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Protesto pede a devolução de filhas para mãe de comunidade quilombola de Paulo Lopes

Movimento Negro Unificado diz que Maria das Graças de Jesus, conhecida como Mãe Gracinha, tem plenas condições de cuidar das crianças, ao contrário do que foi denunciado pelo Conselho Tutelar

Brunela Maria
Garopaba
12/10/2017 às 09H38

Representantes de comunidades quilombolas e do MNU (Movimento Negro Unificado de Santa Catarina) pediram nesta quarta-feira (11), em frente ao Fórum de Garopaba, que a Justiça devolva à descendente quilombola Maria das Graças de Jesus, conhecida por Mãe Gracinha, a guarda de seus dois filhos. Moradora da comunidade quilombola Toca Santa Cruz, de Paulo Lopes, ela perdeu o direito de conviver com as crianças depois de denúncias de maus tratos, falta de higiene e outras situações, que segundo MNU não procedem.

Maria das Graças de Jesus perdeu a guarda das crianças há 2 anos - Divulgação/Rafaela Martins/Catarinas/ND
Maria das Graças de Jesus perdeu a guarda das crianças há 2 anos - Divulgação/Rafaela Martins/Catarinas/ND


A militante do Movimento Negro Vanda Pinedo, vê a retirada das duas filhas de Gracinha como uma ação preconceituosa da justiça. Descreve como agravante a situação da mãe, que ficou sem saber o paradeiro das meninas. “Estava na casa dela quando chegaram acompanhados da polícia, dizendo que levariam as crianças para uma consulta médica. Mentiram para a mãe, que depois foi procurar as filhas e o Conselho Tutelar informou se tratar de denúncias de maus tratos, falta de higiene, que não estudavam. Isso é mentira. As crianças estavam matriculadas na creche regularmente, com boas avaliações da professora, a caderneta de vacinas em dia, higiene impecável e Gracinha não possui nenhuma deficiência mental como informou as juízas”, diz.

Para reverter a situação, a defesa da quilombola atua em duas perspectivas. Na primeira delas, a advogada Patrícia Soares Martins de Oliveira mantém o processo de retomada de guarda das meninas por Gracinha, que deve ser julgado novamente pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, sem data agendada. O segundo é um pedido de guarda provisória para um casal de integrantes da comunidade quilombola e parentes de Gracinha.

“O que nos espanta é a forma como a justiça vem tratando isso. Pela forma como foram retiradas, mentiram. Nenhum parente da família foi procurado. Levaram diretamente ao abrigo. Isso me causa estranheza pelo desconhecimento do judiciário do que significa e estabelece as relações dos quilombos. O ato tinha como objetivo pressionar o judiciário para devolução das filhas, dizer onde elas estão. É isso que pedimos, apenas respostas, porque ver uma mãe desesperada sem as filhas, é muito triste”, comenta.

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