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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Polícia Civil fecha cerco contra exploração sexual em Florianópolis

Registrados como clínicas e casas de massagens, estabelecimentos funcionavam como locais de agenciamento de programas

Fábio Bispo
Florianópolis
Divulgação/ND
Ação policial vem combatendo o agenciamento da prostituição


Trajando apenas jalecos brancos, sem roupas de baixo, elas se revezavam de acordo com a preferência da clientela. A fachada anunciava clínica de estética e massagem num dos prédios comerciais da rua 7 de setembro, Centro de Florianópolis, mas no interior, segundo a polícia, acontecia a exploração sexual. Na segunda-feira passada, o local foi interditado pela delegada Michele Correa, da Polícia Civil, em mais uma operação para coibir a cafetinagem — agenciamento de mulheres para obtenção de lucro.

“Quando entrei, custei a acreditar que ali funcionava um ponto de exploração sexual. O serviço de massagem era a senha para os programas”, declarou a delegada. Este foi o vigésimo estabelecimento interditado pela delegada na cidade em seis meses. Na maioria dos locais, foi constatada prática de cafetinagem, onde as mulheres, a maioria jovens vindas do interior, se prostituíam para garantir lucros aos donos das casas.

Em seis meses a polícia interditou 20 pontos de prostituição em Florianópolis, boa parte no Centro, onde a exploração sexual ocorria por meio de terceiros. Em alguns locais, que alegavam funcionar como wiskerias ou bares, a delegada constatou existência de quartos e armários com acessórios eróticos que confirmavam a utilização dos espaços para programas sexuais. Os responsáveis pelos estabelecimentos vão responder por manter casa de prostituição e obter lucro por meio dos programas. As penas vão de dois a cinco anos de prisão.

Segundo a delegada, uma das estratégias dos proprietários é alegar ao município outros serviços para obtenção de alvará: “Existe um desvio de finalidade da atividade, pois funcionavam como se fossem clínicas de massagens ou saunas.” Michele afirma que existe uma linha tênue que separa a prostituição da exploração sexual e que as operações tentam preservar ao máximo as mulheres exploradas.

"É melhor do que ir para a rua", diz garota de programa

Nicoli, 35 anos, e Suzi, 36, conhecem bem a realidade das casas de massagem de Florianópolis. Entraram juntas no mundo da prostituição há sete anos. Passaram por diversos locais, onde presenciaram desde a exploração por dinheiro à violência gratuita praticada por clientes. Atualmente, trabalham juntas em local próprio, no Centro. No último dia 22, as duas foram levadas para a 1ª Delegacia de Polícia de Florianópolis pela equipe da delegada Michele Corrêa junto com mulheres de outras casas. Após o interrogatório, foram liberadas, pois não teria ficado caracterizado cafetinagem ou exploração por parte de terceiros.

Técnica em enfermagem, Suzi diz que intercala os atendimentos como “massagista erótica” com o de cuidadora de idosos. “Já vi muita coisa. Existem casas que exploram as meninas sim, mas existem muitas que cuidam de nós, é uma coisa muito complicada, é melhor que ir para a rua, onde os riscos são maiores”, conta Suzi, que há nove anos diz ter sido abandonada pelo marido, tendo que arcar desde então com a criação da filha, hoje com 13 anos.

Na pequena sala, com pouco mais de 40m², no Centro, elas tentam retomar a rotina de segunda a sexta no horário comercial. Pegam ônibus lotado, passam trabalho para juntar dinheiro do aluguel e para as contas do mês. “Estamos aqui, mas estamos trabalhando. Todos os dias, quando chego em casa, faço janta e deixo o almoço do outro dia pronta para minha filha. Ela quer ser médica, e eu não posso parar de lutar pelo sonho dela. Só não vou roubar ou matar", diz Suzi.

No prédio, a discrição que mantinham foi quebrada: “O dono está pedindo o lugar de volta e os clientes têm medo de estarem e a polícia aparecer. Fomos levadas para delegacia como marginais, mas não cometemos crime nenhum”, conta Nicoli, que tem dois filhos, um de 14 e outro de 18.

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