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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Reabilitação e integração social na piscina da Udesc

Projeto gratuito de ONG reúne portadores de necessidades especiais

Letícia Mathias
Florianópolis

Rosane Lima/ND
Famílias de 15 pacientes convivem uma vez por semana em trabalho de reabilitação e integração

Uma sensibilidade que vai além dos cinco sentidos. Assim definiu Andrea Monteiro, diretora e idealizadora da ONG Projeto Autonomia Aquática, sobre o trabalho de reabilitação e integração social gratuito realizado com pessoas portadoras de necessidades especiais e suas famílias. As atividades aquáticas reúnem 15 famílias às sextas-feiras, durante uma hora e trinta minutos na piscina do Cefid (Centro de Ciências da Saúde e do Esporte) da Udesc, em Florianópolis.

Dentre as diferentes síndromes, a maioria convive com o autismo. Rodeados por bóias, bolas, caiaques e pranchas, eles percebem que conseguem vencer cada desafio. A facilidade de mobilidade na água traz mais independência e a terapia vira uma espécie de expressão livre. É uma relação de parceria entre educadores e famílias e cada conquista é celebrada por todos. 

A atividade começa sem uma direção específica. Os participantes vão chegando aos poucos, reconhecendo o espaço. Os primeiros 45 minutos são livres para que eles tenham iniciativas criativas e desenvolvam atividades novas. Em seguida, são feitos jogos e brincadeiras lúdicas, também de estimulação. O stand up paddle, esporte com prancha e remo, é o auge da atividade. Quando alguém consegue ficar em pé nos pranchões a alegria é coletiva. A ideia é treinar para praticar o esporte ao ar livre no verão.

Descontração na piscina

Sulany Couto, 51 anos, se emociona ao ver que o filho Jean Lucas, 13, tem ações dentro da água que não realiza fora dela. Ele tem síndrome de West, uma forma grave de epilepsia. Na água, é estimulado e consegue equilibrar melhor a cabeça e o tronco. As mães têm momentos de descontração na piscina, que dificilmente conseguem ter fora do projeto. Além das amizades, recebem atendimento exclusivo, com terapia, massagens e orientação psicológica. “Faz bem pra ele e para mim. Trocamos informações com outras mães e muitas coisas que aprendo aqui aplico em casa. Consigo lidar melhor com cada situação”, disse Rosemere Maria da Cruz, 36, mãe de João Vitor.

Três ônibus para depois desligar

A atividade termina com Milton Almeida, 40 anos, músico diplomado, cantando “A verdade sobre a nostalgia”, de Raul Seixas. Ele conta que vale a pena pegar três ônibus, do Rio Vermelho até Coqueiros, para encontrar os amigos e se exercitar. “Tem muita coisa na mente da gente, muita informação desnecessária. Aqui é o momento de desligar. Antes eu não tinha um espaço para praticar atividades físicas”, disse.

Saiba mais

- O trabalho atualmente é sustentado apenas por doações e parcerias. O Notícias do Dia apoia a ideia. 

- Aos sábados e domingos, a ONG aluga triciclos em frente ao trapiche da Beira-mar Norte por 20 minutos. As contribuições são voluntárias, mas a sugestão é de R$ 5 por passeio. 

- Todo valor arrecadado é investido no projeto. Quem quiser participar ou contribuir pode entrar em contato com a diretora pelo telefone (48) 9640-6444 ou pelo email andrea@watsuriuo.com.br

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