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Prisão de João Rodrigues muda cenário pré-eleitoral em Santa Catarina

Deputado atuava como articulador em busca de alianças para o PSD nas próprias eleições

Fábio Bispo
Florianópolis
09/02/2018 às 07H44

Preso em Guarulhos, em uma rota nada convencional para voltar ao Brasil que tinha como destino final o Paraguai e já sabendo de seu mandado de prisão, o deputado federal João Rodrigues (PSD-SC) acabou passando a noite Porto Alegre, para onde foi levado em voo comercial escoltado por policiais federais. A prisão do deputado, que detido no Rio Grande do Sul dificilmente conseguirá cumprir mandato por estar a milhares de quilômetros do Congresso Nacional, também joga por terra os planos que vinha traçando para as eleições ao governo do de Santa Catarina neste ano de 2018.

João Rodrigues na votação do impeachment de Dilma Rousseff - Nilson Bastian/Câmara/ND
João Rodrigues foi preso na manhã de quinta-feira em Guarulhos - Nilson Bastian/Câmara/ND



>> Deputado João Rodrigues é preso no aeroporto de Guarulhos

Em novembro, João Rodrigues apresentou ao governador Raimundo Colombo uma alternativa ao projeto do deputado estadual Gelson Merísio, até então único pré-candidato do partido, agindo como articulador em busca de aliança de partidos. Diferente do cenário proposto por Merísio, que não prevê uma coligação com o MDB, por exemplo, a frente de atuação de Rodrigues permitiria qualquer aliança, menos com PT e PCdoB. Inclusive, chegou a lançar seu nome como pré-candidato.

Em um dos possíveis cenários, João Rodrigues poderia ser candidato a vice-governador na aliança com o MDB tendo Mauro Mariani na cabeça de chapa. Com Rodrigues como interlocutor, não estava descartada, sequer, a possibilidade de reedição da tríplice aliança com PSD, PSDB e MDB. Rodrigues ainda estaria costurando um possível cenário que incluiria o PP, aí sem o MDB, agindo como articulador em todas as possíveis alianças.

“Ele era um grande protagonista neste processo sucessório da política catarinense. Foi um duro golpe que terá impacto para ele e para o partido”, disse o deputado federal Esperidião Amin (PP). Amin confirmou conversações entre os dois partidos para as eleições deste ano. “A aliança PP e PSD é nossa preferência”, comentou.

Décio Lima (PT), que também tem sido cogitado a uma possível candidatura ao governo do Estado, disse não ver ligações entre a prisão de Rodrigues e o processo de Lula —o caso de Rodrigues é o primeiro desde a condenação de Lula e pode ser usado como parâmetro para pedido de prisão dos ex-presidente pela acusação.

“Apesar de ser um adversário político, não posso dizer que há ligação entre os processos. Seria muito fácil de minha parte nesse momento tripudiar da prisão, mas me reservo a minha condição de acadêmico de direito”, disse Décio.

A corrida eleitoral sem Rodrigues fortalece os planos de Merísio e da candidatura próprio do partido. Procurado, Merísio, que também é presidente estadual do partido, não quis se manifestar.

A reportagem também procurou Mauro Mariani e o senador Paulo Bauer (PSDB), também pré-candidatos, para comentar o cenário político após a prisão de Rodrigues, mas eles não foram encontrados.

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