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Projeto em Florianópolis proporciona travessia entre Ilha e Continente pelo mar

Evento contextualizou passado da cidade com problemas atuais para implantação do transporte marítimo

Fábio Bispo
Florianópolis
29/10/2017 às 20H47

Chegar ou sair de Florianópolis pelo mar já foi uma tarefa bem mais fácil que nos dias atuais. Até a inauguração da ponte Hercílio Luz, em 1926, aliás, essa era a única forma que os moradores que viviam no Continente conseguiam, por exemplo, ir ao mercado público. Hoje, a exclusividade é o meio rodoviário, através das saturadas pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos, por onde passam cerca de 180 mil veículos por dia. A aparente indiferença ao transporte marítimo, no entanto, parece algo incompreensível para moradores e turistas.

Foi pensando no tema que um grupo de 12 arquitetos da Asbea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) resolveu proporcionar uma experiência para discutir a relação entre a cidade e o mar através da mobilidade urbana, neste domingo (30), oferecendo a travessia do canal que separa a Ilha de Santa Catarina do Continente de forma gratuita. 

Grupo teve a oportunidade de experimentara a travessia da cidade a bordo de um catamarã - Daniel Queiroz/ND
Grupo teve a oportunidade de experimentar a travessia da cidade a bordo de um catamarã - Daniel Queiroz/ND


A bordo de um catamarã com capacidade para até 40 pessoas, o caminho que via pontes chega a levar horas, dependo do horário e do trânsito, pelo mar durou apenas cinco minutos. O percurso foi feito entre o trapiche na cabeceira insular da ponte Hercílio Luz e o píer da empresa Pioneira da Costa.

O projeto é fruto de um edital do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) que contemplou ideias para os eixos urbano, educação e requalificações de praças. No local do embarque, o convite à comunidade local ainda contava com música, food trucks e uma ação onde os participantes puderam dar sugestões e fazer manifestações em mensagens que foram depositadas em garrafas.

O evento funcionou como um projeto piloto, como ação pontual. "Nossa ideia é que esse projeto seja realizado também por outras pessoas e em todas as cidades litorâneas. O edital previa apenas esse evento", explicou o arquiteto Allan Chierighini, da organização do evento. 

O passado como base para o futuro

“Ninguém nos explica porque até hoje ainda não foi implantado o transporte marítimo na cidade. Não dá para entender. Parece tão óbvio. Nós só temos uma saída para a mobilidade nessa cidade e ela é pelo mar”, afirmou a professora Daniella Pistorello, que chegou a participar das oficinas que preparam o projeto.

No percurso e na parada entre a ida e a volta, os participantes ainda conheceram um pouco mais da história da cidade através do projeto Guia Manezinho, do jornalista Rodrigo Stüpp, e assistiram a uma rápida palestra sobre questões que envolvem a mobilidade urbana pelo mar.

“Eu me sinto voltando no tempo. Usar o mar era algo comum até pouco tempo atrás e Florianópolis era um lugar muito estratégico para as navegações, era o último porto antes da Bacia do Prata. Hoje, vejo que se criam muitas dificuldades para termos o transporte marítimo”, opinou Rodrigo Stüpp.

Segundo Allan Chierighini, um dos arquitetos organizadores, a proposta é trazer a reflexão sobre o assunto através da experiência real. “Temos um cabo de guerra desnecessário. O grande embate é sobre a construção dos piers e trapiches. Não temos local para parada dos barcos, para esse evento usamos o píer privado da Pioneira da Costa”, afirmou. "Mesmo com toda a tecnologia que existe, como os piers flutuantes, Florianópolis é uma ilha que não utiliza o mar para sua mobilidade urbana", compeltou Chierighini.

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