Publicidade
Domingo, 18 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

Governo espera abrir ponte Hercílio Luz ao tráfego em abril de 2018

Governador, secretários estaduais e prefeito de Florianópolis participaram nesta segunda-feira da apresentação oficial da proposta da Empa para a reforma

Redação ND
Florianópolis

Atualizada às 20h21.


A empresa portuguesa Empa, responsável pela estabilização do vão central da ponte Hercílio Luz, deve ser a escolhida para a etapa final das obras de resaturação do cartão-postal. Os portugueses apresentaram proposta no valor de até R$ 261 milhões, mesma quantia que o governo estadual afirma dispor para concluir a obra. Antes de assinar o contrato, o governo consultará o TJ/SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), MP/SC (Ministério Público de Santa Catarina), TCE (Tribunal de Contas do Estado) e Alesc (Assembleia Legislativa) para obter resposta dos órgãos de controle para o contrato que prevê contratação direta, sem licitação.

:: Mais de R$ 500 milhões foram investidos na ponte nos últimos 33 anos

Bruno Ropelato/Arquivo/ND
A fase final está orçada em R$ 261 milhões


Após assinatura, prevista para ocorrer até 8 de fevereiro de 2016, o prazo previsto para a execução das obras é de 27 meses, o que permitiria reinaugurar a ponte no primeiro semestre de 2018. “Trabalhamos com a entrega para abril de 2018, ou quem sabe março de 2018”, disse o governador Raimundo Colombo, sem esconder o desejo de ele próprio entregar a ponte novamente à sociedade catarinense.

Nesta segunda-feira (14), durante entrevista coletiva para apresentar a proposta da Empa, Colombo fez questão de ressaltar que foram os americanos da American Bridge, outra empresa cotada para concluir a restauração da ponte, que indicaram a Empa para o serviço.

“Nosso trabalho agora é apresentar à sociedade e aos demais poderes a proposta que temos para contratar o Grupo Teixeira Duarte sem licitação. A escolha dessa empresa é uma escolha técnica, bem fundamentada. E buscamos transparência também consultando os órgãos de controle”, destacou Colombo.

O secretário da Casa Civil, Nelson Serpa, explicou que o governo trabalha a proposta de contratação direta, simultaneamente, por dispensa de licitação e por inexigibilidade de licitação, garantindo maior segurança jurídica ao processo.

Para dispensa de licitação, pontuou Serpa, a obra atende requisitos como restauração de objeto histórico e autenticidade certificada. E para inexigibilidade de licitação, justifica-se diante da inviabilidade de competição, da natureza singular do serviço e da especialização da empresa contratada.


Investimento na obra virá de financiamentos junto ao BNDES e Banco do Brasil

O investimento das obras será todo do governo estadual por meio de financiamentos junto ao BNDES e ao Banco do Brasil. Junto ao BNDES, o governo já dispõe de cerca de R$ 30 milhões em caixa e cerca de R$ 100 milhões alocados para a empreitada.

Outros R$ 6 milhões oriundos da Lei Rouanet também estão na conta do Estado. O restante viria de financiamento do Banco do Brasil, através do remanejamento de um contrato já efetivado com o banco.

“Nós temos um valor financiado em dólar, e o dólar nos ajudou, porque sobrou dinheiro em outra obra e nós fizemos um remanejamento interno, sem prejudicar outras obras”, afirmou Colombo.

Apesar de trabalhar com o custo referenciado de R$ 261 milhões, o governo entende que a obra pode custar em torno de R$ 250 milhões.

Um dos incentivos que deve diminuir o preço da obra virá do prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Junior, que prometeu encaminhar à Câmara de Vereadores da Capital, no início de 2016, projeto de lei pleiteando a isenção de ISS (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza) na etapa final de restauração da ponte.

“É uma obra fundamental para a mobilidade da cidade, e creio que seja possível diminuir o valor do trabalho em R$ 9 milhões com isenção de ISS”, disse Cesar.


Ideia é reduzir em 22% o tráfego na Pedro Ivo e na Colombo Salles

Segundo o governador Raimundo Colombo, com a restauração da ponte Hercílio Luz e sua consequente abertura para o tráfego de veículos, o Estado planeja tirar das pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Salles, bem como da Via Expressa, 22% do atual tráfego de veículos que circula diariamente por essas pistas.

O superintendente de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis, Cassio Taniguchi, afirmou que a prioridade do governo é reabrir a ponte Hercílio Luz para uso preferencial do transporte público, bem como para ciclovias e pedestres.

O prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Júnior, que também participou do encontro, lembrou que além de resgate de um patrimônio catarinense, a reabertura da ponte Hercílio Luz representará um importante ganho para a mobilidade urbana da região.

Ele afirmou que a meta da prefeitura é de que as obras de adequação das cabeceiras para o trânsito na Ilha e no Continente ocorram em paralelo às obras da ponte.

