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Polícia descarta conflito de facções catarinenses como causa de assassinatos em hotel

Segundo os delegados Anselmo Cruz e Vérdi Furlanetto, o tipo de violência empregada afasta a possibilidade de envolvimento da facção criminosa PCC no crime

Marina Simões
Florianópolis
06/07/2018 às 18H46

O delegado Anselmo Cruz, diretor da DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), descartou a possibilidade de um confronto entre facções criminosas catarinenses ter sido o motivo dos cinco assassinatos no hotel Venice Beach, em Canasvieiras, no Norte da Ilha, em Florianópolis. Ele e o diretor de polícia da Grande Florianópolis, delegado Vérdi Furlanetto, esclareceram algumas informações sobre a chacina durante uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (6).

A polícia acredita que a causa da morte foi esganadura, mas é necessário esperar o resultado dos exames do IML (Instituto Médico Legal) para ter certeza de que as vítimas não ingeriram ou inalaram alguma substância. De qualquer modo, segundo os delegados, o tipo de violência empregada afasta a possibilidade de envolvimento da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no crime.

O diretor da DEIC explicou que uma das linhas de investigação adotadas considera que a assinatura com a sigla da facção na cena do crime foi feita para despistar, tirar o foco da autoria do crime. “Não há nenhuma movimentação que indique qualquer situação envolvendo conflito de facções. Em segundo lugar, os crimes que normalmente acontecem, que seriam atribuídos a essa facção paulista não têm esse modus operandi”, explicou Cruz.

“Tudo indica que seja uma vingança com requinte de tortura”, disse o delegado Furlanetto, sobre os assassinatos - Daniel Queiroz/ND
“Tudo indica que seja uma vingança com requinte de tortura”, disse o delegado Furlanetto, sobre os assassinatos - Daniel Queiroz/ND


Segundo Furlanetto, a principal linha de investigação já foi definida e está sendo trabalhada por todos os setores de inteligência.“A vítima era um empresário, que teve alguns problemas financeiros, alguns negócios que foram feitos. A partir daí, é uma linha de investigação, alguém que tenha sido prejudicado”, disse sobre Paulo Gaspar Lemos,78, proprietário do hotel onde o crime aconteceu.

“Tudo indica que seja uma vingança com requinte de tortura”, disse o delegado Vérdi Furlanetto, sobre os assassinatos. Paulo estava envolvido em processos trabalhistas tanto em São Paulo quanto em Santa Catarina e outros integrantes da família estavam sendo investigados em 4 inquéritos.

A Delegacia de Homicídios investiga o caso. As vítimas foram identificadas como Paulo Gaspar Lemos (78), seus filhos, Katya Gaspar Lemos (50), Leandro Gaspar Lemos (44) e Paulo Gaspar Lemos Junior (51), e seu sócio, Ricardo Lora (39).

Segundo o tenente-coronel Marcelo Pontes, comandante da 1ª Região da Polícia Militar, a família tinha histórico de estelionato e dívida e algumas das vítimas tinham passagens policiais por apropriação indébita e injúria. Nenhum deles tinha mandado aberto.

Criminosos utilizaram dois carros que estavam no hotel para fugir - Daniel Queiroz/ND
Criminosos utilizaram dois carros que estavam no hotel para fugir - Daniel Queiroz/ND


O crime

De acordo com informações da polícia, o crime foi cometido por três pessoas, que invadiram o hotel onde a família morava por volta das 16h desta quinta-feira, encapuzadas e com luvas. Pelo menos um dos suspeitos estava armado. As vítimas foram ameaçadas, amarradas, separadas em diferentes andares e torturadas psicologicamente por cerca de oito horas.

Conforme a PM, todos os mortos estavam amarrados e sem identificação no momento da primeira varredura. Todo o local foi periciado e foi encontrada na parede a sigla da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), indicando que o motivo da chacina teria sido um acerto de contas. Os criminosos também chegaram a espalhar gasolina onde foram encontrados os corpos.

Para fugir, os criminosos roubaram dois carros que estavam no local. Um deles já foi encontrado e levado para o IGP. A polícia continua procurando o outro veículo.

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