatria voltaria para o IPQ (Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina), o que é um retrocesso clínico”, afirma Tancredi, que é psiquiatra. “O Hospital Santa Teresa é um local horizontal, urbanizado e com igreja, muito melhor para os pacientes que a estrutura do IPQ”.

O Hospital Santa Teresa fica em São Pedro de Alcântara - Pauo Goeth/SES/Divulgação/ND
O Hospital Santa Teresa fica em São Pedro de Alcântara - Pauo Goeth/SES/Divulgação/ND


Até esta quarta-feira (26), o hospital atendia 75 pessoas – além dos pacientes de hanseníase, a unidade recebia 20 pacientes e a psiquiatria recebia 39 pacientes. O ex-diretor revela que o Estado demonstrou interesse em fechar a clínica médica, chamada de retaguarda, além de transferir o ambulatório de dermatologia, considerado referência estadual, para o espaço do IPQ, cujo diretor teria assumido o comando do Hospital Santa Teresa após a saída de Tancredi.

Em nota, a secretaria de Estado da Saúde informou que montou uma equipe técnica para avaliar a situação do hospital e que a possibilidade de fechamento da instituição “não está descartada”. Ao longo de seis meses de estudo, o grupo deve analisar a situação de cada paciente e a vocação para o espaço físico. Conforme o comunicado, a intenção é “melhorar a gestão do dinheiro aplicado nas unidades hospitalares e estabelecer a vocação em cada uma delas”.

Inaugurado em 1940, o hospital passou por reformas ao longo das décadas - Pauo Goeth/SES/Divulgação/ND
Inaugurado em 1940, o hospital contou com a reabertura da igreja em 2015 - Pauo Goeth/SES/Divulgação/ND


Tancredi, que atuava no comando da instituição desde 2012, reconhece as dificuldades financeiras da secretaria, mas acredita que o fechamento da unidade é injustificável. “O hospital representa 1,56% dos gastos hospitalares mensais de toda a secretaria”, afirma. Segundo ele, o déficit anual da instituição é de R$ 13,6 milhões, fazendo do Santa Teresa o hospital que menos dá prejuízo entre os 13 administrados pelo Estado. “O gasto anual é de cerca de 16,3 milhões, enquanto a receita é de R$ 2,7 milhões”, garante.

Atualmente a instituição opera com uma equipe de 114 funcionários públicos e 45 terceirizados. “A proporção é de 1,8 funcionários por leito, uma média bem baixa para a área”, comenta Tancredi. Mesmo que o fechamento do hospital seja confirmado, será preciso manter médicos e enfermeiras para atender os 16 pacientes que tratam de hanseníase.

A doença, que era conhecida como lepra e era tida como incurável e transmissível, exigia o afastamento dos pacientes de suas famílias até o avanço dos tratamentos. “São pacientes castigados pela doença, alguns tiveram membros amputados e precisam de curativos duas vezes por dia”, explica.

Impacto regional

Nesta quarta, a Câmara dos Vereadores do Município realizou uma sessão extraordinária para definir detalhes sobre a manifestação contra o fechamento, que deve contar com o apoio de vereadores e comunidade. O ato está marcado para as 9h30 desta quinta-feira (27), em frente ao hospital.

“Esperamos que não fechem o hospital e continuem cuidando dos hansenianos e do grupo de psiquiatria”, defende o prefeito de São Pedro de Alcântara, Ernei José Stahelin. “Fazer isso seria desconsiderar o povo da região e desrespeitar as pessoas de todas as partes do Estado, que buscam atendimento no ambulatório de dermatologia.” 

Em 1988, o espaço incorporou uma área de psiquiatria do IPQ e, em 2012, contou com a inauguração da enfermaria de média complexidade. Com 25 leitos, este braço recebe pacientes vindos do Hospital Regional de São José e do Hospital Governador Celso Ramos.

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