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Para cúpula das polícias, atentados em Florianópolis foram planejados para desviar atenção

No total, foram dez atentados criminosos entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira na Capital catarinense

Michael Gonçalves
Florianópolis
26/04/2017 às 17H49

Dez atentados criminosos entre a noite de terça-feira (25) e a madrugada de quarta-feira (26), em Florianópolis, demonstraram que as facções estão organizadas contra as forças de segurança pública. Em resposta as ações do crime organizado, o secretário da SSP (Secretaria de Segurança Pública), César Augusto Grubba, reuniu a cúpula das polícias e dos setores de inteligência para uma reunião de emergência em seu gabinete na manhã desta quarta-feira (26). O secretário acredita que a PM evitou a terceira chacina no mês de abril e não descartou a possibilidade de transferir presos para as penitenciárias federais. Enquanto isso, o técnico em manutenção Hermenegildo Carvalho, 56, não sabe se conseguirá voltar para casa diariamente.

Grubba não tem dúvida de que os atentados foram planejados para desviar a atenção da polícia para o conflito entre as comunidades Chico Mendes e Novo Horizonte, ambas no bairro Monte Cristo. “A inteligência detectou que houve a tentativa de tomada pela organização criminosa catarinense da comunidade do Novo Horizonte, que é dominada pela facção criminosa paulista. A PM interveio muito rápido e evitou mais uma chacina e desencadeou outras ações dos faccionados em represálias as ações da polícia”, explicou o secretário.

A noite começou com dois homens em uma motocicleta atirando contra o Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar), na Agronômica. Poucos minutos depois, no bairro Saco dos Limões, a 2ª DP também foi alvejada, supostamente, pela mesma dupla. Os ataques continuaram contra agências bancárias e o posto de apoio da PM no bairro Monte Verde. Quatro carros foram incendiados e colocaram fogo em cordas na saída do túnel Antonieta de Barros. "Estou na cidade há um ano e ando preocupado. Volto do trabalho no último horário do ônibus e não tenho segurança. Não vejo policiais nas ruas", desabafa Hermenegildo. 

Um ônibus foi incendiado no Norte da Ilha  - Daniel Queiroz/ND
Um ônibus foi incendiado no Norte da Ilha - Daniel Queiroz/ND



A ordem pode ter saído de dentro do sistema prisional. “As formas de comunicação dos presos com o mundo externo são as mais variadas possíveis. Eles utilizam desde microchips, contatos telefônicos, WhatsApp, familiares, advogados e redes sociais. Estamos trabalhando em conjunto com a Secretaria de Justiça e Cidadania. Se necessário for e solicitado pelo grupo de monitoramento das organizações criminosas da inteligência vamos solicitar a transferência dos faccionados para instituições federais”, comentou o secretário.  

 

Problema do Estado são as facções

Florianópolis registrou 79 assassinados em 2016. Somente neste ano, 76 pessoas foram vítimas de homicídio na Capital, sendo que duas chacinas aconteceram no mês de abril, nas comunidades da Costeira do Pirajubaé e da Vila União. O secretário da SSP (Secretaria de Segurança Pública), César Augusto Grubba, disse que o cidadão de bem pode ficar tranqüilo.

“As polícias estão trabalhando para dar segurança ao cidadão catarinense e novas ações serão desencadeadas. O maior problema de Santa Catarina são as facções criminosas, assim como em outros estados. O policiamento será reforçado, mas não podemos passar mais informações por questão de inteligência”, anunciou o secretário.

 

Viciados são recrutados para espalharem o terror

Para o comandante da 1ª região da Polícia Militar, coronel Renato Cruz Júnior, os dois primeiros atentados foram cometidos pela mesma dupla. Ele informou que três homens foram presos no confronto do Monte Cristo. Um quarto suspeito foi detido no Centro. O coronel informou que viciados estão sendo usados como ‘soldados’ do tráfico.

“Dos três presos no Monte Cristo, um foi baleado e está hospitalizado, mas não corre risco de morte. Também pegamos o responsável por colocar fogo nas cordas na saída do túnel Antonieta de Barros. Ele informou que ganhou drogas para espalhar o terror, mas identificamos o traficante do Mocotó que encomendou o serviço e repassamos para a Polícia Civil”, informou o comandante.

Renato Júnior afirmou que a polícia continua com o policiamento ostensivo nas comunidades dominadas pelo tráfico de drogas. “A população precisa entender que não estamos fazendo blitz para multar, mas sim barreiras policiais. Estamos atrás de drogas e de armas. Já apreendemos 42 armas somente nos três batalhões de Florianópolis”, contou. 

 

As ações criminosas

19h50min – Tiros na sede do Batalhão de Choque, anexo à Penitenciária de Florianópolis, na Agronômica;

20h03min – Tiros contra a 2ª DP da Capital, bairro Saco dos Limões;

21h – Tiros contra a agência do banco Santander, bairro Estreito;

21h30min – Tiroteio entre facções rivais das comunidades da Chico Mendes e Novo Horizonte, bairro Monte Cristo;

22h – Dois homens são presos em um veículo com 15 quilos de maconha, Centro;

22h30min – Tiros na base de apoio da PM no bairro Monte Verde;

23h – Fogo em cordas na saída do túnel Antonieta de Barros, Centro;

00h05min – Tentativa de furto a um caixa eletrônico do Banco do Brasil, bairro Campeche;

1h – Ônibus de turismo incendiado em Canasvieiras;

2h – Carro incendiado na Avenida Gustavo Richard, Centro;

3h30min – Duas vans foram incendiadas às margens da SC-401, bairro Saco Grande.

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