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Projeto Bike Anjo ajuda quem quer andar de bicicleta pela primeira vez ou em meio ao trânsito

Criado em Florianópolis em 2012, projeto voluntário faz atendimento personalizado gratuitamente

Felipe Alves
Florianópolis
Marco Santiago/ND
Simara, a primeira aluna do Bike Anjo, recebe orientações do bike fitter Júlio Fernandes


Eles são os anjos de quem nunca pedalou ou de quem até já sabe pedalar, mas quer um apoio para se sentir seguro no trânsito cada vez mais intenso no dia a dia. Desde 2012, um grupo de ciclistas experientes que atua voluntariamente em Florianópolis e São José decidiu criar o Bike Anjo, projeto que nasceu em São Paulo e se espalhou pelo Brasil. Seja para usar a bicicleta nos momentos de lazer ou como meio de transporte, quem utiliza o Bike Anjo recebe instruções, orientações e dicas de quem, com jeito e paciência, contribui para incentivar o uso de um meio de transporte alternativo que ganha cada vez mais adeptos.

As dificuldades de se pedalar em Florianópolis são muitas: falta de ciclovias, ciclovias desconectadas e esburacadas, desrespeito de motoristas e alta velocidade dos carros. Mas os benefícios compensam, garante quem usa a bicicleta. Além dos benefícios à saúde, é uma forma de escapar dos congestionamentos, ajudar na mobilidade urbana da cidade e também um meio menos poluente.

Hoje são cerca de dez ciclistas que participam do Bike Anjo. Quem quiser aprender, é solicita ajuda pelo site, que o anjo mais próximo da casa do solicitante irá atendê-lo. O bike fitter (profissional que auxilia em toda a preparação dos ciclistas) Júlio Fernandes, 45 anos, e o fotógrafo Vinícius da Rosa, 29, foram os fundadores do projeto em Florianópolis e até hoje fazem os atendimentos. “Fui triatleta por alguns anos e achava um desperdício jogar fora esse aprendizado que tive. Sempre tinha alguém pedindo informação sobre bicicleta. Nos unimos e decidimos criar o projeto. Pedalar também é uma maneira de ensinar cidadania às pessoas”, diz Fernandes.

Segundo os fundadores do projeto, o interesse por utilizar bicicleta tem aumentado muito nos últimos anos e o trabalho ajuda não só a pedalar com segurança, mas também a quebrar paradigmas. “Tem gente que tem medo de andar nas ruas, mostramos as melhores rotas, como pedalar de forma defensiva, ir ao trabalho e fazer um caminho seguro. As pessoas veem que é bem menos dramático do que parece, que ir daqui (da UFSC) até a Beira-Mar Norte não precisa ser um atleta”, afirma Rosa.

Quem utiliza aprova o projeto

O Bike Anjo trabalha principalmente com dois tipos de atendimento. No segundo domingo de cada mês, os ciclistas se reúnem na UFSC para dar aulas a pessoas que nunca andaram de bicicleta, independente da idade. Ou então, se o objetivo é pedalar no meio do trânsito, ganhar confiança e segurança, é só se cadastrar no site que o anjo mais próximo será direcionado ao aluno.

A estudante de doutorado em linguística na UFSC, Karina Zendron da Cunha, 28 anos, é um exemplo disto. Por indicação de uma amiga, ela decidiu experimentar o Bike Anjo. No último domingo, andou pela primeira vez de bicicleta. “Foi rápido e bacana, achei que seria mais difícil. Eles não só ensinam, mas tem jeito e paciência com a pessoa. E ainda fazem o acompanhamento quantas vezes forem necessárias até eu me sentir segura”, conta Karina, que já pensa em comprar uma bicicleta.

Os ciclistas também retomaram na última sexta-feira um projeto que deu certo no ano passado: um curso com motoristas de ônibus. Em uma manhã, eles expõem aos motoristas a visão dos ciclistas e fazem uma conscientização importante para prevenir acidentes, como o caso da estudante Lylyan Gomes, que morreu atropelada na rótula da praça Santos Dumont, em 2013. “O resultado é muito positivo. Os motoristas começam a entender mais os ciclistas e fazemos esse meio de campo, já que ajudamos também os novos ciclistas”, diz Vinícius Rosa.

A bicicleta no dia a dia

Primeira aluna do Bike Anjo em 2012, a publicitária Simara Anchietta, 40 anos, não parou mais de pedalar. Além de utilizar a bicicleta como lazer, ela também disputa provas de longa distância e pratica o cicloturismo. Quando morava em Porto Alegre, Simara usava a bicicleta diariamente, mas quando chegou a Florianópolis, em 2003, precisou usar o carro para se locomover. A partir daí, foram quase dez anos sem pedalar.

