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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Qualidade da pós-graduação na UFSC atrai estrangeiros

O curso de Engenharia Mecânica tem 14% de seus doutorandos intercambistas que vários países

Emanuelle Gomes
Florianópolis

A vinda de estrangeiros para estudar em instituições públicas de Florianópolis cresce não só na graduação. A procura por cursos de pós-graduação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) é grande, mas os números não estão centralizados. A Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) ainda não oferece cursos desse nível.

O secretário de Relações Internacionais da UFSC, Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, afirmou que cerca de cem alunos estão na pós-graduação em diferentes cursos, mas os números exatos só serão descobertos quando a Sinter (Secretaria de Relações Internacionais) passar a administrar os programas. “A Sinter se especializou na graduação, mas o crescimento foi muito grande e muito rápido. O objetivo é termos o cadastro de todos os estrangeiros como alunos regulares”, destacou.

Atualmente, cada curso administra seus estudantes estrangeiros. A engenharia mecânica, por exemplo, é um dos que mais recebem estrangeiros no mestrado e no doutorado. Entre 2011 e 2012, de acordo com o coordenador da Posmec (Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica), Júlio César Passos, os números se mantiveram estáveis.

A maior procura é no doutorado. “Temos 14% do total de estudantes que é estrangeiro. No mestrado são 7% do total. A maioria, nos dois casos, da Colômbia”, informou.
O mestrado dura cerca de dois anos e o doutorado quatro anos. Alguns estudantes conseguem bolsas de estudos. Para o coordenador, o fato de o curso ter a maior avaliação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) é um dos fatores que atraem os estudantes para a pós-graduação na UFSC.

O colombiano Leonardo Mejia, 30 anos, disse que o conceito do curso pesou muito em sua escolha de vir para Florianópolis. “Eu me inscrevi em três universidades no Brasil: em Brasília, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Fui aceito em todas, mas decidi ficar aqui”, disse.

Daniel Queiroz/ND
O colombiano Leonardo pesquisa robótica na UFSC depois de escolher entre as melhores do país

Ensino de alto nível

Leonardo Mejia está no segundo ano de doutorado, mas fez o mestrado também na UFSC. Ele, que faz sua pesquisa na área de robótica, diz que o nível de exigência do curso é muito alto. “Acho legal isso, porque o foco da pesquisa é se esforçar ao máximo mesmo”, disse.

Diferente de Mejia, que já tinha contato com pesquisa de outros países, o chileno Luis Rodriguez, 30 anos, não tinha expectativa de fazer pós-graduação. “O Chile não tem universidades públicas gratuitas, como é a UFSC. Seria impossível fazer um mestrado lá”, contou.

Para Rodriguez, o ensino na UFSC é reconhecido a nível mundial. “Não quero mais voltar. É muito bonito aqui. Eu morava no deserto de Atacama e nunca tinha visto chuva. Conheci chuva aqui”, relatou. Ele estuda tubos de calor e suas aplicações na agricultura e espera que algum dia possa levar algum conhecimento para o seu país. “O objetivo aqui é ser pensante, não é só obedecer ordens, como é no Chile. O ensino é alto nível”, completou.

Daniel Queiroz/ND
Luis não quer mais voltar para o Chile

Florianópolis dentro da aldeia global

A troca de ideias na pesquisa é um dos maiores benefícios do intercâmbio, de acordo com Júlio César Passos, da Posmec. “O mundo é uma aldeia global. Para avançarmos na pesquisa é preciso haver cooperação. A vinda dessas pessoas fortalece o desenvolvimento científico”, destacou.
Há oito anos no Brasil, Marco Carrilho Diniz, 26 anos, é exemplo disso. Ele nasceu em Moçambique, na África, e veio fazer a graduação em engenharia mecânica no Rio Grande do Sul, por meio do PEC-G (Programa de Estudantes-Convênio de Graduação). Depois de formado, decidiu ficar no país e passou no programa de pós-graduação da UFSC.

“Estudo refrigeração e condicionamento. Decidi estudar na UFSC porque vi que aqui tinha uma relação com as empresas e a pesquisa era aplicada. Um professor fez um convite e eu decidi estender o mestrado para o doutorado”, disse. Diniz sente saudades da família, mas afirmou que a tecnologia ajuda muito. “É melhor estar aqui, trabalhar com gente muito boa. O ensino tem nível de excelência”, concluiu.

Daniel Queiroz/ND
Marco está há oito anos no Brasil por causa do intercâmbio
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