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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Passageiros de Palhoça criticam superlotação no espaço da Jotur no Ticen

Usuários apelam para as redes sociais para denunciar problemas no transporte coletivo

Alessandra Oliveira
Florianópolis
Marco Santiago
Para evitar encarar uma viagem de mais de 40 minutos em pé, boa parte prefere aguardar o próximo coletivo


Com o aumento de 9%, pleiteado pelas empresas de transporte do Estado junto ao Deter (Departamento de Transportes e Terminais), a passagem de Palhoça até Florianópolis poderá passar dos atuais R$ 4,75 para R$ 5,17. O reajuste é negociado desde o mês de maio, segundo informou Walter Cruz, diretor da Jotur, concessionária que prestará serviços ao município de Palhoça até novembro de 2016. Embora pague um dos mais altos custos por deslocamento/distância da região, não é essa a principal reclamação dos passageiros e sim a superlotação. O perfil “As aventuras de Jotur”, foi criado no Facebook para denunciar os problemas no sistema.

De segunda à sexta-feira o cenário se repete. Os passageiros da Jotur se amontoam no pequeno espaço destinado a eles no Ticen (Terminal de Integração do Centro), em Florianópolis. As filas se intensificam a partir das 17h. Um grupo se organiza e espera a saída de dois ou três coletivos na tentativa de voltar sentado para casa, após mais um dia cansativo de trabalho. Os que não querem esperar tanto — em média 40 minutos —, formam uma fila em sentido oposto, esperando a vez para ir em pé. Após as 18h, o que já era ruim piora. Não há espaço para o público e as pessoas têm de aguardar do lado de fora – no espaço da plataforma de outra empresa- para passar a catraca de acesso aos coletivos da Jotur.

Para denunciar, por meio de fotos, vídeos e textos a situação dentro dos coletivos, usuários do sistema criaram a página na rede social. Em pouco mais de um mês já são mais de 1.200 seguidores que relatam os desafios diários a bordo dos ônibus da empresa. A situação mexe com os nervos dos usuários e causa indignação de quem depende do sistema para trabalhar, estudar e cumprir outros compromissos.

A costureira, Carmem Eibel, 65 anos, mora no bairro Caminho Novo. Ela é uma das passageiras que registra suas queixas na página “As aventuras de Jotur”. “Mais que revolta, a situação causa tristeza. As pessoas se sentem um nada porque são ignoradas pelo poder público. Tem gente demais e ônibus de menos. As condições de viagens são indignas. É difícil respirar dentro dos coletivos, tamanha é a lotação”, lamentou.

 O jornalista Filipe Scott, 27, lembra que o serviço piorou ainda mais a partir de 7 de junho de 2012, quando a empresa implantou o sistema de integração, no terminal construído no terreno da Jotur, no bairro Ponte do Imaruim. “Essa mudança força as pessoas a trocarem de ônibus na Estação. Antes íamos para Florianópolis diretamente dos bairros. A integração provoca filas e causa atrasos”, criticou.

Há cinco meses morando em Palhoça, o administrador Roberto da Silva, 31, não consegue aceitar a situação, que enfrenta diariamente, para ir e voltar ao trabalho. Enquanto reúne documentos para levar ao MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina) e denunciar a prestação de serviço oferecido pela Jotur em Palhoça, ele criou comm um amigo a página na rede social para registrar incidentes durantes os embarques e viagens para Palhoça e Florianópolis. “Estamos preparando um abaixo-assinado físico e um virtual para levarmos ao Ministério Público. A situação é humilhante e eu não vou me acostumar com ela”, afirmou.

 Silva lembra que os ônibus que fazem as viagens do Centro da Capital para Palhoça são novos e estão em perfeitas condições. Algo que muda totalmente quando os passageiros fazem as conexões no terminal da Ponte do Imaruim. “As pessoas levam uma hora para chegar à estação e outra hora para chegar à Ilha. Das 17h às 19h30 a vida dos usuários é um caos. Fiscais do Deter são vistos com frequência no terminal de Palhoça, mas nada muda”, desabafou o morador do bairro Terra Nova Palhoça.

Jotur diz que problemas se devem à falta de corredores exclusivos

O diretor-geral da Jotur, Walter Cruz, lembra que a empresa fez um alto investimento na construção do terminal de integração, na Ponte do Imaruim. Como contrapartida, a prefeitura de Palhoça à época, se comprometeu a investir em melhorias na malha viária local e na implantação de corredores exclusivos para o transporte coletivo. Pouco foi feito. “Sem essas melhorias não podemos dar velocidade as viagens. Palhoça cresceu muito devido ao Programa Minha Casa Minha Vida. Faltam corredores na cidade e também na BR-101 e Via Expressa”, disse.  Sobre a falta de espaço para comportar os passageiros no Ticen, Walter disse que o aumento do ambiente está sendo negociado com a Cotisa (Companhia Operadora de Terminais de Integração), para uso de parte da estrutura utilizada pela empresa Santa Tarezinha. Informação que a administradora dos terminais da Capital, não confirma.

Ao detalhar que um ônibus convencional, com 43 poltronas pode transportar até 80 pessoas, Cruz salientou que a quantidade de usuários transportados está dentro das normas estabelecidas pelo Deter. Os do tipo BRT (com mais lugares) tem capacidade para 68 pessoas e levam 150. Em horário de pico é comum viajar em pé. Essa é a realidade do Brasil e na Europa, inclusive”, detalhou, ao defender a melhoria no mobiliário urbano para que as viagens possam ser mais eficazes na Grande Florianópolis. A concessão da Jotur vence no dia 22 de novembro de 2016. Com relação ao aumento da tarifa, o diretor lembra que o óleo diesel e o salário de cobradores e motoristas sofreram fortes reajustes que precisam ser repassados aos usuários.

O secretário de Infraestrutura de Palhoça, Eduardo Freccia, informou que até o momento não existe planejamento de curto prazo para melhorar a mobilidade no município. “O que estamos fazendo é a pavimentação de vias importantes como a de acesso aos bairros Rio Grande e Barra do Aririú. Esse investimento já aumenta a velocidade dos coletivos”, defendeu.

Até o fechamento desta edição, o Deter não se posicionou sobre os questionamentos relativos aos serviços prestados pela Jotur em Palhoça e nem sobre o aumento de 9% pleiteado pelas empresa no Estado.

 

Estrutura x passageiros

Até 2012: 25 mil

Em 2015: 40 mil

Linhas oferecidas pela Jotur:

Municipais: 18

Intermunicipais: 2

Frota da empresa em Palhoça: 120 veículos. 

Quantidade de viagens até Florianópolis: 250 (incluindo saídas dos bairros e do terminal de Palhoça).

Custo da passagem: R$4,75

Distância do terminal de Palhoça ao Ticen: 14,7 km

Tempo de deslocamento fora do horário de pico: 12 minutos (na linha expressa)

Em horário de pico: 40 minutos (em caso de acidentes, o tempo pode chegar a duas horas)

 

 

 

 

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