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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Prefeitura de Garopaba está proibida de fornecer alvarás de construção na Praia da Silveira

Ação do Ministério Público Federal obteve embargo parcial e município deverá resolver problemas ambientais do acesso à região

Redação ND
Florianópolis

A Justiça Federal determinou, em caráter liminar, que o Município de Garopaba não conceda novos alvarás de construção para edificações que utilizem a mesma estrada, a GRP 100, na região norte da Praia da Silveira. Também é objeto da ação Procuradoria da República em Tubarão fazer com que a prefeitura providencie acesso alternativo, ou indenizações, para as edificações que foram regularmente construídas com autorização do poder público.

A liminar ordena, ainda, que o Município instale obstáculos que impeçam o estacionamento de veículos na faixa de areia, além de afixar e manter placas nas quais constem os dizeres "Estrada objeto de Ações Civis Públicas - autos n° 5000217-64.2015.404.7216 e 5002121-22.2015.4.04.7216, em trâmite na Justiça Federal. Autor - Ministério Público Federal. Proibido estacionar ao longo da via e acessar a faixa de praia com veículos automotores".

Estrada sobre dunas

A ação, de autoria do procurador da República Daniel Ricken, tramita junto com outra ação ajuizada em fevereiro deste ano e que tem por objeto a interdição definitiva - desde a última residência até o final da praia - da estrada municipal GRP100, que foi construída em cima de dunas.

A via pública, que não é a única forma de acesso à Praia do Silveira, foi construída no interior da APA (Área de Proteção Ambiental) Baleia Franca e sobre APP (Área de Preservação Permanente) - dunas e restinga - e terrenos de marinha. 

A Procuradoria da República também cobra da prefeitura a recuperação da área danificada pela estrada, a partir de um Prad (Plano de Recuperação de Ambiente Degradado) submetido previamente ao ICMBio-APA da Baleia Franca.

Atualmente, de acordo com o ICMBio, a alternativa de acesso à Praia do Silveira é a Estrada da Farinha, recentemente recuperada com a instalação de via dupla de concreto. 

Uma década de ação

O fechamento da via pública sobre áreas de preservação e a viabilização de um acesso alternativo à Praia do Silveira estão em pauta no MPF há quase uma década, com diversas tentativas para encontrar uma solução extrajudicial ao caso mostrando-se infrutíferas. 

Ao longo dos anos, o MPF requisitou por diversas vezes informações à prefeitura de Garopaba sobre a execução do acesso alternativo, sem êxito. Em 2010, o movimento das marés destruiu parte da estrada, o que obrigou a sua restauração. Na ocasião, o município se comprometeu em apresentar à APA-Baleia Franca, no prazo de seis meses, o projeto de acesso definitivo à Praia do Silveira. O prazo não foi cumprido - questionada pelo MPF, a prefeitura argumentou que o projeto seguia em elaboração. 

Outro ofício foi encaminhado em agosto de 2011, ao qual a prefeitura de Garobapa respondeu apenas em março de 2012, comprometendo-se a concluir o projeto em quatro meses. O prazo mais uma vez não foi atendido.

A prefeitura comunicou, no final de 2014, que a estrada não havia sido fechada por falta de recursos. Entretanto, para o MPF, "a interdição da via, ao menos para permitir a regeneração natural enquanto se viabiliza os recursos, não exige despesas do município, pelo contrário, economiza-se sua manutenção", disse o procurador Daniel Ricken, autor das ações. 

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