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Ponto Chic: memórias da cafeteria e seus novos “senadores” em Florianópolis

Homenagens fazem parte das comemorações dos 30 anos da Fundação Franklin Cascaes

Fábio Bispo
Florianópolis
27/07/2017 às 22H34

Nascido em 1934 nas imediações da rua Bocaiúva e hoje professor aposentado do curso de odontologia da UFSC, Jorge Seara Polidoro ainda lembra do tempo em que conseguia ver o mar da esquina da Felipe Schmidt com a Trajano, onde durante anos encostava praticamente todos os dias para um cafezinho. Nas rodas de conversa, longas discussões desde o futebol até a política eram travadas de forma séria, mas num ambiente descontraído. Nesta quinta-feira (27), Polidoro foi definitivamente empossado como “senador” do Ponto Chic, lendário local de encontro que reúne gerações no Centro da Capital desde 1948, ao lado de outros 12 homenageados.

Jorge Seara Polidoro e Luiz Carlos Cont estão entre os homenageados - Marco Santiago/ND
Jorge Seara Polidoro e Luiz Carlos Cont estão entre os homenageados - Marco Santiago/ND


Desde quando abriu as portas, o Ponto Chic era diferente. Conseguia reunir avaianos e alvinegros, udenistas e pessedistas, influentes e anônimos no mesmo balcão. “O comércio fechava e o Senadinho continuava aberto. Era um lugar de encontros, de pessoas importantes na cidade, e de todo o público que queria parar para bater um papo”, lembra Luiz Carlos Conti, também homenageado.

Entre os episódios marcantes, praticamente todos citam a emblemática passagem do ex-presidente João Baptista Figueiredo, em meio a manifestações contrárias ao regime militar. “Foi aqui que começou toda a confusão. Alguns colegas mais enérgicos começaram a contrapor ele. Aí a manifestação daqui continuou lá na frente do palácio do governo”, diz Conti.

O episódio ficou conhecido como Novembrada (30 de novembro de 1979), e até hoje é contado nos livros de histórias da cidade. Nos dias de menos furor político na Capital, o lugar, no mínimo, servia para marcar o encontro do fim de semana. E o Senadinho era o principal ponto, mas que no contexto da Florianópolis de outro tempo, não passa pela memória dos mais antigos sem que sejam citados também a Confeitaria do Chiquinho, no prédio da frente, e o hotel Lux, construído na década de 1940.

Protetor e protegido

Mas foi só em 1979 que o Ponto Chic passou a ser chamado de Senadinho, quando foi criada a confraria Senatus Populusque Florianopolitanus. Segundo narra a história oral, tudo começou com a brincadeira de chamar o funcionário público Alcides Hermógenes Ferreira, frequentador cativo, de senador, por causa da roupa elegante e sempre bem alinhada.

Os criciumenses Antônio Silvestre Spillere, 80 anos, e Waldemar Serafin, 77, conheceram Florianópolis, primeiro, pelos relatos no balcão do Senadinho. “Eu estudava na faculdade de medicina, que ficava aqui na esquina, então passava todo dia para saber o que estava acontecendo na cidade”, lembra Waldemar.

No ano de 2005, o local foi ameaçado de ser fechado. Sem viabilidade econômica, os proprietários pretendiam dar outro destino ao ponto comercial. No entanto, uma mobilização encabeçada pelo então procurador do município Norton Makowiecky conseguiu manter o café, preservando assim a história de um dos lugares mais influentes e importantes da cidade.

Criciumenses Waldemar Serafin e Antônio Silvestre Spillere conheceram Florianópolis pelos relatos no balcão do Senadinho - Marco Santiago/ND
Criciumenses Waldemar Serafin e Antônio Silvestre Spillere conheceram Florianópolis pelos relatos no balcão do Senadinho - Marco Santiago/ND



HOMENAGEADOS

André Calibrina

Carlos Rogério Poli

Antônio Silvestre Spillere

Jorge Seara Polidoro

José Carlos Pacheco

Luiz Carlos Conti

Norton Makowiecky

Roberto da Luz Costa

Sérgio Bellzupko

Valci de Paula Moreira

Valdir Mendes

Waldemar Serafin

Fundação Franklin Cascaes

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