Conheceu o Bike Anjo pela internet e decidiu voltar à ativa. “Comecei a me chatear com o trânsito daqui e decidi procurar outra forma de transporte”, conta.

Entre locomoção ao trabalho, idas às compras, restaurantes e compromissos, Simara pedala hoje cerca de mil quilômetros por mês. Ela usa diariamente a bicicleta e raramente tira o carro da garagem. “Olho para o carro e me dá preguiça de ter que pensar onde estacionar, além de ser muito mais caro. Andar de bicicleta te dá outra visão da cidade e gera uma qualidade de vida incrível”, diz.

A designer Naiara Lima, 28, também começou com ajuda do anjos, mas depois de algum tempo decidiu fazer parte da rede de voluntariado. No ano passado, ela criou o blog Pedal Glamour. “Tem bastante demanda e poucos voluntários. As ruas precisam de mais ciclistas e é bacana cumprir esse papel”, afirma.

Falta de ciclovias e de infraestrutura

O objetivo do Bike Anjo é proporcionar uma forma diferente de locomoção, contribuindo com a mobilidade das cidades e com as pessoas. “Apresentamos a bicicleta como mais uma opção de transporte. Muitas pessoas que nos procuram também são motoristas e acabam tendo esta outra visão”, afirma Vinícius Rosa.

Apesar de nos últimos anos a utilização das bicicletas como meio de transporte ter se tornado mais evidente, Rosa e Júlio Fernandes reclamam da falta de políticas públicas em Florianópolis voltadas principalmente para a infraestrutura de ciclovias e ciclofaixas e da falta de incentivo à população em andar de bicicleta. Dos poucos espaços que há na cidade para andar de bicicleta, eles consideram apenas a Beira-Mar Norte, a Beira-Mar Continental e a Via Expressa Sul em boas condições. “Faltam ciclovias e o problema das que temos é que são descontínuas, não se interligam”, afirma Fernandes.

Em Florianópolis, são 57 km de ciclovias e ciclofaixas. A diferença com outras capitais é grande: Rio de Janeiro (380 km), São Paulo (205 km), Curitiba (181 km) e Fortaleza (116 km).

A intenção do Bike Anjo é sensibilizar as pessoas aos poucos para que percebam a bicicleta como alternativa de transporte. Para isso, também participa de grupos de ciclistas, que têm se tornado cada vez mais comuns na Capital, como o Pedal de Quinta, que reúne cerca de 60 pessoas em cada pedalada, e o Nesse morro eu não morro, que sobe o Morro da Cruz às quartas-feiras.

Edital do Floribike é lançado pela terceira vez

Idealizado há mais de dez anos pela arquiteta Vera Lúcia Gonçalves da Silva, do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), o projeto Floribike, que deverá disponibilizar o aluguel de bicicletas à população, tem um novo edital. A prefeitura tentou por duas vezes lançar o serviço, mas nunca avançou. Um novo edital foi publicado nesta sexta-feira e, segundo a prefeitura, a intenção é que o serviço comece a ser oferecido em novembro deste ano.

Com modalidade técnica e preço, o edital leva em conta as necessidades de implantação da primeira etapa do projeto e a expansão do sistema de compartilhamento e aluguel de bicicletas. Para alugar as bikes, os usuários precisarão efetuar um cadastro de acesso ao sistema (que poderá ser feito de forma presencial, ou pela internet, e pelo qual será cobrada taxa de adesão) e optar por um plano de tarifas, conforme a preferência da periodicidade de uso. A tarifa será gratuita no caso de “viagem” de até 40 minutos, que poderá ser repetida, novamente sem custo, após um intervalo de 20 minutos sem utilização da bicicleta pública, quantas vezes por dia o usuário desejar.

Inicialmente o projeto prevê a implantação de 85 estações, 850 bicicletas e 1.190 suportes. Em cada estação serão colocadas dez bicicletas e 14 suportes. Na primeira etapa, três áreas serão contempladas: região central, bacia do Itacorubi e Coqueiros.


Como pedir ajuda do Bike Anjo Floripa

Acesse o site www.bikeanjofloripa.com e se cadastre

Aprender a pedalar: uma vez por mês é realizada a Escola Bike Anjo, na UFSC, onde eles ensinam a pedalar desde o início (a próxima será dia 13 de junho)

Acompanhamento no trânsito: para quem já pedala e quer se sentir mais seguro no trânsito. O ciclista vai acompanhá-lo nos trajetos e dar dicas para tornar a pedalada mais segura

Conhecer a bicicleta: são ensinadas a manutenção e mecânica básicas da bicicleta

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