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Portugal lamenta perdas após incêndio em Museu Nacional e ressalta vínculo com Brasil

Coincidentemente no Brasil para uma visita oficial, o ministro da Cultura de Portugal, Luís Filipe Castro Mendes, também destacou a ligação de seu país ao museu da Quinta da Boa Vista

Folha de São Paulo
Lisboa (Portugal)
03/09/2018 às 22H04

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - O governo de Portugal destacou a importância do Museu Nacional do Rio também para o país europeu. Em nota, o governo lamentou profundamente a destruição causada pelas chamas.

Bombeiros controlaram incêndio no Museu Nacional por volta das 2h da madrugada desta segunda-feira -  Dhavid Normando/Futura Press/Folhapress
Bombeiros controlaram incêndio no Museu Nacional por volta das 2h da madrugada desta segunda-feira - Dhavid Normando/Futura Press/Folhapress

"Quando se comemoram os 200 anos da aclamação de d. João 6º, fundador do originário Museu Real, e do nascimento da rainha de Portugal d. Maria 2ª, ocorrido neste mesmo Palácio de São Cristóvão, somos dramaticamente recordados de que também nas tragédias se refletem os vínculos seculares entre os nossos dois países", diz o texto.

O governo de Portugal lamentou ainda os danos ao edifício, "também ele um marco importante da história comum luso-brasileira".

Coincidentemente no Brasil para uma visita oficial, o ministro da Cultura de Portugal, Luís Filipe Castro Mendes, também destacou a ligação de seu país ao museu da Quinta da Boa Vista.

"Estamos consternadíssimos. É um monumento muito importante para a história dos dois países", afirmou o ministro à agência Lusa. "Portugal perde sempre. Perderam-se móveis de d. João 6º, os diários da imperatriz Leopoldina. É patrimônio de origem portuguesa, mas é patrimônio cultural do Brasil."

Então Museu Real, a instituição foi fundada em 1818 por decreto de d. João 6º, então soberano do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, justamente para promover a história e o patrimônio naturais.

O incêndio dominou o noticiário em Portugal nesta segunda (3). Os detalhes da destruição e as imagens das labaredas foram manchete na maior parte dos jornais ao longo do dia. O assunto também figura entre os mais comentados no Twitter e em outras redes sociais no país.

A imprensa portuguesa tem dado especial destaque à falta de verbas de manutenção do espaço, que apresentava vazamentos, infiltrações e infestações de insetos. A troca de acusações entre a direção do museu, o governo federal e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também estão sob os holofotes.

A falta de água nos hidrantes das imediações do museu e a demora de cerca de uma hora para a chegada de caminhões-pipa foi outro ponto de crítica dos portugueses. Nesta manhã, a RTP, emissora pública do país, chegou a afirmar que o ministro português tinha uma visita marcada ao Museu Nacional.

Trata-se, no entanto, de outro espaço também no Rio, o Museu Histórico Nacional, onde o ministro português assinou, com seu homólogo brasileiro, Sérgio Sá Leitão, um memorando para cooperação em comemorações relacionadas à transferência da família real para o Brasil.

O governo de Portugal emprestou obras de museus portugueses para a exposição "O Retrato do Rei d. João 6º", que entra em cartaz no museu histórico em outubro. O empréstimo das obras envolveu uma negociação delicada entre as autoridades dos dois países.

Nas redes sociais, muitos portugueses lamentaram a perda de mais de 200 anos de história, mas lembraram que a falta de verbas para manutenção de museus também é uma realidade em Portugal. Em 2017, o diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, relatou que precisava fechar salas inteiras de exposições devido à falta de pessoal de segurança.

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