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Por que os motoristas que atropelam e matam fogem do local do acidente?

Para a polícia, eles não querem ser responsabilizados pela culpa ou estão sem habilitação e dirigindo sob efeito de álcool. A fuga também pode estar ligada ao medo de agressões

Colombo de Souza
Florianópolis
02/07/2018 às 22H27

Em dois acidentes de trânsito com mortes registrados em intervalo de menos de cinco horas em Florianópolis, na noite de domingo (1º) e madrugada de ontem, os motoristas fugiram dos locais e ainda não foram identificados. O primeiro ocorreu no Km 1,5 da BR-282 (Via Expressa), no qual Fernando Machado Namem, 55 anos, foi atropelado e morto por volta das 21h50 por um Hyundai HB20 com placas de Florianópolis. O carro, que capotou e foi retirado do local por um guincho, está registrado em nome de Carlos Eduardo Barbosa dos Santos.

Na SC-401, Norte da Ilha, um Ford Fiesta atingiu a traseira de uma moto, que foi jogada contra o muro - Rodrigo Cardozo/RICTV/ND
Na SC-401, Norte da Ilha, um Ford Fiesta atingiu a traseira de uma moto, que foi jogada contra o muro - Rodrigo Cardozo/RICTV/ND


No segundo acidente, ontem, por volta das 4h15, o condutor de um Ford Fiesta com placas de Florianópolis atingiu a traseira de uma moto no Km 4,6 da SC-401, no Norte da Ilha. Com o impacto, a moto foi projetada para um muro com alambrado, onde ficou presa. O motociclista foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas morreu em função de uma hemorragia interna. Até ontem à noite, a vítima não tinha sido identificada. O motorista abondonou o carro no local e fugiu.

O psicólogo e policial Antônio Carlos José Brito diz que o correto é prestar socorro se a vítima estiver com vida. Em caso de morte, o motorista deve aguardar a chegada de uma autoridade policial ou telefonar para a polícia. Para Brito, alguns condutores fogem por diversas circunstâncias, como local ermo ou perigoso, horário impróprio, ansiedade e medo de ser agredido por testemunhas. “Se ele é uma pessoa impulsiva, apresenta um comportamento de fuga”, afirma.

Para o advogado Marcelo Melo, muitos motoristas que atropelam e fogem se comportam assim para não serem responsabilizados pela culpa. Já o sargento da PMRv (Polícia Rodoviária Militar), Marcos Antônio Melo, diz que muitos casos de ausência do condutor no local do acidente ocorrem por represália à infração de trânsito (não estar habilitado) e crime de trânsito (embriaguez ao volante). As informações levantadas no local pela PMRv, como placas e cor do carro e a possível dinâmica da colisão são encaminhadas à Polícia Civil, que começa as investigações para tentar localizar o responsável pela colisão.

Na Via Expressa, veículo capotou - Pista Limpa/Divulgação/ND
Na Via Expressa, veículo capotou - Pista Limpa/Divulgação/ND


Atropelamento na saída da balada

Atropelamentos não são comuns, mas conforme o patrulheiro Carlos Passamai, da PRF (Polícia Rodoviária Federal), geralmente o motorista foge porque estava embriagado ou dirigia sem habilitação. As circunstâncias levantadas por Passamai cabem no caso do triplo atropelamento na SC-402, em Jurerê, em agosto do ano passado, com uma morte e dois feridos.

Os amigos Sérgio Teixeira da Luz, Rafael Machado Cruz e Édson Mendonça de Oliveira saíam de uma casa noturna e caminhavam em direção ao ponto de ônibus quando foram atropelados pelo Audi A3 dirigido por Sérgio Orlandini Sirotsky, 22 anos. Sérgio da Luz morreu cinco dias após o atropelamento, no hospital. Rafael e Édson se recuperaram dos ferimentos. 

O motorista do Audi fugiu e abandonou o carro a cerca de dez quilômetros do local, na SC-401. Quando foi interrogado pela polícia, Sérgio Sirotsky admitiu que havia ingerido bebida alcoólica. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso e lesão corporal. No dia 27 de julho, será interrogado em audiência de instrução e julgamento na Vara do Tribunal do Júri, em Florianópolis, com outras 15 testemunhas. Ainda não foi agendada a data do júri popular.

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