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Precioso acervo de fotos da construção da ponte Hercílio Luz é digitalizado

Advogado escaneou recentemente quase 60 imagens, de várias etapas da construção – até a conclusão – que recebeu de um familiar

Carlos Damião
Florianópolis
27/07/2018 às 23H02

Quem se espanta com a complexidade das obras de recuperação da Ponte Hercílio Luz por certo deve imaginar quanto mais grandioso foi o desafio de construí-la, entre 1922 e 1926. Se hoje estão disponíveis recursos tecnológicos considerados revolucionários para auxiliar e gerenciar os trabalhos, naquele tempo – e estamos falando de quase 100 anos – os equipamentos disponíveis eram precários e dependiam de um esforço humano considerável. O que certamente não mudou nesse longo intervalo de tempo foi o caráter quase artesanal dos trabalhos. Essa talvez seja a maior semelhança entre o que é feito hoje e o que foi feito entre 92 e 96 anos atrás. O sucesso da reforma depende mais de 90% da mão de obra do que de máquinas e ferramentas. A força de trabalho construiu a ponte, a força de trabalho recupera a ponte. Hoje com mais de 300 profissionais envolvidos, de operários a engenheiros e administradores.

Panorama: obras ainda em estágio inicial. Ao fundo, mais à esquerda, o cemitério municipal, desativado após a inauguração da ponte - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND
Panorama: obras ainda em estágio inicial. Ao fundo, mais à esquerda, o cemitério municipal, desativado após a inauguração da ponte - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND


É possível mergulhar na história da construção por meio de diversos arquivos, oficiais ou particulares. O advogado Marcelo Bleggi da Silva, por exemplo, escaneou recentemente quase 60 imagens, de várias etapas da construção – até a conclusão – que recebeu de um familiar. Todas fotos originais, amareladas, mas em ótimo estado de conservação. Vários aspectos visuais da maior obra de engenharia da Capital mostram o processo de trabalho ao longo dos quatro anos consumidos pelo empreendimento, não necessariamente na ordem cronológica. Marcelo desconhece a origem do material (como chegou às mãos de seu familiar), mas guarda todas as fotos com muito zelo, por saber da importância histórica dessas imagens, grande parte pouco conhecida do público.

Recuperação é estudo de caso mundial

Entre as imagens há muitas curiosidades, como vistas panorâmicas das frentes de trabalho na Ilha e no Continente. Nos ângulos que mostram a evolução da obra na área insular aparece o cemitério municipal e, à esquerda, a chaminé do forno incinerador de lixo. Em outras fotos aparece a Ilha do Carvão e a região da Rita Maria (porto). Para o lado do Continente, muitas edificações antigas, inclusive a Hospedaria dos Imigrantes, tempos depois sede do Portal Turístico e da Guarda Municipal.

Trabalhadores, guindaste e peças no canteiro de obras continental da ponte - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND
Trabalhadores, guindaste e peças no canteiro de obras continental da ponte - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND


Numa das imagens que mostram as obras do viaduto insular aparecem cruzes do cemitério, indicando que o fotógrafo subiu numa sepultura para fazer o registro. Fotos dos canteiros da obra, tanto no Continente, quanto na Ilha, servem de exemplos da tecnologia e dos materiais utilizados na época. Algo que hoje apaixona profissionais da engenharia, como o engenheiro mecânico Carlos Bastos Abraham, vice-presidente da FNE (Federação Nacional dos Engenheiros) e vice-presidente do Senge-SC (Sindicato dos Engenheiros de Santa Catarina). Abraham costuma dizer que tanto a construção da ponte, quanto a sua recuperação, servem de estudo de caso para engenheiros de todo o mundo. “A intervenção atual é o maior desafio da engenharia em todo o Planeta”, afirma, lembrando que mantém contato com profissionais de todas as partes por meio das redes sociais para troca de informações técnicas.

Desafio grande na década de 1920 e atual

O fato é que, entre 1922 e 1926, os trabalhadores envolvidos conseguiram vencer o imenso desafio de construir a ponte e essa coleção de fotos comprova o quanto isso foi difícil. Nos últimos quatro anos, e superadas imensas dificuldades – não só financeiras, como burocráticas – os profissionais envolvidos estão conseguindo recuperar aquilo que foi tão bem feito na década de 1920. A interdição da ponte, em 1982, foi motivada pelo desgaste natural das peças. Que é outra questão sempre debatida nas reuniões técnicas e visitas ao canteiro na atualidade: a qualidade dos materiais empregados na construção. As substituições feitas visam a justamente corrigir o que se desgastou.

Foto registrada de cima de uma sepultura do cemitério municipal. Repare na cruz à esquerda - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND
Foto registrada de cima de uma sepultura do cemitério municipal. Repare na cruz à esquerda - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND

Trabalho minucioso e artesanal. Condição que se repete na atualidade, nas obras de restauração - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND
Trabalho minucioso e artesanal. Condição que se repete na atualidade, nas obras de restauração - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND

Canteiro de obras da região insular: um desafio histórico que mobilizou homens e máquinas - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND
Canteiro de obras da região insular: um desafio histórico que mobilizou homens e máquinas - Acervo Marcelo Blreggi/Divulgação/ND





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