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Procurador de Justiça e engenheiro mortos em atropelamento são velados em Florianópolis

Aor Steffens Miranda será enterrado neste sábado e João Carlos Schultz será cremado

Felipe Alves
Florianópolis
01/09/2017 às 19H23

Toda quinta-feira à noite, o procurador de Justiça Aor Steffens Miranda, 50, e o engenheiro civil João Carlos Schultz, 36, se reuniam com um grupo de amigos para jogar futebol. Na madrugada de sexta-feira, a pelada na quadra do Beira Mar Gol, em São José, foi seguida de um churrasco para acompanhar a partida entre Brasil e Equador. Quando eles se preparavam para deixar o local, por volta das 2h20, foram atropelados por uma Mercedes Benz C 180 dirigida por Felipe Silveira Pereira, 35. O procurador e o engenheiro morreram na hora. Velados na sexta-feira (1), Aor deve ser enterrado e João Carlos cremado neste sábado.

Velório do promotor Aor Steffens Miranda ocorreu na capela do Jardim da Paz, em Florianópolis - Marco Santiago/ ND
Velório do promotor Aor Steffens Miranda ocorreu na capela do Jardim da Paz, em Florianópolis - Marco Santiago/ ND


Natural de Porto Alegre e torcedor do Internacional, Aor era integrante do Ministério Público de Santa Catarina desde 1990. Trabalhou em comarcas do interior até fixar-se na capital, desde 2001. Foi na 26ª promotoria de Florianópolis, onde trabalhou por seis anos na defesa da moralidade administrativa, que cuidou de casos de grandes proporções e interesse público.

Neste período, Aor atuou nos casos de pagamentos irregulares feitos pela Celesc à empresa Monreal, em aplicações de recursos da Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte de forma indevida, propôs a regularidade do serviço de autoescolas no Estado, questionou a dispensa de licitação para contratação de serviços da saúde pública do Estado, a obra do edifício-garagem em Florianópolis e o contrato dos radares da Prefeitura da Capital. Em outubro de 2016 foi empossado procurador de Justiça. Aor deixa mulher e dois filhos.

Torcedor do Figueirense, o manezinho João Carlos se criou entre o Centro da cidade e a Barra da Lagoa. Engenheiro civil, ele trabalhava como autônomo e era um dos profissionais responsáveis técnicos pelo empreendimento da Ponta do Leal, em Balneário do Estreito. João deixa mulher e uma filha de dois anos. Em julho deste ano, João participou de uma matéria do Notícias do Dia em que discutia, como frequentador, os problemas do Parque da Luz, no Centro da cidade.

Aor Steffens Miranda e João Carlos Schultz morreram na madrugada desta sexta-feira - Divulgação/Redes Sociais/Arquivo/ND
Aor Steffens Miranda e João Carlos Schultz morreram na madrugada desta sexta-feira - Divulgação/Redes Sociais/Arquivo/ND


Amigos lamentam morte
O comprometimento de Aor com o trabalho e com o interesse público chamavam a atenção de todos a sua volta, de acordo com o procurador do Ministério Público de Contas, Diogo Roberto Ringenberg. Eles trabalharam juntos quando Aor era promotor da moralidade pública. “Era uma das pessoas mais vocacionadas que encontrei na atuação dentro do Ministério Público. Uma pessoa correta, obstinada e completamente orientada pelo interesse público”, afirma.

Com o trágico acidente, Diogo lembrou de uma conversa que teve anos atrás com Aor. “Nós falávamos sobre mortes no trânsito ocasionadas pela bebida e ele contou que, quando ele era promotor no interior, lidava de maneira dura nesses casos, da forma como um membro do MP deve lidar”, afirma.

Amigo de Aor, o procurador Alexandre Abreu passou no mesmo concurso que ele, em 1990, para integrar o MP-SC, depois trabalharam juntos em Canoinhas e agora como promotores de Justiça. “Era uma pessoa muito culta, poliglota, e que tinha uma carreira brilhante. É uma perda gigantesca”, diz.

Apaixonado por futebol
João Carlos Schultz seguiu a profissão do pai e formou-se engenheiro. Um de seus hobbies preferidos era o futebol de quinta-feira com os amigos. “O vício dele era jogar futebol e torcer para o Figueirense. Era um bom pai, um grande filho, uma pessoa querida, companheira e que tinha muitos amigos”, define o primo Luiz Carlos Sempre Bom. “Esperamos que sirva de alerta para que acabe de uma vez esse problema sério de pessoas embriagadas cometendo assassinatos”, completa.

Osvaldo José Roberge Ribeiro é amigo da família de João Carlos há anos e lembra com carinho do amigo. “Meus filhos e ele se criaram juntos na Barra da Lagoa. Acompanhei ele desde a infância até a vida adulta e ele sempre foi muito querido, um cara que só queria o bem, sempre simpático e sorridente”, afirma.

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