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Professor cego ajuda a difundir a linguagem Braille nas escolas de São José

Josué Leandro da Rosa Coelho é responsável por revisar todo o conteúdo disponibilizado nas escolas da rede municipal

Brunela Maria
São José
04/07/2017 às 20H08

A sensibilidade das mãos do professor e jornalista Josué Leandro da Rosa Coelho é responsável por contribuir com o desenvolvimento educacional e pessoal dos alunos do Centro de Referência em Educação Especial de São José, na Grande Florianópolis. Cego desde 16 anos, após um grave glaucoma, ele é o primeiro revisor de materiais didáticos e pedagógicos em Braille a ser contratado pelo município.

Professor é cego desde os 16 anos e especialista em Braille - Viviana Ramos/ND
Professor é cego desde os 16 anos e especialista em Braille - Viviana Ramos/ND


Admitido como ACT (Caráter Temporário) no ano passado, ele atua desde fevereiro ao lado de outra profissional, chamada de transcritora. Enquanto ela avalia o material com figuras, ele revisa textos de geografia, português e outras disciplinas antes de encaminhar para impressão. “Existe o que denominamos de confronto de leitura, quando reavaliamos as informações para evitar erros. Atualmente o conteúdo que mais demora a ser revisado é o de matemática e todos os campos de exatas”, descreve.

A profissão de revisor de Braille é bem específica, segundo avalia Coelho. O professor, único de São José especializado no assunto, conta que há poucos profissionais no mercado. “As crianças recebem o material com atraso, então o revisor auxilia nessa situação, verificando erros e contribuindo com a adaptação nas salas de aula e resolvendo principalmente as dúvidas sobre o material”, comenta.
Segundo Tatiana Passig, transcritora e colega de trabalho de Josué, “as pessoas com deficiência visual mostram autonomia nas mais variadas atividades do cotidiano e, muitas vezes, surpreendem as pessoas”. Na rede municipal de ensino, os deficientes visuais participam de diversas atividades. Isso comprova que a deficiência não cria impossibilidades, mas sim reforça a necessidade de participação de todos na sociedade.

Multiplicação do conhecimento

O professor vai ensinar os colegas da Sala de Serviço Especializado do município a compreender melhor os conteúdos oferecidos aos alunos com deficiência visual. Segundo ele, o objetivo é orientar as equipes, através de um modo básico da linguagem. “Nossa ideia é também expandir para as pessoas que mantém interesse em aprender, como temos a libra. Serão oferecidas 20 horas para os profissionais e a previsão é que no próximo ano seja mais avançado para toda rede municipal”, diz.

De acordo com a coordenadora do Centro de Referência, Isolete Venâncio, oferecer aos professores esse curso básico vai ajudar muito na relação entre professor e estudante dentro da sala de aula. Ela avalia que além de adquirir mais um conhecimento, as equipes conseguirão entender o livro de braile com maior facilidade, respondendo questionamentos dos alunos.

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