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Países europeus se unem para criticar taxas dos EUA sobre aço e alumínio

O ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, disse aos repórteres que as tarifas dos EUA são "um problema muito sério" para as relações transatlânticas

Folha de São Paulo
Brasil
03/06/2018 às 20H54

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cúpula dos ministros das Finanças do G7 terminou na noite de sábado (2) com um protesto unânime contra a agressiva política comercial dos Estados Unidos. 

Os principais aliados de Washington enviaram uma mensagem unificada de consternação, pedindo ao presidente americano Donald Trump que revogue as tarifas sobre o aço que entraram em vigor na sexta-feira (1º).

"Os ministros das Finanças e diretores de bancos centrais pediram ao secretário do Tesouro americano Steven Mnuchin que informe à Casa Branca sobre a preocupação unânime e a decepção", declarou o ministro das Finanças do Canadá, Bill Morneau, no encerramento dos três dias de reunião em Whistler, uma estação de esqui na região oeste do Canadá.

O ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, também expressou a indignação da França quando as reuniões terminaram. 

"Ainda temos alguns dias para tomar os passos necessários para evitar uma guerra comercial entre a União Europeia e os EUA, e para evitar uma guerra comercial entre membros do G7", disse Le Maire a jornalistas depois da conclusão da reunião. 

"Quero deixar claro", disse Le Maire, "que cabe ao governo dos EUA tomar as decisões certas para aliviar a situação e aliviar as dificuldades". Evitar a guerra comercial "dependerá da decisão que a administração dos Estados Unidos está pronta para tomar nos próximos dias e nas próximas horas -não estou falando sobre as próximas semanas", acrescentou.

Como sinal de desacordo, a reunião do G7 Finanças acabou sem uma declaração comum, e sim com uma sucessão de coletivas de imprensa em separado.

Na falta de um entendimento comum, a disputa deverá continuar na cúpula do G7 nesta semana, em Quebec, também no no Canadá, onde se espera que Trump enfrente outros chefes de Estado, enquanto a economia global beira o conflito comercial.

Em um momento em que a economia mundial cresce a um ritmo saudável (+3,9%) depois da crise financeira de 2008, Alemanha, Canadá, França, Japão, Itália e Estados Unidos deveriam alinhar suas medidas para assegurar que este crescimento seja compartilhado por um número maior.

"Infelizmente, essas discussões se viram ofuscadas pelo fantasma de uma guerra comercial, que o governo Trump intensificou contra seus aliados ao aplicar novas tarifas sobre o aço e o aluminío. Esses impostos espancam o comércio aberto e a confiança na economia mundial", lamentou  Morneau.

"O G7 foi tenso e difícil", resumiu Le Maire, comentando ainda que a reunião foi mais um "G6 + 1", com os Estados Unidos "contra todos, que correm o risco de uma desestabilização econômica do planeta". 

Mnuchin, no entanto, subestimou as divergências e disse que os Estados Unidos estavam comprometidos com o processo do G7. 

O ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, disse aos repórteres que as tarifas dos EUA são "um problema muito sério" para as relações transatlânticas.

As tarifas de Trump sobre os maiores fornecedores de aço ocuparam o centro a agenda desse evento de construção de consenso entre os países que respondem por cerca de metade do PIB global. 

Ao fim nas conversações de Whistler, Donald Trump enviou novos tuítes criticando o livre comércio.

"Se tributamos um país a taxa 0 para que nos venda seus bens e, em troca, ele tributa em 25, 50 ou 100% para vender os nossos (...) não é um comércio livre e justo, é um negócio estúpido!", escreveu.

Em uma segunda mensagem, voltou a enfatizar que, com um déficit de bens no valor de US$ 800 bilhões, os Estados Unidos foram "fraudados por outros países durante anos". 

Incluindo os serviços, o déficit dos Estados Unidos em relação ao resto do mundo chegou a US$ 566 bilhões em 2017.

'A CULPA É DELES'

O principal conselheiro econômico do presidente Donald Trump reconheceu neste domingo que o conflito comercial que opõe Washington e aliados pode ter consequências para a economia americana.

Larry Kudlow disse ser possível que as diversas tensões comerciais afetem a vigorosa economia americana. "Não é culpa de Trump. É responsabilidade de China, Europa e TLCAN. É culpa daqueles que não querem intercâmbios comerciais, tarifas e proteção recíproca. Trump reage a décadas de abuso", afirmou.

A chanceler do Canadá, Chrystia Freeland, disse na rede CNN que as políticas protecionistas não funcionam: "É a lição dos anos 1920 e 1930 (...) Espero realmente que não retornemos a tudo isso."

Há ainda outra grande batalha comercial em curso, que foi iniciada por Trump contra a China. 

Neste domingo, o governo chinês divulgou nota direcionada aos EUA afirmando que qualquer acordo alcançado sobre comércio e negócios entre os dois países será anulado se Washington implementar tarifas e outras medidas comerciais. Até a noite deste domingo, os EUA não havia comentado a nota.

Os Estados Unidos e a China têm reciprocamente ameaçado tarifar produtos em até US$ 150 bilhões.

O comunicado surge no momento em que os dois países terminaram sua última rodada de negociações em Pequim. O secretário americano do Comércio, Wilbur Ross, está encontra em Pequim para uma negociação de três dias.

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