A proposta inicial, ainda em estudo junto à prefeitura, é de que a ponte receba apenas o trânsito no sentido Continente/Ilha no primeiro horário da manhã, funcione nos dois sentidos durante o dia, receba apenas o trânsito Ilha/Continente no final da tarde e volte a funcionar nos dois sentidos durante a noite.

Empresa portuguesa deve atuar em duas frentes

O Grupo Teixeira Duarte é o mesmo que, neste ano, por meio de sua empresa Empa, concluiu os trabalhos nas torres de sustentação e está realizando a construção das treliças, dentro da fase de construção da chamada ponte segura, estrutura que vai garantir a sustentação do vão central durante o trabalho de restauração.

Essa etapa é fundamental para a estabilidade da ponte e permitirá a substituição das barras de olhal e das peças definitivas. Ela está prevista para ser concluída até abril de 2016.

No entanto, devido à complexidade do serviço, cujas estruturas de sustentação hoje abaixo do monumento terão que ser desmontadas após a ponte estar estabilizada, o governo trabalha com a possibilidade de a Empa fazer em paralelo a conclusão da estabilização do vão central e o início da restauração propriamente dita, o que pode ocorrer entre junho e julho de 2016.

 

Rogério Moreira Jr/Arte ND

 

LINHA DO TEMPO
Da construção à restauração

1922 – Construção começa em 14 de novembro.
1924 – Morre o governador Hercílio Pedro da Luz em 20 de outubro, 12 dias depois de inaugurar simbolicamente uma réplica de madeira da ponte na praça 15 de Novembro.
1926 – A ponte é inaugurada no dia 13 de maio.
1967 – Desaba a ponte Silver Bridge de Point Pleasent, nos EUA, semelhante a Hercílio Luz; fato traz alerta aos catarinenses.
1982 - É descoberta uma trinca com cinco centímetros de abertura em um dos olhais das barras; travessia é interditada no dia 22 de janeiro. 
1988 – Em 15 de março, a ponte é reaberta somente ao tráfego de pedestres, bicicletas, motos e veículos de tração animal.
1991 – No dia 4 de julho, a ponte é fechada por completo e o piso asfáltico do vão central é retirado para aliviar o peso de 400 toneladas.
1995 - Uma vistoria do DER-SC (Departamento de Estradas de Rodagem) conclui que as barras de olhais “apresentam grau de instabilidade e possibilidade de causar queda abrupta da ponte”.
1997- Em 13 de maio, o governador Paulo Afonso Vieira homologa o tombamento da ponte como patrimônio histórico estadual.
1998 – A ponte é tombada como patrimônio histórico nacional.
2004 – O governador Luiz Henrique da Silveira contrata engenheiros para desenvolver o projeto de recuperação.
2005 – No dia 15 de dezembro, Deinfra abre edital de concorrência internacional, no qual o consórcio formado pelas empresas Roca e TEC foi vencedor.
2006 – Em 17 de fevereiro começa a execução do contrato com o consórcio, no valor de R$ 20,9 milhões. O prazo para entrega das obras é definido para 2010.
2008 – Construtora Espaço Aberto assume as obras.
2009 – É pedido extensão de dois anos do prazo para a entrega da ponte.
2011 – Estaqueamento é paralisado pela morte de um mergulhador.
2012 – Previsão de conclusão da restauração em maio é frustrada e a entrega da obra é adiada por mais dois anos.
2013 – Início da fase mais crítica da restauração. Uma treliça de 22 toneladas, que suspenderá o vão central, começa a ser montada. Previsão da conclusão da obra é para dezembro de 2014.
2014 – Em junho, muda o prazo de entrega da ponte. No dia 19 de agosto, o contrato entre governo e a construtora é rescindido.
Fevereiro/2015 – A Empa Serviços de Engenharia é contratada com dispensa de licitação para a reforma emergencial das estruturas de sustentação, orçada em R$ 10,2 milhões. Governador viaja aos EUA para convidar a American Bridge para restaurar a ponte.
Abril – Técnicos da American Bridge vistoriam a ponte e pedem 60 dias para entregar o projeto. No dia 19, é assinada a ordem de serviço da Empa para o reinício das obras emergenciais. Prazo de entrega é de 180 dias.
Maio e junho – Técnicos da American Bridge fazem mais duas vistorias. Resposta final deve sair em agosto.
Julho – As obras da Empa seguem dentro do cronograma e o avanço dos pilares demonstra que os trabalhos foram intensificados nos últimos dias.
Setembro – Proposta da American Bridge esbarra na alta do dólar.
Outubro – American Bridge desiste oficialmente de assumir a restauração. Associação Catarinense de Engenheiros pede transparência em obras da ponte.
Dezembro - As obras da chamada ponte segura, estrutura que garantirá a sustentação da ponte Hercílio Luz durante o trabalho de restauração, avançam mais uma fase. A Empa dá início à colocação das treliças da estrutura inferior que fará a ligação entre os quatro apoios e as torres principais da ponte.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade