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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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PT: luta pelos direitos civis e contra a ditadura

História do partido é marcada por forte identificação com os movimentos sociais e sindicais

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
Divulgação/ND
Na década de 1970, o então metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva comandava assembleias no ABC

É impossível contar a história do Brasil nos últimos 36 anos sem falar no PT (Partido dos Trabalhadores). No embalo da luta pela abertura política e das greves dos metalúrgicos do ABC paulista, o partido encontrou num líder sindical chamado Luiz Inácio Lula da Silva o catalisador dos anseios populares num período ainda marcado pelos rigores do regime militar e por desemprego em alta.

A criação oficial da agremiação, numa escola da capital paulista, em 10 de fevereiro de 1980, reuniu sindicalistas, intelectuais, artistas e católicos ligados à Teologia da Libertação. Movimentos sociais da região e a presença de ex-presos políticos e exilados que haviam retornado ao país após a anistia deram ao ato uma coloração ideológica peculiar, que desfraldava a bandeira do socialismo democrático e as causas do trabalhismo que se fortalecera nos governos de Getúlio Vargas e João Goulart.

As Diretas Já, a Constituinte de 1988 e o impeachment de Fernando Collor de Mello foram causas nas quais o PT investiu tudo o que pode na primeira década de vida. Perdeu as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998, mas foi crescendo com a posse de governadores, deputados, senadores e prefeitos de capitais e cidades importantes.

Quando chegou, enfim, ao governo central, o partido perdeu a condição de franco atirador e, instado a fazer coalizões, entregou parte do patrimônio ideológico àqueles a quem sempre combateu. O crescimento econômico foi facilitado pela alta das commodities no comércio internacional e pelo incentivo ao consumo no nível interno, mas tinha prazo de validade.

Ainda no primeiro governo Lula, vieram as denúncias de corrupção que foram, no conjunto, batizadas de Mensalão. O PT perdeu muitos filiados e desencantou parte do eleitorado que via nele uma via de transformação do país. Com Dilma Rousseff, a partir de 2011, a economia decaiu e foi a causa da queda da popularidade que deu campo aos opositores que queriam vê-la fora do governo. As denúncias do Petrolão e a operação Lava Jato fizeram o restante do trabalho.

 

Deputado acredita que essência do partida será mantida

Para o deputado estadual Dirceu Dresch, uma das lideranças do Partido dos Trabalhadores em Santa Catarina, todo o processo que culminou no afastamento da presidente Dilma Rousseff não desmerece a história e nem os propósitos do PT. “Ele continua com suas propostas originais, radicalmente ao lado dos trabalhadores, defendendo a melhor distribuição da renda, políticas sociais e as reformas política e agrária”, diz. Ele admite que houve equívocos, mas garante que, na essência, o partido mudou pouco nessas três décadas e meia.

A necessidade de ter maioria no Congresso Nacional forçou Lula e Dilma a comporem com outros partidos cujos projetos nem sempre coincidiam com a agremiação à qual pertencia o (a) chefe da nação. Desde 1985 no PT, Dresch lamenta que as mudanças e reformas necessárias não caminharam como se esperava, mas assegura que o partido continua defendendo o fortalecimento do Estado, serviços públicos de qualidade e mais investimentos na educação. O fato de cinco ministros do primeiro time de Dilma terem sido do PMDB demonstra o quanto o governo negociou com quem, mais tarde, se voltou contra ele.

Para o deputado, a crise interna “não precisaria ter chegado tão longe”. Contudo, ele ressalta conquistas que estão, inclusive, ajudando a aumentar as adesões ao PT, especialmente entre os jovens. “Nos últimos três ou quatro anos, muita gente tem se filiado por não concordar com movimentações que enfraquecem a democracia como a que estamos vendo agora”.

Dirceu Dresch destaca os programas sociais do governo e o aumento de vagas na educação infantil e nas universidades como fatores que reforçam os compromissos históricos do partido. “O PT não vai morrer, e continuará defendendo os trabalhadores, os seus direitos, os movimentos sociais, a democracia, enfim”.

Desemprego e desequilíbrio fiscal comprometeram popularidade

O desemprego, indicador que ajudou a derrubar a popularidade da presidente Dilma Rousseff, atingiu este ano os níveis anteriores a 2003, quando chegou perto dos 12%. Se não tivesse batido em 4,8% em 2014, os números registrados do ano passado para cá não teriam tanto impacto. Para tentar evitar o pior, o governo fez concessões, aumentou subsídios, beneficiou segmentos produtivos, mas com isso comprometeu o equilíbrio fiscal, em vista da queda acentuada na arrecadação. As despesas públicas cresceram, acentuando o déficit nas contas.

Nos últimos anos, ações como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o Mais Médicos, o Bolsa Família e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), do Ministério da Educação), dividiram opiniões entre os que defendiam maior rigor na política fiscal e aqueles que preferem aumentar os gastos com programas sociais de redistribuição de renda. O governo segurou os reajustes de tarifas públicas e elevou seus gastos, mas não investiu em reformas e no enfrentamento de problemas estruturais herdados do século passado.

As oscilações do cenário interno e do próprio humor dos brasileiros pode ser medido pelo destaque dado pela revista “The Economist” ao governo do PT. Em 2009, a capa destacava o quadro de tranquilidade no país, mesmo com a crise econômica que assolava as nações mais desenvolvidas. Ainda no primeiro mandato de Dilma Rousseff, a mesma publicação falou do PIB (Produto Interno Bruto) em queda e de indicadores econômicos que preocupávamos investidores estrangeiros.

Por muito tempo, esses extremos serão tema para estudo dos analistas, já que o mesmo governo que reduziu a extrema pobreza de 13,6% para 4,9% de 2001 para cá ajudou a provocar uma crise de emprego que, pelos números recentes, ainda não chegou ao fundo do poço. Para o deputado Dirceu Dresch, o caminho do PT, daqui para frente, será fazer oposição e evitar que se percam os ganhos não só recentes, mas direitos que vê ameaçados pelo governo que acaba de assumir.

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