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Pós-Carnaval, passarela Nego Quirido permanece sem utilização em Florianópolis

Prefeitura quer ocupar espaço com atividades esportivas e culturais, mas não há nada fechado ainda

Felipe Alves
Florianópolis
06/03/2018 às 19H07

Nas noites de Carnaval, a passarela do samba Nego Quirido é uma explosão de alegria, cores, samba e espetáculo. Mas é só passarem as noites de folia, que a enorme estrutura do aterro da baía sul volta a ser tomada pelo silêncio e falta de uso. Alguns projetos já foram anunciados para ocupar o espaço público mas, até hoje, nada vingou.

Na última segunda-feira, quase um mês após o fim do Carnaval, o Notícias do Dia visitou a estrutura, que havia recebido reparos em janeiro deste ano ao custo de R$ 100 mil. No local, os carros alegóricos do Carnaval deste ano permanecem lá, agora atrás das arquibancadas. Nas cabines em meio as arquibancas há vidros quebrados e até fezes e urina.

Os quatro banheiros das arquibancadas estão interditados. A piscina semiolímpica, construída nos fundos da passarela em 2009 e nunca utilizada, está vazia e cercada por estruturas metálicas enferrujadas. O prédio Nega Tide estava fechado, mas de fora é possível ver o teto do 4º andar mofado e descascando, sujeira no térreo do prédio e salas sem vidros.

Exceto o Centro POP, que oferece serviço especializado para pessoas em situação de rua em uma parte da passarela, todo o restante da estrutura segue sem utilização contínua.

De acordo com o superintendente de cultura e turismo, Vinicius de Luca, a intenção é ocupar o espaço com atividades esportivas e culturais. “Entendemos que quanto mais movimento na passarela, menos furtos e usuários de drogas haverá naquele espaço. Estamos buscando parcerias da sociedade para utilizar as dependências”, afirma ele. Segundo Luca, a secretaria recebeu propostas para utilizar o espaço, principalmente para capacitações culturais, mas até agora nenhum projeto foi escolhido.

Sobre a estrutura da passarela, o superintendente afirma que não houve qualquer problema elétrico ou hidráulico durante o Carnaval – principal alvo dos reparos. Segundo ele, há uma equipe de quatro pessoas que faz a limpeza, roçagem e pequenos reparos na Nego Quirido, e alguns consertos devem ser feitos pela própria equipe da prefeitura.

Passarela Nego Quirido está abandonada - Flávio Tin/ND
Passarela Nego Quirido está abandonada e com sinais de vandalismo - Flávio Tin/ND




Passarela para o samba

Desde que a passarela do samba Nego Quirido foi inaugurada, em 1989, o uso de sua estrutura é discutido na cidade. Homenagem a Juventino João dos Santos Machado, o Nego Quirido, sambista da cidade e um dos fundadores da Copa Lord, a passarela foi construída para ser a referência do samba na cidade.

De acordo com o presidente da Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis), Fábio Botelho, a Liga tem interesse em utilizar a passarela durante todo o ano – e não apenas em um ou dois meses antes do Carnaval. “Temos necessidade de usar parte da passarela, mas não temos como assumir custos. Se isso fosse um projeto integrado com a prefeitura, seria muito bem-vindo, poderíamos fazer eventos de todas as escolas ali, pois a Nego Quirido é terreno do samba”, afirma Fábio. Segundo Vinicius de Luca, essa é uma possibilidade de uso para a passarela, mas nada confirmado ainda.

 

Discussão sobre secretarias na passarela

Em março do ano passado, o prefeito Gean Loureiro (PMDB) anunciou que iria transferir a estrutura de algumas secretarias municipais para a passarela Nego Quirido com o objetivo de reduzir o custo dos aluguéis das pastas. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, para alocar de forma fixa as secretarias no local seria necessária uma reforma de R$ 2 milhões, o que inviabilizaria a projeção de reduzir custos. Desta forma, a prefeitura conseguiu reduzir custos com a renegociação dos contratos de aluguéis.

A prefeitura quer agora colocar todos os órgãos municipais em um único espaço. Os valores e locais estão sendo levantados, e a utilização da passarela não está descartada.

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