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Sábado, 19 de Janeiro de 2019
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Telhado que desabou no Mercado Público de Florianópolis foi reformado há um ano

Empresa responsável pela restauração do prédio histórico deverá arcar com os prejuízos do desabamento do telhado

Fábio Bispo
Florianópolis
Marco Santiago/ND
Com buraco no telhado, operários da JK retomaram as obras nesta terça-feira


A reforma no telhado da ala sul do Mercado Público de Florianópolis começou em 2011, custou R$ 1,3 milhão aos cofres municipais e levou mais de dois anos para ser concluída. Na época, uma plataforma de metal foi montada e a obra executada sem fechamento ao público. O desmoronamento dos 40 m² da cobertura durante continuidade da restauração, ao meio-dia desta segunda-feira, soou como alerta, e toda a estrutura receberá escoramento de emergência. A empresa que executa a segunda etapa da obra é a mesma que reformou o telhado, a JK Engenharia e Obras, que deverá arcar com os prejuízos causados pelo incidente. Procurada, a empresa não quis se manifestar.

No dia 10 de julho, após a demolição de uma das paredes internas, o engenheiro da Secretaria de Obras responsável pela reforma do Mercado, Dalton da Silva, percebeu o risco de desabamento de uma viga do prédio histórico, “que estava apenas encostada no pilar, e não engastada”, como disse, e orientou os trabalhadores. No momento do desabamento ninguém estava no local.

A viga em questão é fruto das séries de reformas que o prédio recebeu desde 1932, ano da inauguração da ala sul. “Essas reformas eram feitas pelos próprios comerciantes, que muitas vezes deixavam de lado os preceitos da engenharia”, argumenta Dalton.

O engenheiro isenta a construtora de culpa, pois segundo ele as obras revelam problemas até então desconhecidos. “Não sabemos se vamos encontrar outros casos desses, mas as chances são bem menores. Estamos desmistificando a arapuca”, emendou, ao relatar as dificuldades que a engenharia tem enfrentado na obra.

A JK Engenharia e Obras começou a reforma do Mercado em 2011. Na época, a prefeitura enfrentava problemas na Justiça para licitar o novo mix de lojas — que só saiu em agosto do ano passado — e começou a revitalização pelo telhado. Naquele mesmo ano o Ministério Público ingressou com ação pedindo a interdição do prédio por falta de habite-se. Além da reforma do telhado, o contrato incluiu modernização das redes elétrica e hidráulica, readequação do sistema de segurança contra incêndio e reforma do piso. As obras só foram concluídas no final de 2012.

Sucessivas reformas deixaram prédio histórico "frágil"

Em junho deste ano, passado o processo licitatório tanto para os boxes como para a escolha da empresa que executaria o contrato de R$ 7,7 milhões na reforma das duas alas, a JK, vencedora no processo, começou os trabalhos na ala sul. Para adequar o prédio ao mix de 39 boxes, a empresa precisará reconstruir pilares e vigas, além de quebrar paredes. Parte dos problemas foi criada com as sucessivas reformas feitas no prédio histórico ao longo dos anos, nem todas com conhecimento do poder público.

Construído 29 anos depois da ala norte — época em que os engenheiros que ergueram a ponte Hercílio Luz já haviam aportado na cidade —, o prédio da ala sul tem estrutura diferente. Enquanto a ala norte foi erguida em sapatas de pedras com materiais da época, como óleo de baleia, tijolo maciço e areia do mar, a ala sul foi construída com sapatas de concreto armado, blocos de concreto e vigas de baldrame. O engenheiro Dalton da Silva afirma que apesar das surpresas que a obra pode reservar para os trabalhadores, os riscos de novos desabamentos são mínimos.

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