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Polícia investiga irregularidades na antiga gestão de hospital e UPA de São Francisco

Os antigos gestores das unidades estão sendo investigados por superfaturamento e desvio de dinheiro

Redação ND
Florianópolis
09/06/2018 às 14H36

A Polícia Civil de São Francisco do Sul está investigando irregularidades na antiga administração do Hospital e Maternidade Nossa Senhora das Graças e da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do município. Computadores e documentos das instituições foram apreendidos nesta sexta-feira (8). A denúncia partiu da Prefeitura de São Francisco do Sul.

Funcionários da Secretaria de Saúde acompanharam o cumprimento dos mandados de busca e apreensão nas unidades. As investigações sobre as irregularidades já duram um ano e meio e partiram de uma sindicância que foi aberta pelo ex-prefeito de São Francisco do Sul, Luiz Roberto de Oliveira, e encaminhada para o Ministério Público.

Documentos e computadores das unidades de saúde foram apreendidos pela polícia  - RICTV Record/ND
Documentos e computadores das unidades de saúde foram apreendidos pela polícia - RICTV Record/ND



No documento, Oliveira pedia para que fossem apuradas possíveis fraudes na administração do hospital e da UPA. Na época, as duas unidades estavam sob responsabilidade do Instituto Acqua, contratado em abril de 2015 por meio de licitação. No final de 2016, o caso passou para a Polícia Civil, que reúne provas sobre a má gestão dos recursos públicos.

De acordo com o delegado Marcel de Oliveira, de São Francisco do Sul, entre os indícios de superfaturamento, estão a contratação de veículos para aluguel e a terceirização de serviços nunca realizados, como o de publicidade.

Outro convênio suspeito envolve a empresa EGS, de Gestão em Saúde. Durante a investigação, os policiais também apuraram que vacinas e medicamentos vencidos eram aplicados em pacientes. No entanto, os funcionários que ministravam as doses não sabiam que as etiquetas eram alteradas por outras com prazo de validade em vigor.

Conforme o delegado, mais de 15 pessoas já foram ouvidas até agora e muitas delas estão sofrendo ameaças de retaliação e perda de emprego. As conversas que comprovam a coação de testemunhas foram anexadas ao inquérito. Os documentos e computadores apreendidos irão passar por perícia. Representantes das empresas envolvidas, além do antigo diretor da Acqua, Valderi Ferreira da Silva, e o ex-secretário de Saúde, Marcos Scarpato, ainda devem ser interrogados.

Outro lado

Por telefone, Scarpato disse estar surpreso com a denúncia e que desconhece qualquer irregularidade ou denúncia do MP sobre as fraudes.  Valderi Ferreira da Silva, conhecido como Mano, também foi procurado pela equipe de reportagem da RIC TV Record, mas ele não atendeu às ligações.

Por nota, o Instituto Acqua negou qualquer informação sobre fraudes no período em que realizou a gestão no Hospital, entre 2015 e 2017. Também afirmou que não foi acionado pela Justiça, Ministério Público e polícia, e nega superfaturamento.

O Instituto Acqua disse, ainda, que as empresas Tríade e EGS foram contratadas como parte do custo administrativo para a gestão da unidade e que eles não interferiram no custeio dos serviços oferecidos à população. O documento diz ainda que todas as prestações de contas do Instituto Acqua são públicas e foram entregues à prefeitura.

Quanto à alteração de rótulos em medicamentos, o instituto afirmou que, ao longo de dois anos de gestão da unidade, não recebeu qualquer apontamento de irregularidade no setor de farmácia por órgãos fiscalizadores ou responsáveis pela supervisão do local.

O atual prefeito de São Francisco do Sul, Renato Gama Lobo, informou, por nota, que a apuração em curso pela Polícia Civil não está relacionada à gestão atual da prefeitura ou ao instituto que gere atualmente as unidades, mas que apoia o trabalho da polícia.

O ex-prefeito Luiz Roberto de Oliveira informou, por meio de assessoria, que ele mesmo, no final da gestão em 2016, procurou o Ministério Público e pediu a investigação de eventuais fraudes e irregularidades na administração do hospital, supostamente cometidas por funcionários do Instituto Acqua, e determinou a adoção de medidas administrativas para apurar a denúncia realizada por uma ex -funcionária do hospital ao então prefeito.

A equipe do Balanço Geral também tentou contato com sócios das empresas Tríade e EGS pelos telefones que aparecem nos registros na Receita Federal, mas não obteve resposta. A RIC TV Record mantém o espaço aberto para que essas empresas possam se posicionar a respeito das denúncias.

* Com informações da RIC TV Record

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