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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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PMDB perde o principal líder e terá que decidir se segue o caminho traçado por LHS

Agora a única cadeira do PMDB no Senado fica com Dário Berger, eleito ano passado

Letícia Mathias
Florianópolis

O senador Luiz Henrique da Silveira dizia que o PMDB assumir o governo em 2018 seria “uma ordem natural das coisas”. O cenário político do partido já era uma incógnita e passava por uma divergência de ideias, mas, com a morte do grande líder, articulador e agregador, a situação pode ser revista. O PMDB vai ter que decidir qual caminho seguirá: o já traçado por Luiz Henrique ou um novo, mesmo sem ter perspectiva de quem o substituirá, por enquanto.

Em entrevista ao Notícias do Dia no fim de 2014, ele afirmou que sairia de cena em 2018 se a reforma política não ocorresse até lá, mas era o nome mais cogitado para assumir a frente da disputa nas eleições, após acordo com o PSD que previa o PMDB à frente do governo. Ele era a figura que reunia o partido, tinha o papel de agregar alianças em um momento de ideias divergentes e, apesar da partida repentina, as lideranças da sigla não creem em divisão.

Agora, a única cadeira do PMDB no Senado fica com Dário Berger – a vaga de Luiz Henrique será ocupada por Dalírio Beber (PSDB). Berger disse que pessoalmente perdeu um mestre, e o partido, a referência, e que pretende “tentar conciliar os encaminhamentos que LHS havia articulado, seguindo os princípios de conciliação e de integração” ensinado por ele. “O partido perde seu maior líder e naturalmente isso traz um trauma enorme, tanto internamente quanto para a própria representação política de Santa Catarina. Os acordos firmados devem prevalecer”, disse.

Para o deputado estadual Gean Loureiro (PMDB), será difícil suprir a figura que ele representava, pela sua característica política e pela maneira de integrar forças distintas. “A experiência dele na condução dos trabalhos vai fazer falta. Não acredito em divisão, mas em fortalecimento. O exemplo deixado por ele nos fortalece”, disse.

Agência Senado/ND
LHS afirmou no ano passado que sairia da cena política em 2018

 

LHS planejava viajar pelo Estado para mostrar a união do PMDB

 

O vice-governador Eduardo Pinho Moreira esteve com LHS no sábado à noite e disse que, entre outras coisas, discutiram sobre as críticas que Moreira havia feito ao governador. Moreira criticou o PSD logo nas primeiras decisões do segundo mandato de Colombo no que se tratava à reforma administrativa. Recriminou a intenção de mudança do perfil das SDRs e as nomeações do PSD para cargos no Executivo. Ele disse que LHS tentava melhorar a situação, que planejaram viajar por todo o Estado, acompanhados de Maldaner, para mostrar a união do PMDB e que ainda defenderam mais uma vez que o partido vai ter candidato em 2018.

Moreira também lembrou que LHS foi seu “professor” no início da sua carreira política e acredita que o PMDB continua unido, que as aspirações e o legado de Luiz Henrique devem permanecer no partido. “Ele era o meu candidato. Ontem à noite eu disse pra ele que ele era o meu candidato para comandar o estado em 2018. Conversamos sobre as cidades por onde deveríamos passar, como seria a campanha. A política catarinense fica empobrecida”, disse o vice-governador.

 

Um desbravador de projetos

 

O ex-senador Casildo Maldaner, amigo de Luiz Henrique, com quem conversava quase diariamente, disse que ele era um desbravador não só de projetos, mas de ideias. “Nada acontecia, a vida inteira, sem que nós conversássemos”. Maldaner lembrou também que o principal ponto de divergência entre os dois em sua história política foi em relação à descentralização. “Primeiro nós perdemos o Ulysses Guimarães, e agora o Luiz. É uma grande perda a nível nacional. Quando nós não estávamos juntos, estávamos em contato por telefone. Lembro muito da época da descentralização, que eu não acreditava no começo. Quando ele colocou isso na proposta de governo, em 2002, eu dizia que duvidava que aquilo desse certo. “Eu tenho que ver para crer”, dizia a ele. Ele respondia: “Até tu, Casildo?”.

Para Paulo Afonso Vieira, a morte repentina do senador deixa uma incógnita no partido, mas também as composições “fragilizadas”. Segundo ele, Luiz Henrique era quem sustentava toda a composição e conduta do PMDB com o PSD, com vigor e determinação. Ele acredita em um rearranjo, mas não em divisão do partido. “Tinha determinação naquilo que queria articular, fazia com muito afinco, era quase uma obsessão e agora isso não tem mais. É muito cedo para tratar de 2018, mas a ausência dele deixa de fora o grande sustentador dessa composição. Falta muito tempo, mas também é verdade que ele também não está mais para impor isto. Não quero fazer especulações prematuras, é um cenário a ser observado”, afirmou.

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