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Recursos desviados em bolsas da UFSC chegam a R$ 20 milhões, diz Polícia Federal

Cinco pessoas foram presas, entre elas o reitor da universidade, Luiz Carlos Cancellier de Olivo

Redação ND com informações da repórter Dariele Gomes
Florianópolis
14/09/2017 às 13H43

Os recursos que teriam sido desviados em um esquema criminoso envolvendo o Ensino a Distância da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) chegam a pelo menos R$ 20 milhões, informou a Polícia Federal em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (14). A operação que prendeu o reitor da universidade foi chamada "Ouvidos Moucos" em referência à desobediência reiterada da gestão da UFSC aos pedidos e recomendações dos órgãos de fiscalização e controle. 

De acordo com a delegada da Polícia Federal e chefe de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, Erika Mialik Marena, as ações realizadas nesta quinta são resultado de uma análise minuciosa dos relatórios da Corregedoria-Geral da UFSC, que apontavam indícios criminosos na distribuição de recursos dos cursos de Educação a Distância oferecidos pelo programa UAB (Universidade Aberta do Brasil).

Entrevista coletiva foi cedida à imprensa na sede da PF nesta manhã - Daniel Queiroz/ND
Entrevista coletiva foi cedida à imprensa na sede da PF nesta manhã - Daniel Queiroz/ND

Funcionários e docentes teriam atuado para o desvio de bolsas e verbas de custeio por meio de concessão de benefícios a pessoas sem qualquer vínculo com a universidade.  A Polícia Federal investiga uma lista de pelo menos 100 nomes com bolsistas que não atendem aos critérios do programa e seriam parentes de servidores e professores da universidade.  

>> Reitor da UFSC é preso em Florianópolis por suspeita de desvio de recursos de EaD

Ao todo, sete pessoas foram presas e cinco foram conduzidas coercitivamente pela Polícia Federal. Entre os presos está o reitor da universidade, Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Segundo a delegada, ele demonstrava ações que poderiam interferir nas investigações da Corregedoria-Geral. Os outros presos são dois empresários, um funcionário e um professor, mas a polícia não divulgou nomes.

Os contratos irregulares estariam sendo realizados desde 2008. Foram descobertas notas com preços adulterados e contratação de veículos superfaturados. Os desvios de custeios foram em gráficas, diárias e em aluguéis de carros. “A Corregedoria apontou que, em alguns casos, o valor de um aluguel de carro que seria em torno de R$ 1 mil, constava como R$ 4 mil nas notas”, disse o coordenador geral de operações, Israel José Reis de Carvalho.

>> Administração da UFSC diz que já tinha conhecimento de investigações

Também participaram da entrevista coletiva o superintendente regional da PF em Santa Catarina, Marcelo Mosele; a delegada Regional de Combate a Crimes Organizados, Paula Dora; além do Pró-Reitor de Extensão da UFSC,  Rogério Cid Bastos, que assume a reitoria da universidade interinamente.

Segundo ele, Cancellier já está prestando esclarecimentos aos investigadores e a medida judicial não deverá alterar a rotina da universidade. Em nota, a Administração Central da UFSC afirmou que já tinha conhecimento de investigações em projetos executados desde 2006. 

Confira parte da entrevista coletiva:

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