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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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Perda de benefício social deixa trabalhador de Lages em situação de rua em Florianópolis

Mais de 420 pessoas habitam as ruas, albergues e casas de apoio da Capital

Alessandra Oliveira
Florianópolis

O padeiro Evandro Luiz Zanone, 54 anos, nunca imaginou que um dia viveria em situação de rua. Enquanto espera a emissão de documentos do INSS (Instituto Nacional de Serviço Social) para dar continuidade ao processo para recebimento do benefício social - negado após uma perícia médica -, o morador de Lages se abriga no albergue municipal e busca os serviços do Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) da Capital para enfrentar os dias que passa na Ilha.

Flávio Tin/ND
Evandro espera a documentação do INSS para voltar para casa

 

“Sou chefe de família”, destaca Evandro Luiz Zanone enquanto conta as razões pelas quais passa os dias caminhando pelas ruas da Capital. Ele precisa que o tempo passe depressa e que o dia 27 de julho chegue. Na referida data o padeiro receberá do INSS o seu histórico de médico. Os documentos serão anexados ao processo judicial aberto na tentativa de reverter a alta médica.

Há um mês o padeiro veio para Florianópolis, trazido por um veículo da Secretaria de Saúde de Lages, com a esperança de poder acelerar o processo. “Tudo é muito demorado. Acho isso um descaso com os contribuintes”, lamenta. Zanone recebeu o beneficio social durante nove meses. Em abril o auxílio foi cancelado.

Ele tem problemas ortopédicos e vasculares nas pernas em razão de uma cirurgia mal sucedida.  “Não pensei ainda em como vou voltar para casa e nem no que vou fazer se não conseguir o que preciso. Meu único foco é pegar os documentos e levar para a o fórum“, disse. Em Lages o padeiro deixou a mulher de 64 anos, também doente. Sem benefício desde abril, ele lembra que o aluguel está atrasado. “Sou chefe de família”, repete, segurando seus documentos pessoais, a pasta com todos os encaminhamentos do INSS e ainda a declaração de residência: avenida Gustavo Richard, s/n, Passarela Nego Quirido.

Para se proteger do frio, que nem se compara às baixas temperaturas da Serra, o padeiro dorme no albergue municipal, no Centro, onde também janta. O almoço e dois lanches, pela manha e tarde, ele faz na Passarela do Samba. O trabalhador lembra que nem toda a pessoa que está em situação de rua, está ali porque quer e pede: “Vim buscar um direito meu. Tenho 27 anos de contribuição. Estou pedindo respeito das instituições e das pessoas”, disse enquanto guardava cuidadosamente a papelada da qual não se separa nem por um minuto. Quem quiser auxiliar Zanone pode entrar em contato com ele pelo telefone (48) 8464-2377.

Levantamento da Capital aponta 421 pessoas vivendo nas ruas

No início da semana uma equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social apresentou na Câmara Municipal de Florianópolis a contagem da população em situação de rua na Capital. Os números são expressivos. Os estudos apontaram que 421 vivem nas ruas da cidade. Desde total, 144 ficam em casas de acolhimento, 66 estão em casas de apoio, 46 utilizam o albergue municipal e outras 32 estão em unidades cofinanciadas pela Secretaria Assistência Social.

A pesquisa mostrou ainda que entre a maioria das 277 pessoas que não utilizam os abrigos da prefeitura se concentra na região Central da cidade. Ou seja, da população em situação de rua: 67,1% estão no Centro, 13,5% ficam no Norte da Ilha e no Continente estão 11%. Na região Leste da Capital ficam 6,5% desta população.

O menor índice está no Sul da Ilha, com a concentração de 1,9% das pessoas entrevistadas pela equipe da Secretaria. A pesquisa mostrou ainda que a maioria do público veio para a Capital em busca de trabalho, muitas vezes prometidos a distancia. A perda ou roubo de documentos aliados à dificuldade para encontrar trabalho e encontrar moradia, faz com que tais pessoas ocupem os espaços públicos de maneira inadequada.

Mais cobertores para combater as baixas temperaturas

Na tentativa de amenizar o frio entre aqueles que não querem ou não conseguiram vagas nos abrigos da prefeitura, a Secretaria de Assistência Social de Florianópolis está intensificando a entrega de cobertores à população em situação de rua.  

"Nosso desafio é convencer essas pessoas a aderirem aos serviços da Prefeitura. Temos 120 vagas nos espaços públicos, o que já atende a grande parte da demanda" disse a diretora de Proteção Social Especial, Katia Abraham.

Quem desejar ajudar pode doar cobertores, calçados e meias, a partir do tamanho 39. Os donativos devem ser entregues no setor de Benefícios, da Secretaria de Assistência Social, em frente ao IEE (Instituto Estadual de Educação), na avenida Mauro Ramos.  

Casos de hipotermia em SC

Ao intensificar a atenção às pessoas em situação de rua a equipe da Secretaria pretende evitar casos como o de Alderino José Kisadhowske, 48 anos. Ele foi encontrado morto ontem pela manhã, na Avenida Atlântica, em Balneário Camboriú.  O corpo não apresentava sinais de violência. A causa morte, possivelmente hipotermia, será apontada pelo laudo do Instituto Médico Legal.

O corpo foi encontrado por volta das 6h, quando faziam 6º C, na cidade. Na quarta-feira (8) um idoso foi resgatado com hipotermia, em um terreno baldio, em Xanxerê, no Norte do Estado. O morador de rua foi levado ao hospital da cidade por uma equipe do Corpo de Bombeiros e permanece internado. 

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