Publicidade
Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 19º C

Perucas voltam a fazer a cabeça das mulheres

Elas agradam quem quer mudar de visual sem tesouras ou tinta

Letícia Mathias
Florianópolis

Loiro, escuro, curto, longo, cacheado ou liso. As mulheres gostam de estar com o cabelo arrumado, mas o processo leva tempo e, normalmente, dá bas­tante trabalho. A vontade de mudar de cor ou de corte traz dúvidas, porém há uma opção de variar o visual sem muito es­forço: com perucas. Sim, o aces­sório popularizado no Brasil na década de 1970 voltou às pentea­deiras e closets. Deixou de servir apenas para aqueles que usam por necessidade, em casos de doença ou problemas capilares, para se tornar uma opção prática de quem não tem tempo.

O mercado em Florianópolis tem crescido a cada ano, mas esqueça os cabelões volumosos e pesados. Eles deram espaço a perucas com madeixas leves que se parecem muito com ca­belos naturais. A terapeuta ca­pilar Tânia Camargo, que traba­lha com perucas há mais de dez anos, conta que antigamente as pessoas buscavam o serviço em ambientes mais reservados, com vergonha de precisar ape­lar para os fios artificiais. Ao contrário de hoje, que os salões fazem questão de expor as op­ções.

 

Rosane Lima/ND
Tânia Camargo e suas perucas
Tânia Camargo trabalha com perucas há mais de dez anos

 

Os clientes são variados e, apesar da procura ser inferior à das mulheres, os homens tam­bém estão incluídos nesse pú­blico. A intenção, geralmente, é disfarçar a calvície. Mas o pú­blico que se destaca é o formado por pacientes que passaram por quimioterapia ou têm queda de cabelos relacionada a alguma doença.

Fora dos problemas de saú­de, há quem veja a peruca como uma maneira de deixar o dia a dia mais prático. “O tabu caiu, hoje tem gente que usa no fim de semana, porque não tem tempo de arrumar ou em viagens. Tem crescido de uns quatro anos para cá pela praticidade mes­mo”, afirmou Tania.

Cuidados básicos para a conservação

Elas podem ser de cabelos naturais, sintéticos ou mistos. Existem as perucas prontas, mas as preferidas são aquelas feitas sob medida, em que o corte e tintura são feitos somente depois, na cabeça do cliente. Nestes casos o profissional mede a cabeça, orelhas e toda simetria do rosto para confeccionar no tamanho exato. A base pode ser feita com tules e redes para que o ar possa circular na pele. Outras são feitas com silicone e fios implantados, imitando o couro cabeludo.

Com as novas técnicas, cortes e tratamento, o acessório passa despercebido. Apesar de durarem décadas se forem de cabelo natural, para manter uma aparência saudável é necessário trocar os fios a cada dois ou três anos. O sol, o calor e o próprio material são fatores que desgastam e limitam a validade.

As sintéticas duram um pouco menos, em torno de um ano, e não podem ser lavadas com água quente, tampouco suportam o vento quente do secador. Apesar da variedade de tipos de cabelo disponíveis, profissionais e pessoas que usam perucas concordam em afirmar que é preciso se identificar com o espelho e manter uma sintonia, buscando a aparência que se assemelha ao estilo.

Montagem requer delicadeza

Tanta praticidade pode custar caro para o bolso. O valor das perucas varia entre R$ 600 e R$ 5.000. Um modelo curto de cabelo natural, por exemplo, custa em torno de R$ 1.200. Mas aquelas que imitam o couro cabeludo podem ser ainda mais caras, passando dos R$ 15 mil. O preço é alto, mas justificado quando se entende o processo minucioso de produção e a matéria prima utilizada.

Só os cabelos custam em média R$ 500 o quilo. De acordo com Vânia Guarnieri, cabeleireira que produz perucas artesanalmente em Florianópolis, são necessários de quatro a seis metros de cabelo para fazer um acessório. A montagem leva dois dias, se forem dedicadas dez horas de trabalho por dia. Primeiro, o cabelo é tecido e trançado com uma espécie de tear e depois tratado, modelado, até ganhar o corte e a cor desejados pelo cliente.

Para ela a confecção de perucas vai além da profissão. Vânia começou a produzir por necessidade própria. Desde os 15 anos ela usa perucas por causa de um distúrbio chamado tricotilomania, em que impulsivamente puxa e arranca os próprios cabelos enquanto dorme. Hoje, com 32 anos, ela usa sua história no trabalho para auxiliar outros que têm a mesma dificuldade, mas não sabem o que fazer ou têm vergonha. A ideia surgiu porque a cabeleireira não conseguia encontrar perucas bonitas com material de qualidade e com preço acessível.

“É o molde do rosto!”, afirmou. O preconceito, segundo Vânia, foi pior. “É muito importante e eu consigo entender melhor as angústias das pessoas que não têm cabelo. Falo abertamente para ajudar, para que vejam que tem solução”, relatou.

Praticidade a qualquer hora do dia

Para Neide Gomes, 61, a peruca é sinônimo de praticidade. Ela usava o acessório quando tinha 19 anos. Na época, apostava em modelos de acordo com a moda e sempre gostou de ter opções diferentes. Há três anos comprou uma nova. Como ela tem o cabelo crespo, que não é fácil de arrumar, optou pela peruca para mudar o visual rapidamente quando sente vontade. Sempre usa quando surge um evento de última hora.

A peruca bem tratada, de cabelos naturais e luzes, foi comprada no Rio de Janeiro por R$ 1.800 às vésperas de um casamento. Na festa, fez sucesso, passou despercebida. Neide garante que foi um bom investimento.

Na última viagem que fez, ela e os amigos chegaram ao hotel por volta de 19h depois de um passeio, e às 20h foram a uma festa. A única que conseguiu ir com o cabelo arrumado foi ela. “Amigos antigos confundiram achando que era meu cabelo de verdade. Tem sido minha salvação em viagens quando não há um cabeleireiro conhecido para ajudar. O trabalho que eu teria em 45 minutos, resolvo em cinco”, contou.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade