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Prédio desaba e mata quatro pessoas na periferia de Salvador

Seis residências vizinhas serão embargadas temporariamente para verificação das condições de segurança estrutural

Folha de S.Paulo
São Paulo (SP) e Salvador (BA)
13/03/2018 às 14H40

DHIEGO MAIA E RODRIGO MENESES

SÃO PAULO, SP, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O desabamento de um prédio de três andares, na manhã desta terça-feira (13), na periferia de Salvador, matou quatro pessoas da mesma família —entre elas, um bebê.

O prédio, que fica no bairro de Pituaçu, caiu por volta das 6h. A construção é recente, não tem alvará e foi erguida em uma área de invasão.

Segundo os bombeiros, morreram Robert Pereira, 12, o irmão Arthur, de um ano, a mãe das crianças, Rosemeire Pereira, 33, e o irmão dela, Alan Pereira, 31.

Com o resgate do corpo de Rosemeire, última a ser retirada dos escombros, as buscas às vítimas foram encerradas no início da tarde desta terça.

Havia sete pessoas no imóvel. As vítimas estavam em um quarto, que tem um porão, térreo, primeiro andar e a laje. Havia duas lajes sobre os soterrados.

Durante o resgate, não foi possível usar maquinário pesado. Marretas e equipamentos manuais abriram passagem entre os escombros para a localização das vítimas.

Outras três pessoas dormiam na laje do imóvel e conseguiram escapar do acidente. Elas sofreram ferimentos leves porque foram atingidas por pedaços de telhas.

A hipótese dos bombeiros é que o terreno possa ter se movimentado e provocado o colapso da estrutura do prédio, também devido às fortes chuvas que caíram na capital baiana nas últimas horas.

Resgate

Moradores da região auxiliaram os bombeiros e os técnicos da Defesa Civil no resgate às vítimas. Um deles foi o entregador Luciano dos Santos, 39. Ele acordou com o barulho provocado pela queda do prédio. “Não esperava que pudesse ser o desabamento da casa. Uma vizinha me chamou e eu consegui, com ajuda de outros quatro vizinhos, resgatar o casal e o bebê de um ano que dormia na laje. Cheguei a cortar o pé e levar um choque andando sobre os escombros”, lembra.

Mas a dor causada por esses ferimentos leves, afirma, não se compara com a tristeza que tomou conta de toda a comunidade. “Não esperava que isso fosse acontecer. A casa parecia forte. Nós agora estamos sentindo essa perda e pedindo a Deus para confortar todo mundo”.

“Um vizinho ouviu um barulho e viu a casa com uma rachadura. Quando ele saiu para avisar, já encontrou a casa dos meus parentes desabada”, diz a empregada doméstica Eliana de Jesus, 30.

Ela conta que o imóvel havia sido erguido há dois anos. “Aqui na favela o povo vai construindo. Ninguém solicita alvará e a prefeitura nunca apareceu para embargar nada”.

O desabamento do imóvel atingiu ainda três barracos de madeira próximos, mas nenhum morador se machucou. Nos fundos do imóvel existe outros barracos e um rio, para onde corre toda água da chuva e do esgoto —não há rede coletora do esgoto no local. Algumas casas têm fossas, e outras despejam o esgoto direto no Rio do Parque de Pituaçu.

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