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Parceria entre UFSC e Nissan define o reaproveitamento das baterias de carros elétricos

Após a utilização nos veículos elétricos, as baterias ainda possuem uma grande capacidade de carga e um dos objetivos é que elas possam ser utilizadas como fonte de armazenamento da energia solar

Michael Gonçalves
Florianópolis
03/08/2018 às 21H58

Baterias de veículos elétricos poderão armazenar energia para manter uma casa por três dias, independente da rede elétrica convencional. Esse é um dos objetivos dos pesquisadores do Centro de Capacitação em Energia Solar da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), no Sapiens Parque, em Florianópolis. Nesta sexta-feira (3), a universidade e a Nissan assinaram um memorando de entendimento para iniciar estudos para soluções futuras para as baterias utilizadas em veículos elétricos. A fabricante japonesa forneceu as baterias de seis Leaf, carro elétrico mais vendido no mundo, que chegará ao Brasil em 2019.

Com baterias usadas, painel com lâmpadas e monitor foram ligados - Marco Santiago/ND
Com baterias usadas, painel com lâmpadas e monitor foram ligados - Marco Santiago/ND


Para o presidente da Nissan no Brasil, Marco Silva, a UFSC foi a universidade que apresentou as pesquisas mais avançadas. “A Nissan não pensa em apenas produzir um veículo, hoje a proposta é de proporcionar a mobilidade inteligente. Acreditamos na eletrificação dos veículos e estamos trabalhando no desenvolvimento de tecnologias para melhorar a vida das pessoas, neste caso, aproveitando as baterias dos automóveis elétricos com a energia fotovoltaica”, disse.

Após a utilização nos veículos elétricos, as baterias têm uma grande capacidade de carga remanescente. Pensando nesta capacidade instalada, os engenheiros Viccenzo Benetti e Aline Oliveira realizaram um teste no Laboratório Fotovoltaico da UFSC. Com algumas baterias, eles acenderam um painel com lâmpadas de alto rendimento utilizando apenas 5% da carga dos dispositivos.

O coordenador do Laboratório Fotovoltaico da UFSC, professor Ricardo Rüther, destaca que o armazenamento da energia solar, que é uma fonte intermitente de energia, faz todo sentido. “O aproveitamento das baterias de veículos elétricos é um resgate ambiental, porque ela pode ocupar um canto de uma residência e, pelo armazenamento da energia fotovoltaica, alimentá-la a noite inteira, quando a tarifa é mais cara. O objetivo desta parceria é proporcionar o instrumento legal para projetos específicos”, destacou. As baterias doadas pela Nissan foram utilizadas em táxis nas cidades de São Paulo (SP) e do Rio de Janeiro (RJ), de 2012 a 2016.

UFSC sonha com a autossuficiência da energia elétrica

O pró-reitor de pesquisa da UFSC, Sebastião Roberto Soares, ressalta a nova visão da indústria em se preocupar com o produto não somente durante a sua utilização, mas também após o uso é muito positiva. Mesmo antes da popularização do veículo elétrico no Brasil, a sociedade pode ter um encaminhamento correto deste dispositivo após a sua vida útil. O passo seguinte é a autossuficiência de energia elétrica da universidade.

Ônibus elétrico utiliza a energia fotovoltaica produzida no Centro de Capacitação - Marco Santiago/ND
Ônibus elétrico utiliza a energia fotovoltaica produzida no Centro de Capacitação - Marco Santiago/ND


A UFSC está à frente no desenvolvimento de pesquisas com energia fotovoltaica, por exemplo, com a criação do ônibus elétrico. “As baterias de carros elétricos podem ter uma sobrevida como armazenamento da energia fotovoltaica. A busca da inovação entre a universidade e a sociedade resulta na busca de um país e de um mundo melhor”, disse o pró-reitor.

Segundo Soares, as parcerias das empresas com a universidade resultam na criação de conhecimento. Ele informou que as parcerias movimentam cerca de R$ 300 milhões por ano para o desenvolvimento de projetos. “O projeto mais ambicioso é buscar a autossuficiência da energia elétrica, porque queremos transformar a UFSC em uma universidade solar. Desde a produção de energia até o seu armazenamento”, afirmou.

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