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Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
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Projeto Reviver dá apoio técnico e financeiro a entidades que atendem dependentes químicos em SC

Ação é uma parceria entre o governo do Estado, Fapesc e a Comissão de Prevenção e Combate às Drogas da Assembleia Legislativa

Letícia Mathias, Elaine Stepanski
Florianópolis

As instituições terapêuticas que atendem dependentes químicos terão mais apoio financeiro e técnico do Estado a partir deste mês. O projeto Reviver, que apoia programas de prevenção às drogas, acolhimento e tratamento de dependentes foi renovado e vai ampliar o atendimento de 70 para 100 centros terapêuticos, possibilitando atendimento pleno de 1.000 vagas a cada ano em Santa Catarina. Hoje há 140 instituições cadastradas que oferecem este tipo de atendimento, todas particulares ou ligadas a ONGs.
A demanda ainda é bem maior do que as vagas financiadas pelo Estado, mas até 2010 não existia nenhum trabalho de apoio a este público. Todo atendimento era feito por essas mesmas instituições, que se mantinham apenas por convênios particulares e doações.

Bruno Ropelato/ND
Rodrigues fez tratamento financiado pelo  Projeto Reviver e hoje colabora na entidade que o acolheu



É o primeiro projeto de parceria entre o governo e o terceiro setor para que esse trabalho tenha o mínimo de manutenção e quadro técnico de acordo com a orientação da Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas). A primeira edição do projeto comandado pela Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) e Comissão de Prevenção e Combate às Drogas da Assembleia Legislativa foi em 2013.

A proposta, além de financiar até dez vagas em cada entidade no valor médio de R$ 1.000 cada, é dar apoio técnico, capacitar as equipes e proporcionar melhorias na estrutura para qualificação do atendimento. Os convênios são firmados em contrato de seis meses, podendo ser prorrogado por mais seis.
Para conseguir o apoio, a instituição precisa ter no mínimo um ano de funcionamento e estar de acordo com a RDC 29, uma normativa da Senad. Além disso, há um conselho gestor com integrantes da Fapesc e representantes de diferentes secretarias do Estado que avaliam o local e trabalho com notas de um a dez, de acordo com equipe técnica, espaço físico e outros itens essenciais para o desenvolvimento do trabalho.

A maioria dos centros terapêuticos está na Grande Florianópolis e é para atendimento de homens. O novo edital, lançado esta semana, tem o objetivo de abranger mais regiões do Estado, principalmente o Oeste, que conta com apenas um centro de atendimento em Chapecó, e também o público atendido, com comunidades exclusivas para mulheres e adolescentes.

Mais de 50 mil usuários de crack em território catarinense

O deputado Ismael dos Santos, presidente da Comissão da Alesc que trata do assunto, explica que no início foi criada uma Frente Parlamentar que em 2011 se transformou em comissão permanente. Foram realizadas audiências públicas e pesquisas, levantamentos sobre a situação no Estado e, entre outros dados, o número de cerca de 50 mil usuários de crack em Santa Catarina, trouxe preocupação e motivou o trabalho contínuo para o combate às drogas com ações efetivas. Segundo o levantamento feito pela comissão entre 2010 e 2012, só em Florianópolis teriam pelo menos 50 “pequenas cracolândias”, como define o parlamentar.
Outro dado preocupante é a respeito da saúde mental dos catarinenses. Cerca de 700 mil pessoas que passaram pelo atendimento psiquiátrico no Estado tem problemas relacionados ao álcool, o que representa cerca de 40% do total. A pesquisa aponta ainda que cada vez mais jovens experimentam drogas na adolescência.

Com todas essas informações em mãos, a comissão dividiu o trabalho em cinco pilares: prevenção, repreensão, reabilitação, ressocialização e legislação. Ano passado o trabalho teve foco na reabilitação, quando começou a desenvolver o projeto Reviver. O deputado reconhece que ainda há o que avançar, mas garante que a comissão trabalha para ampliar e aprimorar o trabalho.

Ele afirma ainda que o programa é voltado para quem deseja o atendimento e que a comissão não apoia a internação involuntária. “O querer se recuperar é 50% da recuperação. A demanda é enorme, mas limitamos em dez vagas para atender todo Estado, em mais 40 cidades. Ainda é pouco. A maioria funciona sem o suporte técnico necessário, algumas comunidades trabalham apenas com a boa vontade de ajudar”, disse.

Casa de Apoio Liberdade é destaque entre as instituições

Depois de nove meses na Casa de Apoio Liberdade, no bairro Rio Tavares, na Capital, Marcos Rodrigues, 50, se livrou do vício da droga e do álcool. Hoje, ele trabalha no local como monitor de dependência química e almeja voltar a ocupar o cargo de servidor público. “Encontrei uma paz aqui muito grande, que não dá vontade de voltar aos meus vícios”, conta. Marcos foi um dos contemplados pelo Projeto Reviver, do governo do Estado. Além dele, outros nove acolhidos em processo de reabilitação recebem ajuda do governo, que totaliza R$ 10 mil por mês, para cada instituição beneficiada.

A ajuda do governo é bem vinda para a Casa de Apoio Liberdade, que comemora essa conquista. Mas, ainda não é o suficiente, nem para manter os beneficiados. “É excelente porque com esse dinheiro podemos contratar a equipe técnica. Mas cada acolhido nosso tem um custo de R$ 2.300 para mantê-los com uma equipe completa e contratada esse dinheiro não é suficiente. Seria necessário em média R$ 40 mil para manter um nível de excelência máximo”, garante o diretor da casa, o pastor Ozair dos Santos.

Para garantir o pleno funcionamento da casa como a segunda melhor das 70 instituições na avaliação do Estado, o local conta com a contribuição de empresas e voluntários. Assim, os acolhidos ganham um amplo espaço onde contam com cursos profissionalizantes, aulas de artes marciais, ensino para Jovens e Adultos e acompanhamento psicológico. No caso do cearense Damião Luiz dos Santos, que veio tentar a vida em Florianópolis e acabou entrando no mundo do álcool, a lida com a horta é o grande aliado no tratamento. "Aqui não da vontade de beber. A gente faz o que gosta. Trabalha e sabe que quando sair daqui tem oportunidades lá fora", diz. 

 

Dependência - Estatística sobre uso de entorpecentes*

14,9% dos homens da população de SC são dependentes de álcool

- 13,5% dos alunos do ensino fundamental e médio já experimentaram drogas ilícitas, o que representa mais de 180 mil estudantes.

- Há 125 mil dependentes de suBsbtâncias ilícitas em SC. Cerca de 10% desse público está nas comunidades terapêuticas

- Há cerca de 50 mil usuários de crack em SC

- Há 140 comunidades terapêuticas voltadas para dependentes químicos em SC

* Relatórios da Comissão da Alesc 2012, Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) e Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) 2010.

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