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Prefeitura de Florianópolis e Liga estudam mudanças para Carnaval 2019

Ampliar a participação da iniciativa privada e definir como ficarão as agremiações dos grupos de acesso são algumas das hipóteses estudadas

Fábio Bispo
Florianópolis
15/02/2018 às 09H03

Repensar o modelo do Carnaval de Florianópolis, buscando ampliar a participação da iniciativa privada e reduzir o número de agremiações na passarela, será uma das tarefas para a Prefeitura de Florianópolis e a Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis) para 2019. Abrir concessão a terceiros para ampliar o uso da passarela ao longo do ano e transformar o Carnaval em produto turístico são algumas das alternativas na mesa de discussão.

O primeiro passo para não deixar mais uma vez o Carnaval na berlinda deve ser a antecipação do modelo de desfile que a cidade terá já no próximo mês de maio, adiantou o presidente da Liga das Escolas, Fábio Botelho. Para isso, a Liga deve contar com o apoio da Prefeitura de Florianópolis na busca por parcerias.

Outra ideia é definir também, antecipadamente, quem vai para a passarela e em quantos dias o evento será realizado. Este ano, pela segunda vez consecutiva, somente as escolas do grupo Especial desfilaram na Passarela Nego Quirido. Outras 10 agremiações, que compõem os grupos de Acesso e Acesso A, fizeram o Carnaval somente nos bairros por falta de verbas.

Este ano, a maior parte da festa foi bancada pelo município, que distribuiu R$ 300 mil para cada escola. O valor ficou próximo do mínimo para viabilizar a festa e bem diferente dos tempos de bonança, quando cada escola chegava a arrecadar mais de R$ 1 milhão para a festa. “Carnaval mais barato é a realidade de Florianópolis”, pontuou o presidente da Liga, Fábio Botelho. Este ano, no total, a festa custou R$ 1,7 milhão.

Já o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (MDB), diz que o município não tem como ampliar sua participação no Carnaval, “mas pode intermediar essa negociação em busca de recursos”.

“Queremos concessão da passarela para a Liga”, Entrevista Fábio Botelho, presidente da Liesf

Presidente da Liesf, Fábio Botelho - Divulgação/ND
Presidente da Liesf, Fábio Botelho - Divulgação/ND



ND: Qual foi a tua avaliação do Carnaval 2018 de Florianópolis e o que pode ser mantido ou mudado para o próximo ano?

Fábio Botelho: “O Carnaval aconteceu de uma maneira geral dentro do esperado. Conseguimos fazer uma boa festa mesmo com poucos recursos. Vale lembrar que em todo o Brasil foram mais de 300 festas de Carnaval canceladas. Algumas coisas serão repensadas para o próximo ano. Precisamos discutir como viabilizar, ou não, os demais grupos que não foram para a passarela”.

ND: Como ficaram as contas do Carnaval? A portaria e o que a iniciativa privada investiu foram suficientes?

FB: “A bilheteria é uma ilusão. Tivemos muitas cortesias para a prefeitura e apoiadores e no fim o que arrecadamos não chega a 15% do custo total. A participação da iniciativa privada também foi baixa, algo em torno de 5%. Se não fosse a Prefeitura não teríamos como fazer a festa. O município deu toda a infraestrutura que precisávamos”.

ND: Existem planos de a Liga usar a passarela mais vezes ao ano para arrecadar verbas?

FB: “Essa é uma das nossas ideias. Nós queremos a concessão da passarela para a Liga poder também fazer eventos e arrecadar verbas para o Carnaval e também usar as salas voltadas para a Gustavo Richard. Esse será um pedido nosso ao prefeito. Nossa ideia é já fazer a feijoada da Liga na passarela, em maio,  fazendo o lançamento do Carnaval 2019.

“Prefeitura estará junto em busca de apoio”, entrevista Gean Loureiro

Prefeito Gean Loureiro - Flávio Tin/ND
Prefeito Gean Loureiro - Flávio Tin/ND



ND: A Prefeitura distribuiu R$ 300 mil para cada escola, isso foi o mínimo possível, segundo a organização. Para o próximo ano podemos esperar aumento desse aporte ao carnaval?

Gean Loureiro: “Eu não tenho como retirar recursos do caixa do município para apoiar o Carnaval. Nossa ideia é manter o que foi repassado este ano e se disponibilizar a ir junto com a Liga atrás de parcerias. A Prefeitura está junto em busca de apoio. Com o município apoiando a captação de recursos trará mais confiança aos investidores, mas tirar do caixa da Prefeitura não tem como, vamos ter que buscar criatividade. Muita gente reclama da arena montada em parceria com a iniciativa privada, mas isso ajuda e muito a custear o Carnaval da cidade.

ND: Então o Carnaval de 2019 já está decidido?

GL: “Interromper um evento e depois tentar retomar é muito difícil. O que precisamos é fazer o lançamento do Carnaval mais cedo e vender como produto. Se não se faz o Carnaval de passarela a impressão é de que não há nenhuma outra festa na cidade, que os beach clubs não fazem sua festa e que os blocos nos bairros não sairão. Isso é ruim para o turismo nessa época do ano”.

ND: Há planos de ceder o uso da passarela do samba para a Liesf? O município já havia anunciado que poderia ocupar o prédio com secretarias, isso permanece?

GL: “Nós não podemos simplesmente ceder à Liga, isso seria ótimo, mas é preciso passar por um processo legal. Nós estamos avaliando essa possibilidade, até porque não é eficiente que o município tenha que manter a passarela, o ideal seria que ela fosse administrada por entidade privada”.

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