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Prefeitura de Florianópolis lança ações para devolver dignidade aos moradores de rua

Projeto visa reinserir moradores à sociedade ou encaminhá-los à cidade de origem

Dariele Gomes
Florianópolis
17/05/2017 às 19H55

A história da maioria dos moradores de rua de Florianópolis começa da mesma forma, dos mesmos objetivos às mesmas decepções - a vinda em busca de emprego e qualidade de vida. O emprego que não vem, a moradia que não existe, o banho e a comida que se tornam raros, e logo a vulnerabilidade e a perda da dignidade. A prefeitura estima em 700 o número de pessoas nessa situação. Com o objetivo de mudar esse cenário, foi lançado nesta quarta-feira (17) o programa Floripa Social.

O projeto envolve ações como abordagem social com consultório de rua, reativação do NAF (Núcleo de Apoio à Família) na rodoviária; abertura de 100 vagas em instituições para dependentes químicos; ampliação de 50 vagas em albergues e abrigos; e revitalização e expansão do funcionamento do Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) para os fins de semana.

O Floripa Social ainda prevê cursos de profissionalização e inserção ao mercado de trabalho das pessoas em situação de rua; limpeza das ruas e conscientização das pessoas em situação de rua; integração das atividades dos voluntários aos serviços oferecidos pela prefeitura e identificação de pessoas com problemas com a lei e mandados de prisão em aberto. O programa conta com a parceria de secretarias municipais, Ministério Público de Santa Catarina, CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e outros órgãos afins.

Prefeitura estima que morem nas ruas de Florianópolis 700 pessoas - Marco Santiago/ND
Prefeitura estima que morem nas ruas de Florianópolis 700 pessoas - Marco Santiago/ND


Em conversa com moradores de rua no Centro POP nesta tarde, a maioria não quis se identificar, mas alguns ressaltaram a falta de oportunidades de trabalho, de incentivo por meio de cursos profissionalizantes e de espaços onde possam ser recebidos sem preconceito para a prática de esportes.

Segundo Josimar Costa de Oliveira, 21 anos, que frequenta o CentroPop, há muito preconceito e poucas formas de ajuda. “A maioria não escolheu estar nas ruas. Veio tentar a vida e acabou se decepcionando com a realidade. Quando entregamos currículos e colocamos o endereço aqui do Centro POP como referência, somos descartados e discriminados”, diz.

Promessa de emprego que não veio

O construtor civil e morador de rua Dilmar Morask, 41 anos, de Itaiópolis, Norte do Estado, conta que veio para a Capital em janeiro por uma promessa de emprego que não se concretizou.

“Tinha um trabalho quase certo, mas não aconteceu. Na decepção de não ter trabalho fui ficando para ver se conseguia algo, só que a cada dia que passa você fica mais sujo e as oportunidades de trabalho se afastam cada vez mais da gente. Nas ruas vejo que há entidades que distribuem alimentos e dão assistência aos moradores de segunda à sexta-feira, mas nos fins de semana e feriados ficamos à mercê”, diz.

Morask conta que faz artesanato com latinha e que tem a esperança de mudar sua realidade. “Estou fechando com um futuro cliente para fazer uma obra na casa dele, que pode durar três meses. Ele me propôs trabalho e moradia no local durante esse período”, conta, com a carteira de trabalho em mãos.

Dilmar tem esperança de sair das ruas - Marco Santiago/ND
Dilmar tem esperança de sair das ruas - Marco Santiago/ND

Levantamento dos moradores de rua

Conforme o prefeito Gean Loureiro (PMDB), a ideia é levantar quem são esses moradores de rua, conhecer a história deles, a causa de estarem nessa situação e encaminhá-los da melhor forma, seja para trabalho e atividades sociais ou para o município de origem, caso seja a vontade deles.

“Numa ronda pela cidade conversei com um jovem que junto com o irmão tinha vontade de voltar para casa, junto à família. Atendendo ao desejo, encaminhamos os dois de volta a Sorocaba (SP). A ideia não é se livrar dessas pessoas, e sim tirá-las das ruas e encaminhá-las da melhor forma possível. A política pública pode e deve modificar a realidade dessas pessoas”, destaca.

O promotor de Justiça Daniel Paladino define o momento como histórico e fundamental. “Acompanho a causa há cinco anos. Esta é uma ação forte e inovadora que atende aos anseios da sociedade. Ela traz dignidade e resgate que a pessoa humana precisa em nossa sociedade. Além do Ministério Público e da prefeitura, temos também o comprometimentos de 12 entidades que querem auxiliar na causa”, afirma.

Prefeitura lança programa Floripa Social nesta quarta-feira - Marco Santiago/ND
Prefeitura lança programa Floripa Social nesta quarta-feira - Marco Santiago/ND



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