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Prefeitura disponibiliza abrigo por tempo indeterminado e moradores contabilizam prejuízos

Secretária de Assistência Social, Katherine Schreiner, visitou o abrigo na Fazenda Rio Tavares e informou que dará apoio durante o tempo necessário para que as famílias voltem para a casa

Michael Gonçalves
Florianópolis
13/01/2018 às 01H07

Com a trégua da chuva em Florianópolis, a prefeitura começou a trabalhar em alguns pontos da cidade. No bairro Ratones, uma retroescavadeira e três caminhões realizaram a limpeza de córregos. O prefeito Gean Loureiro (MDB) esteve no local fiscalizando os trabalhos e conversando com moradores. Já a secretária de Assistência Social, Katherine Schreiner, visitou o abrigo no Centro Comunitário Fazenda Rio Tavares e informou que dará apoio durante o tempo necessário para que as famílias voltem para casa.

Existe a possibilidade de abrir mais um abrigo na comunidade Papaquara, Norte da Ilha. “Existem três famílias desabrigadas no Papaquara e estamos avaliando a possibilidade de abrir mais um abrigo ou se elas vão para casa de parentes ou de conhecidos. Já não temos mais ninguém na passarela Nego Quirido e apenas uma pessoa no Saco Grande, que também pode ser deslocada para a Fazenda Rio Tavares. O abrigo no Sul da Ilha tem o maior número de desabrigados e, por isso, estamos concentrando os esforços neste local”, afirmou a secretária.

No Leste da Ilha, a pista da SC-406, no trecho entre a Barra da Lagoa e a praia Mole, continuava em meia pista na tarde desta sexta-feira. Por conta disso, o itinerário do transporte coletivo foi alterado. Os moradores, que não tiveram essa informação, tiveram que fazer longas caminhadas.

Na tarde de sexta-feira, o GBS (Grupamento de Busca e Salvamento) do Corpo de Bombeiros encontrou na baía Sul o corpo de Rafael Eller, 31 anos, que desapareceu na noite de quarta-feira no Morro do Quilombo. Ele foi arrastado pela enxurrada quando caminhava pela rua da Represa e tentou cruzar a Servidão da Jaca, que havia se transformado em uma cachoeira. Devido à quantidade de água acumulada e chuva intensa, o corpo se deslocou do rio Itacorubi até as baías Norte e Sul.

Residência da autônoma Leonir Maria Gonçalves no Morro do Quilombo, em Florianópolis - Marco Santiago/ND
Residência da autônoma Leonir Maria Gonçalves no Morro do Quilombo, em Florianópolis - Marco Santiago/ND


Casas interditadas 

A residência da autônoma Leonir Maria Gonçalves, 37 anos, foi uma das quatro casas interditadas pela Defesa Civil no Morro do Quilombo. Apesar da ameaça, Leonir permanece em casa porque alega que não tem para onde ir. Já a casa da mãe e do irmão foram desocupadas, porque a parede da cozinha caiu e os outros cômodos estão com rachaduras. “Retiramos alguns móveis às pressas e colocamos na garagem. O problema é que não temos condição de pagar ninguém para arrumar as nossas casas e não temos parentes em outras localidades”, contou.

Móveis ficaram destruídos por conta do alagamento no loja - Marco Santiago/ ND
Móveis ficaram destruídos por conta do alagamento no loja - Marco Santiago/ ND

Prejuízo em loja de móveis

Na SC-405, bairro Rio Tavares, uma loja de móveis usados perdeu mais da metade do estoque. O motorista da empresa, Jorge Luiz Machado, 44 anos, está sem dormir desde quarta-feira. Com a ajuda de um amigo, colocou os entulhos na frente da loja. “Todos os móveis de madeira foram para o lixo. Não conseguiremos aproveitar quase nada. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 40 mil. Isso sem falar nos refrigeradores e outros itens da linha branca, que ainda precisaremos verificar”, disse.

Móveis estragados

A dona de casa Amanda Pereira, 20 anos, passou a sexta-feira limpando o apartamento térreo na rua dos Príncipes, bairro Monte Verde. Ela e a tia levaram móveis para a rua, porque alegam que não tem como reaproveitá-los. “Foi a primeira vez que passamos por essa situação. A água entrou no apartamento em mais de 60 centímetros e na hora só pensamos em salvar os eletrodomésticos. Perdemos dois sofás e duas cômodas no primeiro momento. Sem falar na máquina de lavar roupa, que por enquanto teima em não ligar”, disse.

Oportunidade de trabalho

O pedreiro Estevão Pinheiro, 39 anos, estava com dificuldade de encontrar trabalho nas últimas semanas. Infelizmente, a tragédia de algumas pessoas será a salvação financeira deste trabalhador da construção civil. Na sexta-feira, ele trabalhava com o parceiro Carlos Rigon, 47, na reconstrução de um muro de pedras na Estrada Intendente Antônio Damasco, em Ratones. “Estava difícil de pegar serviço até a semana passada. Infelizmente aconteceu essa tragédia na cidade e já fui procurado por três pessoas para trabalhar. Agora, terei trabalho até o fim do mês”, afirmou Estevão.

Estevão Pinheiro trabalha na reconstrução de um muro no bairro Ratones, em Florianópolis - Marco Santiago/ ND
Estevão Pinheiro trabalha na reconstrução de um muro no bairro Ratones, em Florianópolis - Marco Santiago/ ND



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