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Professora que insistiu em apuração de desvios na UFSC relata ter recebido ameaça

Ex-coordenador da UAB disse em gravação que devolução de bolsas ocorria também em outros departamentos da Universidade

Fábio Bispo
Florianópolis
18/09/2017 às 10H59

A prática de desviar o dinheiro de bolsas de ensino repassadas pela Fundação Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) se mostrou uma prática institucionalizada entre alguns funcionários segundo aponta o inquérito da Polícia Federal que deu origem a Operação Ouvidos Moucos, deflagrada na última quinta-feira (14) e que resultou na prisão de sete pessoas ligadas à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), incluindo o reitor Luis Carlos Cancellier.

Nas provas coletadas, os indiciados são flagrados pedindo devolução das verbas pagas no programa de EaD da UAB (Universidade Aberta do Brasil). Professora que fez denúncia relatou que teria sido ameaçada. Gravações e trocas de e-mails anexadas ao inquérito mostram como os indiciados requeriam a devolução de parte das bolsas pagas a professores.

Uma das testemunhas da investigação, o professor Martin de La Martiniere Petroll, entregou à Polícia Federal duas gravações em vídeo onde conversa com Roberto Moritz da Nova, funcionário celetista da Fapeu, e Rogerio da Silva Nunes, que coordenou o núcleo da UAB até fevereiro deste ano. Ambos estão indiciados pela PF. A testemunha também anexou cópias de e-mails onde insiste que a prática de devolver valores das bolsas recebidas não seria um ato legal.

>>Reitor e demais suspeitos deixaram prisão na sexta após manifestação da Justiça Federal

Em um trecho das gravações, o professor Martin questiona como seria a justificativa para o MEC (Ministério da Educação) sobre a devolução de 50% de uma bolsa, valor depositado diretamente na conta dos requerentes. Na conversa, Roberto da Nova diz que “não tem como o MEC saber”.

Ex-coordenador da UAB diz que não teria como o MEC saber de devolução de bolsas - Reprodução
Ex-coordenador da UAB diz que não teria como o MEC saber de devolução de bolsas - Reprodução


Em outro trecho, diante da insistência do professor pedindo uma declaração para a devolução de 50% da bolsa, o então coordenador o UAB diz que esta prática ocorre em outros departamentos e que “ninguém da essa declaração”.

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Justificativa é de que devolução de bolsas ocorria também em outros departamentos da Universidade- Reprodução

Ameaça diz que professora poderia sofrer "acidente" no estacionamento da UFSC

O inquérito também reúne troca de mensagens da professora Taísa Dias, que coordenou o corso de EaD de administração, onde ela relata um “saldo” de bolsas repassadas pela Capes e que não estavam sendo ofertadas de forma regular aos acadêmicos. Em uma das mensagens, encaminhada com cópia para a Corregedoria-Geral e Reitoria, a professora insiste que sejam apurados os desvios alertando sobre a gravidade dos fatos e demonstrando preocupação com a imagem da Universidade. “Reforço nossa disposição e nosso empenho no sentido de continuar tentando evitar que o assunto tome proporções indesejadas para a imagem dessa instituição”, escreveu em março deste ano.

Em seu depoimento à Polícia Federal, a professora Taísa ainda relata que teria sido ameaçada. Segundo seu relato, outra professora teria avisado que “poderia acabar sofrendo um ‘acidente’ no estacionamento da UFSC”. Além disso, a denunciante ainda relatou pressão para deixar a coordenação do curso, uma das formas de pressão foi através da avaliação de seu estágio probatório, disse à Polícia.

Na listagem apensada ao inquérito, a PF lista uma série de pessoas suspeitas que teriam sido beneficiadas com bolsas da Capes entre 2012 e 2017. O valor total desta lista soma R$ 2,2 milhões.

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