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Quem ofender a Polícia Militar corre risco de vida, diz governador de São Paulo

Márcio França (PSB) homenageou a policial que matou um ladrão durante uma tentativa de assalto, em frente a uma escola em SP

Folha de São Paulo
Araçatuba (SP)
14/05/2018 às 19H35

KAIO ESTEVES

ARAÇATUBA, SP (FOLHAPRESS) - O governador Márcio França (PSB) disse nesta segunda-feira (14) que quem ofender a farda da Polícia Militar, ofender a integridade policial, está correndo risco de vida. Ele esteve em Araçatuba (a 540 km de SP) para assinar convênios e entregar unidades habitacionais na região. Como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, França contrariou a Polícia Militar ao organizar uma cerimônia em homenagem à cabo Katia da Silva Sastre, 42, que matou um ladrão durante uma tentativa de assalto em frente a uma escola em Suzano (Grande SP). Toda a ação foi gravada por câmeras de monitoramento.

Polícia Militar em São Paulo - Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação/ND
Polícia Militar em São Paulo - Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação/ND


"As pessoas têm que entender que a farda deles [PM] é sagrada, é a extensão da bandeira do Estado de São Paulo. Se você ofender a farda, ofender a integralidade do policial, você está correndo risco de vida. É assim que tem que ser", afirmou o governador. "É claro que a gente gostaria que não acontecessem casos assim, mas quando acontecem casos como este, eu fiz questão de elogiar. Acima de tudo, como mãe, ela deu um exemplo para a sociedade. Os jornais podem criticar, eu respeito quem critica, mas a maioria de São Paulo elogiou e acha que está correto, que a atitude da moça foi decente", continuou;

"Quando um médico, a polícia, um político fazem coisas erradas, a gente não tem que criticar? Do mesmo jeito, quando fazem uma coisa certa, que é acima da obrigação, a gente tem que elogiar. Não custa nada elogiar. A PM é o único setor público em que, quando falham, são identificados. Em qualquer lugar que eles andam, sabem que são policiais. Então são vulneráveis", acrescentou França.

O governador criticou reportagem sobre ele contrariar a PM. "A Folha está totalmente equivocada porque ela ouviu especialistas em segurança. A meu ver, os especialistas em segurança são os policiais militares".

Entenda a PM

Kátia Sastre estava acompanhada de sua filha de sete anos quando reagiu ao assalto em frente à escola da menina, no bairro Jardim dos Ipês, em Suzano (Grande SP), na manhã do último sábado (12). A ocorrência ocorreu por volta das 8h. Mães e crianças pequenas aguardavam a abertura dos portões da escola particular Ferreira Master, que sediaria uma festa de Dia das Mães, quando foram abordadas por um rapaz com um revólver calibre 38, que anunciou o roubo.

De folga, Kátia disparou três vezes contra o ladrão, identificado como Elivelton Neves Moreira, 21. Ele caiu no chão e então foi desarmado. Ele foi encaminhado à Santa Casa da cidade, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

No domingo (13), o governador entregou flores à PM em evento no Comando de Policiamento de Área Metropolitana-4, na zona leste, para cumprimentá-la pela "destreza, técnica e coragem". "A gente não pode deixar de enaltecer toda a técnica que você usou nesse episódio, a maneira rápida que você agiu e, ao mesmo tempo, a coragem que você teve, porque poderia simplesmente se omitir naquela situação, pois estava de folga, à paisana", afirmou França à policial.

A cabo, por sua vez, disse que agiu para "defender as mães, as crianças, a minha própria vida e a da minha filha". "É gratificante por ter salvado vidas. A gente não sabe como seria o decorrer disso. É para isso que estamos nessa profissão, para defender as vidas, e foi o que eu fiz."

O ato do governador foi criticado por especialistas em segurança pública pelo temor de que a homenagem possa passar mensagens equivocadas à tropa e à população -mesmo que a atitude da cabo tenha sido correta diante do risco no caso específico. Uma preocupação é que seja um incentivo às pessoas reagirem a assaltos - na contramão da orientação da polícia.

Outra é que a morte de ladrões seja vista pela corporação como algo incentivado pelo governo, após a escalada nos últimos anos do número de mortos pela polícia - alta de 10% em 2017, com 943 casos, recorde desde 2001.

O coronel Marcelo Vieira Salles, novo comandante-geral da PM, havia manifestado preocupação nos últimos dias com a letalidade policial - apesar da queda no primeiro trimestre - e dado orientação a subcomandantes de que reduzi-la era prioridade. Salles disse aos subordinados que a estratégia era a de evitar qualquer exaltação de mortes cometidas por PMs. A reportagem apurou que ele fez críticas duras na última semana à política de premiação a policiais que matam criminosos e afirmou que a sua filosofia era totalmente oposta a isso.

Neste domingo, convocado para acompanhar a cerimônia, defendeu a reação da cabo ao assalto e disse não entender a homenagem como um endosso à morte de ladrões.

Questionado pela reportagem se a exaltação à cabo não iria contra a política de desincentivo à letalidade policial, França disse que "a homenagem é feita porque é Dia das Mães". 

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