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Policiais fazem vaquinha de R$ 75 mil para pagar defesa de PMs do Bope presos

Trio foi preso na semana passada por suspeita de forjarem provas em ocorrência que terminou com a morte por engano de um açougueiro em Balneário Piçarras

Schirlei Alves
Florianópolis
18/08/2018 às 11H41
Às 18h30, página do site Vakinha havia arrecadado R$ 3.970 para a campanha - Reprodução/ND
Às 18h30, página do site Vakinha havia arrecadado R$ 3.970 para a campanha - Reprodução/ND

Policiais militares estão fazendo um vaquinha online para arrecadar fundos com o intuito de pagar os honorários da defesa dos três PMs do Bope (Batalhão de Operações Especiais) que foram presos no dia 9 de agostopor suspeita de terem forjado provas em ocorrência que culminou com a morte de um inocente em Balneário Piçarras, em novembro do ano passado. 

A vaquinha pede apoio ao major Rafael Vicente, ao tenente Pedro Paulo Romandini Brito e ao soldado Lucas Fernandes dos Reis Silva. O objetivo da campanha é arrecadar R$ 75 mil. Até as 18h desta sexta-feira (17), 42 pessoas (na maioria policiais) haviam depositado R$ 3.200 na conta divulgada na página. 

A conta no site Vakinha havia sido aberta no nome de um policial que responde a processo na Justiça por homicídio duplamente qualificado e forjamento processual. A vítima desse caso é Lucas Luiz Martines Almeida. Segundo uma decisão do processo assinada em janeiro deste ano pelo juiz Marcelo Volpato de Souza, o PM e seu parceiro teriam "arrombado a porta de entrada da residência do ofendido Lucas" e "efetuado contra ele quatro disparos de arma de fogo". O fato ocorreu no Morro do Horácio em setembro de 2016, após um policial ter sido morto em operação contra o tráfico. 

Vaquinha online, registrada no nome de Raphael Lopes Vianna Ramos, havia arrecadado R$ 2.800 às 13h59 desta sexta-feira - Reprodução/ND
Vaquinha online, registrada às 13h59 de sexta-feira, havia arrecadado R$ 2.800 - Reprodução/ND

A reportagem buscou contato com o policial mas só encontrou o advogado Victor Malheiros que atua em sua defesa no processo. Logo após o ND conversar com o defensor, o nome do responsável pela conta da vakinha foi alterado por duas vezes. O advogado disse que "o processo está em trâmite na Justiça e que não havia necessidade de citar o caso (do Morro do Horácio)". Malheiros confirmou, no entanto, que o PM continua trabalhando em atividades na corporação, mas que estaria em funções administrativas.

Sobre o valor solicitado na campanha, o advogado não confirmou qual seria o custo dos honorários, uma vez que depende do andamento do processo.

O comandante da Polícia Militar de Santa Catarina, coronel Araújo Gomes,  disse que os policiais "estão usando um meio legal para financiar a atividade da defesa" e que a iniciativa "não tem nenhuma ligação com a Polícia Militar". 

Entenda o caso dos policiais do Bope presos na semana passada 

Os policiais Rafael Vicente, Pedro Paulo Romandini Brito e Lucas Fernandes dos Reis Silva foram presos no final da tarde da última quinta-feira (09) por suspeita de forjarem provas em ocorrência que acabou com a morte do açougueiro José Manoel Pereira, 44 anos, em novembro do ano passado. A vítima, que era passageira de um Siena Preto, foi baleado na nuca. O carro, que teria sido confundido com veículo de assaltantes de banco, foi alvejado pelos policiais em uma das avenidas principais da cidade.

A prisão foi decretada pelo juiz Marcelo Pons Meirelles, da Vara de Direito Militar. Na decisão, o juiz relatou que os policiais ao suspeitaram da conduta dos ocupantes do veículo deveriam ter dado ordem de parada ao invés de “efetuar, mesmo sem qualquer ataque, resistência ou risco às suas integridades físicas, disparos de arma de fogo contra o veículo”.

"Os elementos colhidos até o momento apontam que os acusados participaram de operação policial deflagrada pelo Gaeco de Joinville em Balneário Piçarras, que poderia ter sido bem sucedida, não fosse a sucessão de erros administrativos e criminais praticados pelos acusados após a morte de José Manoel Pereira", ressaltou o magistrado.

A investigação do homicídio está sendo tocada pela vara da comarca de Piçarras. O processo em questão, que corre na Vara Militar da Capital, apura o forjamento de provas. Conforme consta na decisão, os acusados teriam omitido informações na confecção de boletim de ocorrência, "não fazendo constar os disparos de arma de fogo efetuados contra o veículo do açougueiro" e o fato de a guarnição ter baleado o passageiro do Siena. Além disso, os PMs teriam suprimido gravações do sistema eletrônico de vigilância de um estabelecimento da região.

Segundo uma testemunha que é comerciante da região, os policiais foram ao estabelecimento dele sem farda, identificaram-se como integrantes do Bope e levaram o DVD do sistema de monitoramento eletrônico. Dias depois, devolveram a mídia formatada sem “resquício de qualquer informação que poderia constar" sobre os disparos contra o veículo.

>> TJ nega pedido de liminar e mantém prisão de policiais do Bope

Contrapontos

O comandante da Polícia Militar, coronel Araújo Gomes, disse no dia 9 de agosto que a prisão foi cumprida tão logo a corporação foi comunicada da decisão judicial. Ele não comentou sobre os crimes pelos quais os policiais são investigados. "Não temos como nos manifestar sobre os fundamentos da medida nem sobre o mérito do processo, pois estão na esfera do judiciário", concluiu o comandante.

Em nota, a Napoleão Advocacia Militar afirmou que a atuação dos policiais na ocorrência que culminou com a morte do açougueiro foi "devidamente amparada na técnica policial operacional e sem nenhum traço de ilegalidade". Os advogados descreveram ainda que "a verdade dos fatos será provada e prevalecerá". Assim como foi declarado no pedido de liminar, a defesa afirmou que discorda da decisão que determinou a prisão dos policiais.

O advogado Victor Malheiros, que também atua na defesa dos três policiais do Bope, disse que o processo está em trâmite, que entrou com pedido de habeas corpus solicitando a soltura deles e que há parecer favorável do Ministério Público. 

  

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