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Prefeitura de Florianópolis vai manter as quadras de areia na Beira-Mar Norte

Área de lazer construída em setembro caiu no gosto da população da Capital, mas Superintendência do Patrimônio da União alega que obra é irregular

Michael Gonçalves
Florianópolis
01/11/2017 às 09H17

Construídas em setembro, as três quadras de esportes de areia na avenida Beira-Mar Norte caíram no gosto da população. Praticantes de vôlei, futevôlei, beach tennis e futebol estão diariamente ocupando o espaço e trazendo segurança para quem apenas quer caminhar no calçadão ou pedalar na ciclovia.

O secretário de Cultura, Esporte e Juventude de Florianópolis, Márcio Luiz Alves, disse de que o projeto pode passar por adequações, mas que as quadras permanecerão como mais um espaço de lazer da cidade. Isso porque a SPU (Superintendência do Patrimônio da União) foi comunicada após a construção das quadras na área da União e, assim, a prefeitura será multada.

Para a designer Rafaela Crippa, que costuma caminhar na Beira-Mar com frequência, o local ficou mais “habitado”. “Além de propiciar qualidade de vida para os frequentadores, as quadras geram segurança para quem só pretende passar pela região. No fim de tarde e nos fins de semana sempre tem alguém praticando esporte e me sinto mais segura”, contou.

Rafaela Crippa, que caminha pela Beira-Mar Norte, sente-se mais segura após construção das quadras - Flávio Tin/ND
Rafaela Crippa, que caminha pela Beira-Mar Norte, sente-se mais segura após construção das quadras - Flávio Tin/ND


Alves afirmou que o município tem autorização da SPU para revitalizar a orla da Beira-Mar Norte desde 2010 e o documento prevê a construção de uma área de lazer. O secretário afirmou que a autorização especifica até a ampliação do aterro. Além disso, os recursos de compensações ambientais emitidos pela Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) foram direcionados para o local.

O secretário afirmou que não recuará no projeto. “Antes das quadras, o espaço era ocupado por moradores de rua e usuários de drogas. Agora, a região recebe praticantes de esportes e simpatizantes que, com o movimento de pessoas, contribuem para o aumento da sensação de segurança. Se cometemos algum equívoco faremos as adequações, porque a SPU também não quer a retirada das quadras”, afirmou. O receio é que aconteça na região o mesmo que ocorreu no aterro da baía Sul, quando a SPU determinou a retirada do Direto do Campo e de um camelódromo e usuários de droga dominaram o local.

Gean não vai recuar e quer construir novas quadras na cidade

O prefeito Gean Loureiro (PMDB) recebeu com surpresa a informação de que há irregularidade nas quadras. Ele acredita que a SPU não seja contra as quadras, mas que ajustes possam ser feitos para se adequar às exigências da União. “Não há mudança significativa no local, não há impacto ambiental, então a gente simplesmente montou as estruturas em um local obsoleto e que hoje está sendo aproveitado. É um pequeno investimento para um grande resultado”, afirmou.

Gean diz que não recuará do projeto e a prefeitura deverá implementar o mesmo modelo em outros locais, como Canasvieiras, Saco dos Limões e Caieira. “É um equipamento importante para a sociedade, pois estimula a prática de esportes. Responderemos à SPU sem nenhum problema e sentaremos com eles para ver o que pode ser feito”, disse.

Região sofreu poucas mudanças

Para construir a área de lazer, o secretário Márcio Luiz Alves explicou que a prefeitura remanejou algumas pedras, que são utilizadas para a contenção do mar, e areia fornecida pelo Sapiens Parque. Também foi colocada uma camada de barro sobre o gramado para terraplanagem. As quadras estão abertas para a população e podem ser utilizadas sem custo, por ordem de chegada.

Alves lembrou que as quadras não estão sobre a areia da praia. “No projeto Floripa em Movimento, improvisamos duas quadras de beach tennis sobre a areia da praia. Foi assim que tivemos a ideia de aproveitar o gramado para construir as quadras. Precisamos aproveitar os espaços públicos para praticar esportes, fazer piqueniques e viver a cidade”, justificou.

Além da areia, a prefeitura colocou 19 pequenos troncos de madeira para instalar dois chuveiros. Também foram colocados oito estacas para sustentar as redes de proteção, quatro para a prática do slackline e três postes de metal para a iluminação. Não há tijolo ou cimento na construção.

O empresário Jorge Atherino não acredita que alguém seja contrário às quadras. “É uma ótima ideia aproveitar o espaço urbano, com pouco custo e muito retorno. É inacreditável que alguém seja contrário a um projeto que oferece bem-estar à população”, disse.

SPU diz que prefeitura terá de pagar multa

A assessoria de imprensa da SPU informou que as quadras de esportes estão irregulares. Assim, a prefeitura será notificada e terá que pagar multa. O valor será calculado com base na área afetada e a administração municipal terá que apresentar documentos para regularizar a edificação.

O setor de comunicação da SPU explicou que a área em questão é de propriedade da União e foi cedida ao governo do Estado na década de 70. Mesmo assim, qualquer obra no local precisa de autorização da SPU/SC, o que não ocorreu. Diante disso, a SPU/SC fez, esta semana, uma vistoria no local e verificou a irregularidade.

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