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Projeto voluntário leva oficina de música a moradores do Morro da Mariquinha, na Capital

Criada pelo músico Geraldo Vargas há três semanas, iniciativa promove atividades e contato com instrumentos, como violão e cavaquinho

Gustavo Bruning
Florianópolis
29/09/2017 às 10H17

Aos 10 anos, Pedro Henrique dos Santos da Cunha se considera um grande fã do violão. O garoto, que mora com a família no Morro da Mariquinha, no Centro de Florianópolis, cresceu vendo o pai tocar o instrumento, mas nunca conseguiu aprender a tocá-lo. Ele também tentou se aproximar do teclado, porém o instrumento logo foi deixado de lado.

Há algumas semanas, no entanto, o garoto encontrou uma forma de aprimorar o seu lado musical em um projeto realizado em um dos espaços da igreja da comunidade. Idealizada pelo músico e professor Geraldo Vargas, uma oficina une membros do Morro da Mariquinha nas noites de terça-feira, com um propósito em comum: conhecer mais a fundo os diferentes sons musicais e desenvolver as habilidades de crianças, adolescentes e adultos com violões, pandeiros, cavaquinhos e bandolins.

Pedro Henrique dos Santos da Cunha aprendeu a tocar os cinco acordes do violão na oficina - Marco Santiago/ND
Pedro Henrique dos Santos da Cunha aprendeu a tocar os cinco acordes do violão na oficina - Marco Santiago/ND


A oficina, que começou no último dia 12, já mostra resultados. Pedro conta que foi ali que aprendeu a tocar os cinco acordes e, por causa disso, decidiu que venderá o teclado e juntará dinheiro para comprar o próprio violão. Com gosto eclético, ele se considera fã de cantores pop como Ed Sheeran e Bruno Mars, de DJs como Alan Walker e Marshmello e da banda Legião Urbana – a música “Pais e Filhos” é uma de suas favoritas.

Desde que começou a frequentar as aulas, Pedro abriu mão de parte do tempo dedicado ao videogame para praticar a habilidade musical em casa. “É como as provas da escola. Se você não estuda, tira nota baixa”, disse. Mirando no futuro, ele já pensa em montar uma banda com os amigos. “Vou aprender até o fim. Se depois não tiver mais aulas aqui, quero tentar em outro lugar”, afirmou.

“Essa oficina está dando aos membros da comunidade uma oportunidade que eles nunca tiveram”, afirmou o presidente do Conselho Comunitário do Morro da Mariquinha, Alex Correia, 36. Ele acompanha as aulas e ajuda na divulgação dos encontros. “O samba, pro exemplo, é algo que vem se afastando da comunidade, e daqui a algum tempo esses jovens poderão levar isso adiante”, disse.

Brincadeiras e exercícios de ritmo

A ideia de levar a musicalidade ao Morro da Mariquinha surgiu quando Alex Correia, assistiu a uma apresentação da Orquestra de Choro do Campeche, também idealizada por Geraldo Vargas, e propôs ao artista a criação de um projeto social. Foi então que, com a ajuda de ao menos três músicos voluntários, Vargas passou a coordenar os encontros e conseguir instrumentos emprestados para as atividades.

A oficina é realizada em um dos espaços da igreja do Morro da Mariquinha - Marco Santiago/ND
A oficina é realizada em um dos espaços da igreja do Morro da Mariquinha - Marco Santiago/ND


Ao longo de duas horas, os alunos participam de brincadeiras e exercícios de ritmo, além de treinarem com diversos instrumentos e serem apresentados a um inédito toda semana. “É bom ver que a turma está crescendo. Na primeira aula tivemos 17 pessoas, e hoje vieram 26”, disse o idealizador, na última terça-feira (26).

Ao contrário de Pedro Henrique, a maioria das crianças e dos adolescentes do grupo teve o primeiro contato com instrumentos musicais por meio da oficina. “Queremos formá-los para ouvir o choro e o samba, contribuindo com a musicalização do pessoal e trazendo de volta o som acústico e natural, que acabou se perdendo um pouco”, disse.

O próximo passo, diz Vargas, é buscar uma forma de captar recursos e fechar parcerias para expandir a iniciativa para outras comunidades. Entre as necessidades estão instrumentos, profissionais e lanche para os alunos.

Cavaquinho substitui o "pesado" violão

Esta foi a segunda semana em que Tiffany Fernanda de Castro Nascimento, de 7 anos, frequentou a oficina de música. Com uma empolgação característica de quem desbrava uma nova aventura, a garota era uma das mais envolvidas nos exercícios de aquecimento. Na primeira aula, Tiffany não conseguiu tocar violão – “achou muito difícil e pesado” -, e desde então não largou o cavaquinho. “Ele é mais legal e mais leve”, disse.

Está enganado, porém, quem pensa que a dificuldade fez com que ela desistisse do instrumento. “Vou crescer e um dia serei do tamanho do violão”, prometeu.

Ao lado do professor Geraldo Vargas, a pequena Tiffany Fernanda de Castro Nascimento aprendeu a gostar do cavaquinho - Marco Santiago/ND
Ao lado do professor Geraldo Vargas, a pequena Tiffany Fernanda de Castro Nascimento aprendeu a gostar do cavaquinho - Marco Santiago/ND

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