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Parque do Morro das Pedras, no Sul da Ilha, sai do papel

Área de 90 mil metros quadrados prevê área de lazer e de preservação ambiental

Andréa da Luz
Florianópolis
20/08/2018 às 21H52
Projeto do Parque do Morro das Pedras, no Sul da Ilha - Reprodução
Projeto do Parque do Morro das Pedras, no Sul da Ilha - Reprodução



Com forte mobilização da comunidade, o Parque do Morro das Pedras, no Sul da Ilha, começa a ser delineado. Ontem à tarde, máquinas iniciaram o trabalho de abertura dos 2.400 metros de trilhas que costearão a imensa área verde que os moradores querem preservar e recuperar.

Na sexta-feira (17), o cronograma das obras foi anunciado pelo vice-prefeito João Batista Nunes (PSDB), durante a cerimônia de assinatura do decreto que instaurou uma comissão de representantes da sociedade civil, associação de moradores e do poder público para regulamentar as atividades no parque. O documento foi assinado por ele e pelo prefeito Gean Loureiro (MDB), que declarou que a unidade será uma referência para a realização de outros projetos nas demais regiões da cidade.

O lançamento da pedra fundamental do novo espaço público será feito no dia 7 de setembro, coincidindo com a data em que, há um ano, a comunidade se reunia em um Viradão Criativo para esboçar o conceito do parque - posteriormente transformado em projeto executivo para entrega ao poder público.

A criação de um parque ecológico no local é desejo antigo da comunidade do Morro das Pedras. O projeto prevê a construção de uma praça de lazer na zona de transição entre o espaço de uso intensivo e a mata nativa - com palco, quadras polivalente e de vôlei de areia, pista de skate, playground, 13 estações da alegria (redutos com árvores nativas, estações de exercício físico, bancos e outros equipamentos de lazer localizadas no percurso da trilha) e até uma torre de observação de 12 metros de altura, com tirolesa.

Além disso, o espaço onde hoje é área da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital) será transformado em praça da cidadania, revertendo o projeto do Plano Diretor do município que previa a abertura de uma rua atravessando a área de mata. "O parque será uma mola propulsora do desenvolvimento sustentável no Sul da Ilha, integrando o lazer comunitário com a preservação ambiental", afirma o presidente da Associação de Moradores do Morro das Pedras, André Luiz Vieira.

Terreno do Parque do Morro das Pedras, no Sul da Ilha - Marco Santiago / ND
Presidente da Associação de Moradores do Morro das Pedras, André Luiz Vieira - Marco Santiago / ND

A primeira etapa das obras do Parque do Morro das Pedras será inaugurada no dia 8 dezembro deste ano. De acordo com André Luiz Vieira, até lá devem estar finalizadas as calçadas, o pórtico de entrada, o playground, a base para as quadras esportivas e pelo menos uma das estações da alegria. "Nós damos passos pequenos, a previsão é que em três anos teremos os dez equipamentos de lazer instalados, mas a totalidade do projeto pode levar até 30 anos, a exemplo dos parques de Coqueiros e da Luz", estima.

Os trabalhos são feitos de forma coletiva e voluntária e por meio de parcerias com empresas e instituições locais. "Fizemos uma parceria com o Rotary Club do Sul da Ilha e a Funiber [Fundação Universitária Ibero-americana] para implantação de um sistema de despoluição do córrego que fica ao lado do futuro parque, utilizando carvão e raízes de plantas para filtragem dos poluentes", explica o presidente da associação. O trabalho será desenvolvido por dois estudantes de especialização em consultoria ambiental, com bolsas da Funiber e parte do financiamento do Rotary, enquanto a comunidade arca com a contrapartida de um terço dos custos.

Modelo para futuras gerações

O terreno do parque, que fica próximo ao Trevo do Erasmo, é considerado de área pública desde 2007, mas somente em 2014 foi considerado como espaço de lazer para a população local. O envolvimento da comunidade é primordial para essa conquista e todos têm expectativas com o potencial da unidade ecológica.

A moradora Fernanda Cácia Magalhães, que vive no bairro há 20 anos e coordena grupos de escoteiros, planeja atividades no local. "O parque será muito melhor para desenvolver os trabalhos com os lobinhos e os escoteiros mais velhos", avalia. "Mas espero principalmente que promova uma melhora no saneamento básico, na questão dos cuidados com o lixo e na construção de uma composteira comunitária", afirma.

Na avaliação de André Vieira, os cuidados com o ambiente devem se refletir em bairros vizinhos e na forma como a cidade tem encarado o turismo. "O parque será uma grande área de integração ao corredor verde da cidade, integrando esses espaços e prevendo vias de acesso em todo o entorno da unidade, pois queremos que a população circunvizinha se sinta parte do local, funcionando como guardiões do parque", diz.

Tanta preocupação se justifica não só pela preservação em si, mas pela fragilidade da fauna e flora que, em boa parte de Florianópolis já se perdeu. "Vamos trocar a vegetação formada por pinus e eucalipto por espécies nativas", afirmou o presidente. "Porém, a área de mata no centro do parque precisa ser preservada e não pode nem ser pisada pelas pessoas, porque já foi uma lagoa no Pleistoceno (período compreendido entre 2,58 milhões de anos e 11,7 mil anos atrás) e guarda parte da história de formação da Ilha de Santa Catarina", explica. Por conta desse fato, após a torre de observação, o único caminho possível será pela trilha.

"O que estamos fazendo é uma revolução da tradição: respeitamos os esforços das gerações anteriores que lutaram pelo desenvolvimento da cidade, mas esse modelo não serve mais para nós. Queremos algo que seja sustentável e mude a forma como moldamos a cidade, com foco no morador", finaliza.

 

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