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PM usa bombas de gás para liberar caminhões da base da Petrobrás na Grande Florianópolis

Bloqueio durou oito dias e suspendeu abastecimento de combustíveis em toda Grande Florianópolis

Fábio Bispo
Florianópolis
30/05/2018 às 00H31

Passava das 19h, quando a Tropa de Choque e a Cavalaria deram início ao cumprimento da decisão liminar para desbloquear o acesso à base da Petrobras, em Biguaçu, na Grande Florianópolis. O bloqueio, que foi inciado na terça-feira da semana passada, acabou desfeito depois do uso de bombas de gás e balas de borracha. Houve confronto de manifestantes que sofreram ferimentos leves. A expectativa é de que nesta quarta-feira (30) o local esteja completamente desobstruído e o abastecimento de combustíveis na região deve reestabelecido aos poucos. Os caminhões-tanque liberados abasteceram 13 postos da região.

manifestação em Biguaçu  - Marco Santiago/ND
PMs retiram tubos de concreto utilizados como bloqueios na SC-407, em Biguaçu - Marco Santiago/ND

Na decisão expedida na noite de segunda o juiz Yannick Caubet decretou 24 horas para liberação do bloqueio. Após esse prazo, o magistrado autorizou o uso da força policial para que a ordem fosse efetivamente cumprida. Segundo os manifestantes, o prazo para liberação expiraria a meia noite e antes disso não liberariam as pistas da SC-407 para passagem dos caminhões.

No início da tarde, os manifestantes chegaram a afirmar que a liminar seria cumprida e por volta das 15h15h três caminhões passaram pelo bloqueio sob forte protesto. As 16h, quando mais caminhões tentaram deixar a base a via acabou bloqueada. Foi o início de uma espera de três horas que só terminou com o confronto. Enquanto policiais avançavam com as bombas de efeito moral, o grupo os chamava de covardes. "Essa luta é por vocês também", gritavam. 

A ordem para dispersar a manifestação só veio após reunião entre o governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) e os presidentes do Tribunal de Justiça, desembargador Rodrigo Collaço, o presidente da Assembleia do Estado, Aldo Schneider (PMDB), representantes do Ministério Público, deputados e líderes dos setores produtivos. “O limite foi alcançado,hoje.  A partir de hoje a normalidade voltará a Santa Catarina, fruto das nossas decisões”, declarou Pinho Moreira após a reunião.

Uma decisão liminar também foi expedida para dispersar grupo de caminhoneiros que permanecia em um posto de combustíveis em Palhoça. O Exército esteve no local e garantiu segurança aos motoristas que quiseram deixar o movimento.

Manifestação em Biguaçu - Marco Santiago/ND
Após confronto com a PM, manifestantes ficaram acuados - Marco Santiago/ND



Diálogo não funcionou

A estratégia do comando da Polícia Militar, de desmobilizar o bloqueio na base da Petrobras em Biguaçu ultrapassou os limites de negociação normalmente travado pela corporação. Na segunda-feira, o comandante da 1ª Região da PM, coronel Renato Cruz Júnior, esteve no local e chegou a declarar que as reivindicações dos manifestantes eram justas. Na ocasião, Júnior alertou o grupo sobre a decisão liminar, que acabou saindo horas depois.

Nesta terça, no mesmo tom amigável, policiais e manifestantes mantiveram diálogo aberto praticamente todo o dia. Os policiais chegaram a recuar na primeira investida dos manifestantes sobre o comboio de caminhões que tentou deixar o local por volta das 16h. A todo tempo o comandante dizia não querer “usar a força”.

Após receber ordens superiores, coronel Júnior tentou mais uma vez a liberação da SC de forma amigável. Mas desta vez a conversa não funcionou e ele se viu obrigado a autorizar suas tropas a intervir.

Manifestação em Biguaçu  - Marco Santiago/ND
O Bloqueio durou oito dias e suspendeu abastecimento de combustíveis em toda Grande Florianópolis - Marco Santiago/ND



Prefeitos e empresários apoiaram movimento

Em nove dias —de uma paralisação nacional que chegou a ter mais de mil pontos de protesto dos caminhoneiros—, o movimento organizado em Biguaçu cresceu e recebeu adesão. A reportagem do ND acompanhou o grupo durante vários dias e registrou de perto as principais movimentações do grupo.

Financiados por donos de supermercados e até mesmo por moradores da região, o grupo chegou a ganhar a simpatia de autoridades municipais, como a do prefeito Gean Loureiro, de Florianópolis, que no sábado (16) encaminhou mensagem de apoio ao grupo e permitiu que os coletivos da cidade circulassem com adesivos que diziam #SomosTodosCaminhoneiros. Em troca conseguiu liberação de combustível. O vice-prefeito de Biguaçu, Vilson Norberto Alves (PP), também esteve ao local declarando apoio. Mesmo o município tendo decretado estado de emergência, o vice-prefeito disse que o bloqueio não estava atrapalhando a prefeitura.

Por nove dias, só saiu combustível da Petrobras ou caminhões de Antônio Carlos sob autorização do grupo. Os municípios e órgãos, como Defesa Civil, precisaram formalizar pedidos para abastecerem seus veículos. Nesse período, aulas foram canceladas e demais serviços públicos foram prejudicados pela falta de combustível vindo de Biguaçu.

Manifestação em Biguaçu  - Marco Santiago/ND
 O movimento organizado em Biguaçu cresceu e recebeu adesão - Marco Santiago/ND



 

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