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Perícia de toboágua em que morreu radialista pode ficar comprometida

Perícia admitiu que análise de toboágua foi feita com o local do acidente não mais preservado

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
19/07/2018 às 14H16

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O toboágua onde o radialista Ricardo José Hilário Silva se acidentou e morreu no último dia 16, no Beach Park de Aquiraz, no Ceará, passou por duas perícias. Uma das análises foi feita no dia do acidente, e outra na terça (17). Como o local não estava mais preservado, o resultado da perícia pode ficar comprometido.

Por telefone, a Pefoce (Perícia Forense do Estado do Ceará), informou que a primeira análise pericial foi feita no corpo da víima e na estrutura do brinquedo. A segunda perícia, complementar, foi realizada novamente no toboágua. A Pefoce admitiu ainda que a segunda análise foi feita com o local do acidente não mais preservado.

Radialista morreu na segunda-feira após acidente em brinquedo no Beach Park - Beach Park/Divulgação
Radialista morreu na segunda-feira após acidente em brinquedo no Beach Park - Beach Park/Divulgação


O promotor Rodrigo Merli Antunes, do Ministério Público de Guarulhos, afirmou que a perícia "perde o valor" se for feita em um local já adulterado, como aconteceu com a segunda análise feita no Beach Park após o acidente.

"O inquérito está a cargo do delegado. Ele é o 'presidente' da investigação e se quiser voltar ao local, ele volta e chama os peritos de novo. Claro que, sem preservação, a coisa perde um pouco o valor", afirma.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, os laudos podem ser concluídos em um mês, "podendo ser prorrogado [o prazo] por mais 30 dias devido à perícia complementar", diz trecho de nota.

A secretaria não se manifestou sobre a realização da segunda análise no toboágua.

O corpo de Ricardo Hill -como era conhecido o radialista- foi liberado na noite de anteontem, sendo transportado do Ceará até o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande SP). De lá, foi encaminhado até Sorocaba (99 km de SP). Ele foi enterrado nesta quarta (18).

No dia do acidente, a mulher e a filha de Ricardo Hill seguiam logo atrás dele no toboágua.

O radialista e mais três pessoas estavam no brinquedo "Vainkará", quando a boia em que ocupavam virou, fazendo com que Ricardo Hill batesse a cabeça na estrutura do brinquedo, provocando sua morte, já próximo à piscina. As outras três pessoas passam bem.

Segundo o atestado de óbito, feito em Aquiraz, a vítima morreu de traumatismo crânio encefálico, por instrumento contundente, associado a trauma raquimedular (lesão traumática na coluna vertebral).

O cunhado do radialista, o comerciário Luís Antonio Silva, 52, foi ao Ceará auxiliar a irmã, Luciane Silva, 40, na liberação do corpo de Ricardo. "Ela testemunhou o marido sendo socorrido na piscina, cheia de sangue". A filha do casal, de 8 anos, também viu o pai, inconsciente, sendo encaminhada ao ambulatório do parque aquático.

Hill e Luciane eram casados há 15 anos.

RECÉM-INAUGURADO

O Beach Park afirmou que possui alvará de funcionamento e que foram realizados testes no brinquedo onde ocorreu o acidente. O toboágua foi inaugurado no último sábado e custou R$ 15 milhões. O brinquedo tem 150 metros de descida e paredes de 90 graus, trazendo a proposta de gravidade zero.

>> Após morte em toboágua, turistas contam que furaram boias para escapar de acidente

Parques de diversão devem seguir normas de segurança da ABNT

Parques de diversão devem seguir regras que ajudam a evitar acidentes -como o que aconteceu no Beach Park.

Os parques devem, segundo as normas ditadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), colocar placas indicando a altura e peso mínimos e máximos para os visitantes de cada atração e informar como o visitante deve se posicionar dentro do brinquedo, e o que não deve fazer enquanto estiver nele.

Outra obrigação do parque é verificar, antes de o brinquedo começar a funcionar, se ele está em perfeitas condições: checar freios, controles de segurança e dispositivos para emergências. A checagem deve ser refeita ao longo do dia.

As normas da ABNT regulam as etapas de montagem e operação dos brinquedos. Há indicações sobre como deve estar o solo no local em que as atrações serão fixadas, quais materiais podem ser usados, os ângulos para montagem e diversas regras de manutenção e treinamento dos funcionários que vão atuar nos brinquedos. 

O Beach Park afirmou em nota que a fabricante do toboágua, a canadense Proslide, "efetuou todos os testes necessários antes de autorizar o início da operação do equipamento", e que seus 130 salva-vidas e instrutores são avaliados semanalmente por uma empresa americana de segurança aquática e gerenciamento de riscos.

O parque ficou fechado na terça (17) e reabriu na quarta (18), mas o Vainkará está fechado por tempo indeterminado. "O parque segue apoiando os órgãos responsáveis na apuração pericial", afirma a nota. 

Como explica Francisco Donatiello, presidente da Adibra (Associação das Empresas de Parque de Diversão do Brasil), a responsabilidade de fiscalizar se o parque está de acordo com as normas da ABNT é das prefeituras. 

Veja algumas normas que os parques de diversão devem seguir para garantir a segurança, segundo a ABNT:

-Antes de iniciar a operação de qualquer equipamento de diversão, o proprietário ou responsável deve solicitar todas as licenças operacionais exigidas pela lei e fazer inspeções

-Colocar placas indicando a altura e peso mínimos e máximos para cada atração

-Informar como o visitante deve se posicionar dentro do brinquedo, e o que não deve fazer enquanto estiver nele

-Verificar no mínimo uma vez ao dia, antes do brinquedo começar a funcionar, se ele está em perfeitas condições: checar freios, controles de segurança e dispositivos para emergências. A checagem deve ser refeita durante a operação do brinquedo

-Funcionários e operadores dos brinquedos devem ser instruídos sobre como agir para relatar paradas e defeitos no brinquedo, restringir o acesso de usuários que não estejam dentro dos limites de peso, altura e condições médias, e o que fazer quando paradas de emergência forem necessárias

-Em brinquedos aquáticos, o operador deve ter visão total do brinquedo, e se não tiver, outro funcionário deve estar posicionado de forma a cobrir toda a extensão da atração; ambos devem se comunicar

Fonte:  "Coletânea Eletrônica de Normas Técnicas - Parques de Diversão", da ABNT

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