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Polícia reforça ações estratégicas em Florianópolis após registrar 5 homicídios em 9 horas

O número de mortes violentas na Capital pode aumentar, pois há seis ocorrências de pessoas desaparecidas registradas na DPPD que estão relacionadas à guerra das facções criminosas

Colombo de Souza
Florianópolis
22/11/2017 às 20H44

A cúpula da Segurança Pública reforçou o policiamento ostensivo em Florianópolis após o registro de cinco assassinatos nas últimas nove horas, e definiu planos estratégicos durante a tarde desta quarta-feira (22). No entanto, o número de mortes violentas na Capital pode aumentar, pois há seis ocorrências de pessoas desaparecidas registradas na DPPD (Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas) que estão relacionadas à guerra das facções criminosas. De acordo com uma agente da DPPD, as vítimas têm entre 16 a 40 anos. “Elas estão enterradas em algum local da cidade”, contou. Desde as 20h20 de terça-feira às 4h40 de ontem, ocorreram cinco homicídios na Capital, o que elevou o número de mortes violentas este ano para 154, conforme os números da SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública). Em todo o ano passado, ocorreram 91 casos de mortes violentas na cidade.

Para a Polícia Civil, mais de 80% das 154 mortes violentas são motivadas pelo tráfico de drogas. Cocaína, maconha e drogas sintéticas encontram uma grande demanda em Florianópolis. “O consumo exacerbado alimenta esta guerra”, afirmou o comandante do 4º BPM (Batalhão da Polícia Militar) tenente-coronel Marcelo Pontes.

O oficial também chama a atenção para a falta de compromisso social do Estado com as comunidades localizadas as áreas mais críticas. Na omissão do governo, os criminosos se instalam livremente. No morro do Mosquito, Norte da Ilha, por exemplo, há uma enorme área desmatada que foi invadida por novos moradores.

Entre esses novos moradores, se instalou uma célula da facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital). O morro do Mosquito é separado de outra comunidade conflagrada pela violência, a Vila União, reduto do PGC (Primeiro Grupo Catarinense) instalado nas mediações da SC-403. Quando as duas facções se enfrentam, os moradores se trancam em casa com receio de balas perdidas.

O alto número de mortes violentas assusta até quem está acostumado a lidar com este tipo de ocorrência e que não vê mais solução para resgatar a sensação de segurança. “Estamos enxugando gelo. A sociedade e o Estado perderam os princípios. Faltam políticas públicas sociais. A vida banalizou”, desabafou o delegado Ênio de Oliveira Mattos. 

Esforço conjunto e apoio da população

A cúpula da Segurança Pública se reuniu durante esta tarde para definir planos estratégicos de atuação em Florianópolis. Segundo a capitã da Polícia Militar (PM) Karoline Cunha, da assessoria de comunicação do comando da Polícia Militar, foi feita a intensificação do policiamento. “As ações de segurança pública estão sendo tomadas, mas o declínio da violência só ocorrerá com o esforço conjunto de todas as instituições”, afirmou.

Sobre a escalada da violência, o secretário de Estado da Segurança Pública, César Grubba, ponderou que a polícia está trabalhando com inteligência, capturando criminosos e apreendendo armas. Grubba prometeu reforçar o efetivo da PM nas áreas críticas de Florianópolis e em outros municípios onde há facção criminosa instalada. Grubba pede o apoio da população para ligar para o número 190 da PM e para o disque-denúncia 181 da Polícia Civil.

Guerra urbana nas comunidades

Na madrugada de ontem, segundo a Delegacia de Homicídios da Capital, integrantes do PCC tentaram invadir a Vila União, estabelecendo um intenso tiroteio com os rivais. Evandro Galvan, 28 anos, natural de Bento Gonçalves (RS), que seria olheiro do PGC, morreu no tiroteio. A namorada dele também foi atingida pelos disparos e morreu. Até ontem à noite, não tinha sido identificada.

Horas antes, a guerra urbana na Capital havia assustado a comunidade Nova Trento, no bairro Agronômica. Os irmãos Fernando de Souza, 37, Geovani, 34, e José Luciano, 31, foram assassinados. Segundo a polícia, eles nasceram e se criaram na Nova Trento, mas atualmente moravam na Vila Santa Rosa, no outro lado do morro. Um dos irmãos, conforme a polícia, seria o responsável por administrar pontos de drogas na Santa Rosa.

A ida deles à Nova Trento, onde os pontos de drogas são controlados pelo PGC, ainda é incógnita para os agentes da Homicídios. A chacina dos irmãos Souza ocorreu no pátio de uma casa abandonada. De acordo com o delegado Mattos, junto aos corpos não havia armas. Na comunidade ninguém fala sobre o caso.

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