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Sábado, 20 de Outubro de 2018
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Passarelas das pontes estão despencando

Uma parte da passarela de pedestres da ponte Colombo Salles desprendeu-se da estrutura na última semana e caiu no mar

Letícia Mathias
Florianópolis
Rosane Lima/ND
Pedaço da passarela interditada caiu na semana passada no mar

 

A precariedade das passarelas sob as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo voltaram a ser assunto com a informação de que, há poucos mais de uma semana, uma parte da estrutura da Colombo Salles caiu no mar da baía Sul. A via, que serviria para a travessia de pedestres, está interditada há 20 anos. Em outro trecho da passarela da ponte Pedro Ivo Campos, via que está ativa, o pedestre se depara com uma abertura no solo de onde é possível ver o mar logo abaixo. Quem trafega por ali, pouco se incomoda ou preocupa com a estrutura. A maioria dos comentários são a respeito do balanço, normal por causa do tráfego de veículos sobre a ponte.

Esta não é primeira vez que blocos de concreto se desprendem da estrutura, a última queda ocorreu há cerca de cinco anos. A reportagem do Notícias do Dia navegou ontem sob as pontes junto com uma equipe de inspeção da Capitania dos Portos e pôde observar e registrar o desgaste atual, que tem parte das estruturas de ferro expostas pelo desgaste do concreto. Um perigo constante para as embarcações que navegam por ali.

Ano passado, após uma vistoria e trabalho conjunto entre Deinfra, prefeitura, Celesc, Bombeiros e Ministério Público, a via recebeu alguns reparos e melhorias referentes à segurança, mobilidade e urbanização.  O eletricista Maykon Santos, 30, considera a passarela mais prática, porque em oito minutos vai da Ilha ao Continente, onde trabalha, a pé sem gastar dinheiro. “A estrutura até parece boa, só é ruim em dia de chuva porque algumas vezes escorre água da ponte, mas tem que encarar. Seguro 100% a gente nunca fica”, relatou.

Quem costuma trafegar entre as pontes pelo mar não tem a mesma tranquilidade.  O diretor do clube de remo Francisco Martinelli, Marco Aurélio Freitas Flores, percebe dia a dia ponte se desgastando e, assim como seus colegas, teme que um dos blocos se desprenda enquanto os remadores estiverem no mar. O pedaço que caiu na última semana fica na área por onde os remadores costumam passar. “É um descaso, essa estrutura precisa de mais atenção e vistoria constante. Quem passa ali embaixo tem sempre uma sensação de insegurança. Ninguém se machucou até agora, mas não sabemos se pode ou não cair outro pedaço a qualquer momento”, disse Flores, que rema na região desde 1974.

Empresa fará diagnóstico das condições das pontes 

O presidente do Deinfra (Departamento de Infraestrutura), órgão responsável pela manutenção das pontes que ligam a Ilha ao Continente, Paulo Meller, deverá receber até segunda-feira um diagnóstico da situação da equipe de engenheiros que avaliou o local esta semana. Meller confirmou que um check-up geral das duas pontes já foi contratado. Uma empresa especializada fará uma vistoria minuciosa em toda estrutura, desde a base subaquática até a superfície, incluindo as passarelas. A ordem de serviço para o início da inspeção está prevista para ser emitida entre março e abril. A empresa terá até oito meses para fazer a avaliação e emitir um relatório.

Meller explicou que, periodicamente, o Deinfra faz este monitoramento e ressaltou que a inspeção para o primeiro semestre já estava programada. “Não é porque foi constatado algum problema estrutural ou pela queda de parte da passarela, mas sim para avaliar e remediar caso seja necessário”, disse.

Quem passa sob as pontes se assusta com condições

As embarcações só podem passar pelo trecho delimitado pela Capitania dos Portos com boias, que é fora do trecho onde parte da estrutura desabou desta vez. O capitão de fragata Joares de Mello, chefe do departamento de segurança do tráfego aquaviário da Capitania, afirmou que o trecho sob as pontes é utilizado com frequência por embarcações esportivas e de pesca, além das próprias equipes da Capitania.

Apesar de não ter nenhum registro de acidente, ele pretende encaminhar um ofício ao Deinfra pedindo informações mais detalhadas sobre o ocorrido e também se colocando à disposição no que for necessário. “É importante saber se há riscos ou não, a área é muito movimentada e precisamos prezar pela segurança e guardar as vidas”, afirmou.

O presidente do Deinfra reafirmou que o departamento realiza inspeções periódicas e quando a situação é grave o órgão intervém imediatamente. “Não há nenhum alarde, nem nada que preocupe no momento. Hoje temos equipamentos modernos, como raio-x e ressonância, que permitem avaliar diversos aspecto e identificar qualquer tipo de influência na estrutura das pontes”, garantiu Meller.

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