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Polícia Militar Rodoviária reclama da falta de efetivo para fiscalizar a SC-401

Neste ano, sete pessoas morreram na rodovia; trecho mais perigoso fica entre o Primavera Garden e o cemitério Jardim da Paz, sentido bairro/Centro

Colombo de Souza
Florianópolis
14/08/2017 às 21H43

Com apenas quatro policiais para fiscalizar o trânsito nas rodovias estaduais do Norte da Ilha (SCs 401, 402 e 403), a PMRv (Polícia Militar Rodoviária) fica impossibilitada de realizar um policiamento ostensivo e preventivo, principalmente nas saídas de baladas, nos fins de semana. De acordo com o chefe de operações da PMRv, tenente-coronel Mauro Resende, 42 anos, a rodovia que registra o maior número de mortes é a SC-401. Este ano, sete pessoas morreram em colisões e atropelamentos.

Chefe de operações da PMRv, tenente-coronel Mauro Resende - Marco Santiago/ ND
Chefe de operações da PMRv, tenente-coronel Mauro Resende - Marco Santiago/ ND


Resende afirma que o trecho problemático, no sentido bairro/Centro, é entre os quilômetros 15 e 17 – entre o Primavera Garden Center e o cemitério Jardim da Paz. No domingo, mais um acidente com duas mortes ocorreu neste trecho da SC-401. Foi no km 15,6. O Citroën C4 Pallas dirigido por Guilherme Pereira Alves, 21, colidiu na traseira do Citröen C3, guiado por Juan Pablo de Lima Costa Salazar. Após a colisão, o C4 ainda atropelou Kely da Silveira, 18, que fraturou uma perna, bateu contra um posto e pegou fogo. Alves e o passageiro do C4, George Pereira de Albuquerque Filho, 23, morreram na hora.

Ao ND, Salazar contou nesta segunda-feira que se recupera do susto do acidente e que considera o fato chocante. Ele disse ainda que pratica esportes, e que na manhã do acidente estava indo treinar corrida em trilhas. O motorista do C3 informou que está aguardando ser chamado pelo delegado para contar o fato em detalhes.

Ainda de acordo com Resende, a maioria das colisões fatais ocorreu de madrugada. Apenas duas aconteceram às 18h40 e 20h50. “Durante o dia, na SC-401, ocorre uma média de 16 colisões, com danos materiais, deixando o trânsito engarrafado. Por isso priorizamos a fiscalização neste período”, afirmou.

O tenente-coronel ressaltou que o sonho dele é fazer blitz da Lei Seca todas as noites. “Mas além da falta de efetivo, a polícia também não pode gerar hora extra”, disse.

Apesar das dificuldades, Resende afirmou às vezes são realizadas blitze noturnas. Porém, não surte muito efeito, porque os aplicativos denunciam os locais com fiscalização. “A gente pega um ou dois motoristas com sintomas de embriaguez, mas depois não passa mais ninguém irregular”, contou.

Tempo perdido na Central e no IGP

Outro problema denunciado pelo chefe de operações da PMRv, Mauro Resende, é o tempo perdido na Central de Plantão Policial e no IGP (Instituto Geral de Perícias) para dar sequência às ocorrências. “Muitas vezes o delegado de plantão não está e a guarnição tem que aguardar algumas horas, deixando de fazer outros atendimentos. E quando o delegado chega e autoriza levar o preso para ser submetido a exame de alcoolemia no IGP, dificilmente o legista está no plantão”, informou. Resende disse que a guarnição perde mais de quatro horas, e quando o suspeito é examinado pelo médico, ele já não está mais com sintomas de embriaguez.

O diretor do IGP, Miguel Acir Colzane, ficou surpreso e afirmou que existe escala de plantão com o serviço médico legista funcionando 24 horas por dia durante os 365 dias do ano. A reportagem tentou falar com o diretor de Polícia da Grande Florianópolis, delegado Verdi Furlanetto, mas ele não atendeu as ligações.

Acidente foi registrado por volta das 5h30 da manhã, na SC-401, em Florianópolis - Jacir Luiz Grolli/Divulgação/ND
Acidente foi registrado por volta das 5h30 da manhã, na SC-401, em Florianópolis - Jacir Luiz Grolli/Divulgação/ND


Investigação

As circunstâncias do acidente de domingo na SC-401, no qual pessoas morreram, serão apuradas pelo delegado da 5ª DP, Alfredo Ballstaedt. O policial aguarda o laudo da PMRv para começar a ouvir as testemunhas.

Ele afirmou que pretende ouvir o sargento que atendeu a ocorrência e o motorista do C3 atingido pelo carro que bateu no poste. Alfredo também aguarda a recuperação de Kely da Silveira, que fraturou a perna quando foi atropelada pelo segundo veículo.

Quase que simultâneo a esse acidente, a cerca de 160 metros antes da colisão, a motorista de uma Mercedes-Benz provocou um engavetamento de cinco veículos e fugiu do local. No carro havia bebida alcoólica e energético. Como apenas causou danos materiais, o delegado já adiantou que vai submetê-la a termo circunstanciado. A polícia ainda não divulgou o nome da motorista.

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