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Por causa da estiagem, produtores de Santa Catarina contabilizam R$ 22 mi em prejuízos

A queda na produção de leite no Oeste do Estado pode chegar a 15%

Redação ND
Florianópolis
01/08/2017 às 22H45
O agronegócio de Santa Catarina sente os impactos da falta de chuva. Os principais prejuízos são observados nas pastagens, que influenciam a produção de leite e carne. A alta temperatura e a falta de chuva vêm comprometendo a produção de leite, que vinha numa crescente no Estado. Os produtores já contabilizam prejuízos de R$ 22 milhões.
Em 2017, a produção catarinense leite vinha superando os números de 2016. Os levantamentos da Epagri/Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola) apontam que, no primeiro semestre deste ano, as indústrias estaduais inspecionadas captaram cerca de 8% a mais de leite do que no mesmo período de 2016. 
Esse crescimento está sendo prejudicado pela falta de chuvas e alta temperatura de junho/julho em Santa Catarina, que provocam falta de umidade no solo e refletem na quantidade e qualidade das pastagens disponíveis para os animais. Para alimentar os bovinos, os produtores estão recorrendo à silagem, feno, "pré-secado" ou rações, nem sempre disponíveis nas quantidades necessárias e com impacto direto nos custos da produção. 
Como Santa Catarina tem uma diversidade de sistemas de produção de leite, as estimativas de perdas com a estiagem variam entre as regiões. Mas os relatório do Epagri/Cepa já apontam para uma queda na produção estadual de 8%, isso significa que as indústrias inspecionadas deixaram de captar cerca de 18 milhões de litros de leite.
As estiagens não são raras em Santa Catarina e o agronegócio deve estar preparado para enfrentar esses períodos de seca. A Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca apoia projetos envolvendo captação, armazenagem e uso de água da chuva. Desde 2015, os Programas da Secretaria possibilitam investimentos que superam os R$ 27,9 milhões para a construção de cisternas, poços artesianos e sistemas de irrigação. 
“A água é fundamental para a agricultura e pecuária, nós temos meses com excesso de chuvas e essa água não pode ser desperdiçada. A captação e a armazenagem da água da chuva são indispensáveis para termos uma agricultura familiar sustentável”, ressalta o secretário da Agricultura Moacir Sopelsa. 
São três Programas da Agricultura voltados para esses projetos: o Programa Irrigar, o Programa De Fomento À Produção Agropecuária e o Programa Água para o Campo. Sem contar os investimentos feitos através do Programa Juro Zero Agricultura/Piscicultura. 

Impactos na produção de leite

Os maiores impactos da estiagem são na pecuária de leite. Segundo o técnico da Epagri da região, Gilberto Luiz Curti, a queda na produção de leite pode chegar a 15%. O mau desenvolvimento das pastagens já causa prejuízos também para a bovinocultura de corte, com uma estimativa de perdas em torno de 5% na região. 
Impactos menores são observados nas lavouras de trigo e na fruticultura. Devido ao calor fora de época, muitas cultivares de pêssego já iniciaram a floração e as perdas na produção são estimadas em 3%. 

Plantações de cebola dependem da irrigação

As plantações de cebola já estão com 65% das áreas plantadas e ainda não houve relatos de perdas em função da estiagem.  Devido, principalmente, ao uso de irrigação. O técnico da Epagri da região de Ituporanga, Saturnino dos Santos, explica que, para os produtores com sistema de irrigação a campo, a situação é de estabilidade e de excelente desenvolvimento inicial das culturas. “Esta condição favorável está presente em mais de 95% dos produtores das regiões de Joaçaba e Ituporanga e em aproximadamente 30% das propriedades de Alfredo Wagner, regiões representativas da produção de cebola e alho em Santa Catarina”.

Trigo deve ser afetado no planalto serrano

Na região de Lages a principal preocupação também é com as pastagens. A falta de chuvas atrasou o plantio das lavouras de aveia e aquelas que foram plantadas logo após as intensas chuvas registradas no início de junho se encontram com crescimento prejudicado. De acordo com o técnico da Epagri da região, João Zanatta, quando as chuvas se regularizarem, a aveia retoma o desenvolvimento vegetativo até a floração e final de ciclo. As perdas na produção de leite são calculadas em torno de 20%. A produção de trigo na região também deve ser afetada, com expectativa de redução na área plantada. 

Produção até 25% menor na região de Canoinhas

A região passa por período prolongado de estiagem e com ocorrências constantes de geadas, o que pode trazer alguns prejuízos na produção de leite e de trigo. Os técnicos da Epagri e produtores já têm observado uma queda na quantidade produzida de leite, principalmente nas propriedades onde as áreas de pastagens são menores e não há silagem. Nesses casos a produção pode ser até 25% menor. Nas propriedades com rodízio de pastoreio nas pastagens e naquelas que dispõe de silagem, a queda na produção é menor e gira em torno de 10%. 
Segundo informações do técnico da Epagri na região, Getúlio Tonet, a perda diária na produção de leite gira em torno de 10%. “A situação pode se agravar com a permanência da estiagem ou voltar à produção normal com a ocorrência de chuvas”.  
Para as áreas de trigo na região de Canoinhas a preocupação maior é com as aplicações de fertilizantes de correção ou complementação do solo, que necessitam de umidade para a efetivação dessa prática. “Esse período será determinante para as áreas. O crescimento é muito rápido e com alta demanda diária de nutrientes do solo. É um período de crescimento crítico, pois é quando ocorre a formação de folhas, raízes profundas, inflorescências férteis e reservas nos colmos em desenvolvimento vegetativo”, explica Tonet. 
De todo o trigo plantado na região, 10% está em início de desenvolvimento, 20% em início de perfilhamento e 70% está em plena fase de desenvolvimento vegetativo. 
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