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Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2018
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Polícia não pode prender jornalista que matou namorada em SP

Sem mandado de prisão, policiais não podem invadir casa de Pimenta Neves por causa do horário

Redação ND
Florianópolis

Policiais civis da Divisão de Capturas chegaram por volta das 18h30 desta terça-feira (24) à casa do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, na Chácara Santo Antônio, Zona Sul de São Paulo, para tentar convencê-lo a se entregar. O delegado-assistente Pablo Baccin contou que ainda não tem um mandado de prisão, mas que, mesmo com ele em mãos, não pode invadir a residência em razão do horário.

“Não posso entrar na casa dele à noite. Só se fosse caso de flagrante. O importante é que ele não escape agora”, afirmou o delegado, que está acompanhado de outros investigadores. Por pelo menos duas vezes, o jornalista passou rapidamente por uma janela situada na frente da casa, mas até as 18h45 não havia aberto a porta para os policiais.

A 2ª turma do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou nesta terça-feira (24) a prisão imediata do jornalista Pimenta Neves, condenado pela morte da também jornalista Sandra Gomide. A decisão foi unânime entre os cinco ministros que apreciaram a questão, segundo nota do STF.

O R7 ainda não conseguiu contato com a advogada do jornalista.  Os ministros rejeitaram por unanimidade um recurso da defesa de Pimenta e concluíram que chegou a hora de ele começar a cumprir a pena.

Sandra foi morta no dia 20 de agosto de 2000, no Haras Setti, em Ibiúna, cidade a 64 km de São Paulo. Na época, Pimenta Neves, com 63 anos, era diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo. Sandra também trabalhava no jornal, como repórter e editora de Economia. Eles namoraram por quatro anos, mas ela terminou o relacionamento semanas antes do crime.

Réu confesso do crime, Neves foi condenado a passar 19,2 anos na cadeia, mas a pena foi reduzida pelo STJ para 15 anos. No entanto, ele cumpriu apenas sete meses de prisão e permanecia livre devido a uma outra decisão do STJ, de 2007.

Recursos “exagerados”, diz ministra

Na sessão desta terça-feira (24), os ministros confirmaram a decisão de Celso de Mello que já tinha negado um recurso da defesa do jornalista. Por sugestão da ministra Ellen Gracie, o ministro Celso de Mello determinará ao juiz de Ibiúna a imediata execução da pena. Mello comentou: “ É chegado o momento de cumprir a pena. O jornalista valeu-se de todos os meios recursais postos à disposição dele. Enfim, é chegado o momento de cumprir a pena.”

Segundo nota do STF, vários ministros se disseram indignados com o tempo que o processo levou para ser concluído. Ellen qualificou como um "exagero" a quantidade de recursos da defesa do jornalista. Porém, ela ressalvou que todos estão previstos na legislação brasileira. O ministro Ayres Britto afirmou que a quantidade de recursos beira o "absurdo". Para o ministro Gilmar Mendes, presidente da 2ª Turma, o caso "causa constrangimentos de toda ordem".

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