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Prefeitura de São José dá prazo para derrubada de ranchos de pesca na orla

Município notificou 20 dos 24 pescadores com estruturas entre os bairros Barreiros e Serraria. Notificações começaram a ser entregues na sexta-feira

Everton Palaoro
São José
25/07/2018 às 09H46

A Prefeitura de São José notificou 20 das 24 pessoas com ranchos de pesca na orla do município. As estruturas ficam entre os bairros Barreiros e Serraria. O prazo para demolição é de 15 dias e começou a contar na última sexta-feira, 20. A medida atende uma decisão da Justiça Federal, após uma investigação do MPF (Ministério Público Federal) aberta em 2007.

Pescadores não conseguiram comprovar posse dos ranchos - Flávio Tin/ND
Pescadores não conseguiram comprovar posse dos ranchos - Flávio Tin/ND



Os pescadores Paulo Roberto Matos, 50 anos, e Sidionei Sodré, 44, estão desesperados. Nos ranchos, guardam todos os materiais utilizados no dia a dia da pesca ou do cultivo de marisco e ostras. Sodré explica que a medida atinge trabalhadores e pessoas que têm na pesca apenas um hobby. Ali tem um monte de gente que não é pescador, como oficial de justiça e policial militar. No meu caso, recebi uma citação para provar que sou pescador. Peguei um advogado e ele 'comeu' o meu dinheiro e não fez a defesa”, lamentou.

Sodré diz que vem de uma geração de pescadores e que agora não sabe como poderá garantir o sustento da família. Segundo ele, quem não conseguiu comprovar a posse do rancho, tem poucas esperanças. “Corremos atrás de outro advogado, mas me pediram R$15 mil para tentar reverter essa decisão. Estamos desesperados”, contou.

A decisão atinge até quem tem documentação da área. Roger Mendes, 23, pesca há sete. Ele afirmou ter todos os documentos relativos ao local, inclusive da Secretaria do Patrimônio da União. Recentemente, investiu R$ 15 mil na compra de um barco, mas também também deve ter o rancho demolido. "Vou guardar minhas redes em qual lugar? Não tem nada barato para o pescador. E se alguém roubar, como vamos ficar?”, questiona Mendes.

Apenas quatro estruturas vão ficar em pé. Duas delas pertencem a Vilton Lucas Dias e a Carlos Altino da Rosa. Os espaços ficam próximos à divisa com Florianópolis. Mesmo permanecendo no local, eles são solidários aos colegas. “Temos pena, pois nos criamos e pescamos todos juntos. A prefeitura nos deu esse limite para colocar nossas coisas aqui. E hoje corta nossas pernas”, lamentou

Em nota, a prefeitura informou que o município é apenas executor da ação e que está dando cumprimento a uma decisão judicial. O Ministério Público Federal informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

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