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Ouça na íntegra o diálogo divulgado pelo STF da conversa entre Temer e Joesley Batista

Na gravação de 38 minutos, é possível ouvir o presidente dando o aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha

Folha de São Paulo
São Paulo (SP) e Brasília (DF)
18/05/2017 às 20H30

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Supremo divulgou no final da tarde desta quinta-feira (18) áudio da conversa entre Michel Temer e Joesley Batista, dono do frigorífico JBS. A conversa entre os dois tem cerca de 38 minutos e o trecho em que é possível ouvir o presidente dando o aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha começa em 11min e 30 segundos. Escute o áudio na íntegra:

Confira a transcrição de alguns trechos do diálogo

Batista: Eu vou falar assim... Dentro do possível eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de uma pendência daqui pra ali, zerou, tal, tal. E ele [Cunha] foi firme em cima, ele já tava lá [na cadeia], veio, cobrou, tá, tá, tal, eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né... O Geddel sempre tava..

Temer: [inaudível]

Joesley: Isso, isso. O Geddel é que andava sempre ali, também, com esse negócio, eu perdi o contato, ele virou investigado e agora eu não posso também encontrar ele.

Temer: É, cuidado, tá complicado. [Inaudível] não parecer obstrução à Justiça. [inaudível]

Joesley: Isso. Isso. Esse negócio dos vazamentos, o telefone lá do [inaudível] com Geddel, volta e meia citava uma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que eu... O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?

Temer: Tem que manter isso, viu? [inaudível]

Joesley: [falando mais baixo] Todo mês...

Temer: [inaudível]

Joesley: Também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. Meus processos, eu tô meio enrolado aqui, né [Brasília]. No processo, assim...

Temer: [inaudível]

Joesley: Isso, isso, é, é investigado. Não tenho ainda a denúncia [contra ele]. Aqui eu dei conta de um lado, o juiz, dar uma segurada, do outro lado, o juiz substituto, que é um cara que fica.... [inaudível] Tô segurando os dois. Consegui um procurador dentro da força tarefa, que tá, também tá me dando informação. E lá que eu tô para dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim. Ô, se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva, com não sei o quê...

Temer: [inaudível] ajudando.

Joesley: Tá me ajudando tá bom, beleza. Agora, o principal... O que tá me investigando. Eu consegui colar um [procurador] no grupo. Agora eu tô tentando trocar...

Temer: O que tá... [inaudível].

Joesley: Isso! Tamo nessa aí. Então tá meio assim, ele saiu de férias, até essa semana eu fiquei preocupado porque até saiu um burburinho de que iam trocar ele, não sei o quê, fico com medo. Eu tô só contando essa história para dizer que estou me defendendo aí, to me segurando. Os dois lá estão mantendo, tudo bem.

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Aliado de Temer e Joesley falam sobre compra de silêncio de Cunha

Em outro diálogo, gravado com o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), Joesley Batista afirmou ter dito ao presidente Michel Temer que não era possível comprar para sempre o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos.

Temer - Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação/ND
Na tarde desta quinta, Temer fez o primeiro pronunciamento após a polêmica - Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação/ND


De acordo com trechos obtidos pela reportagem do diálogo, o empresário, que agora é delator, fez um desabafo ao parlamentar, que é ex-assessor do presidente, em um encontro gravado. Toda a ação do executivo foi planejada com investigadores, como parte do compromisso de colaboração.

No diálogo entre Joesley e Loures, um dos alvos da operação desta quinta, medidas de anistia ao caixa 2 também foram lembradas. Loures é citado na delação de Joesley acusado de receber R$ 500 mil de propina.

Confira trechos do diálogo

Joesley: Eu disse pra Michel, desde quando Eduardo foi preso e ele [Funaro], quem está segurando as pontas sou eu. Eu tô...

Loures: Cuidando deles lá.

Joesley: Dos dois, tanto da família de um quanto da família de outro. Isso aparentemente esta...

Loures: Estabilizou.

Joesley: Trazendo uma certa... de um lado é isso. Agora o que eu comentei com Michel que o problema é o seguinte, ô, Rodrigo, a gente tem que pensar que essa situação não dá para ficar o resto da vida. Um mês vai, dois meses, três meses, seis meses, mas vai chegando uma hora que você vai indo, você vai indo... Eu, por exemplo, estou tomando umas pancadas aí, mas estou me segurando. Eu acho que eu me blindei ali no primeiro estágio. Por enquanto eu tô, enfim, mas é o tipo de situação que se não parar de bater, né? Vai batendo, vai batendo...

Loures: Tem uma hora que machuca.

Joesley: Uma hora, porra. Uma hora, né, até essa parede aqui, se eu ficar batendo nela, batendo, dá uma hora e eu derrubo ela, né? Então, quando estava o Geddel, tava aquela agenda do caixa 2, o negócio de autoridade, tinha pelo menos uma luz. Agora, e aí, nós estamos esperando o que agora? O caixa 2 acho que nem adianta mais nada, né, porque se o caixa 1 é crime, o 2 virou 1, ficou inócua essa medida, né?

Loures: É mas não consolidou ainda.

Joesley: Isso é.

Loures: Foram três ministros do pleno que julgaram dos 11. Ainda vai para... ainda não houve a... a confirmação dessa decisão, desse entendimento. Mas o fato é que lá no Congresso depois desse episódio do Raupp, está todo mundo preparado... eu imagino que foi para aparecer rapidamente um texto, basicamente dizendo o seguinte: olha, aqui, o limite de velocidade até ontem era 80km/h e agora hoje passou para 70, se ele mandar multa para todo mundo, nós vamos rever isso até agora.

Supremo divulga conversa entre Aécio e Joesley Batista

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), reproduziu diálogos entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o empresário Joesley Batista, no documento em que decidiu pelo afastamento do tucano do Senado e decretou as prisões preventivas da irmã dele, Andrea Neves, e de seu primo, Frederico Pacheco de Medeiros, que recebeu propina da empresa em nome dele.

Aécio Neves - Amanda Castro/Senado/Divulgação/ND
Aécio Neves - Amanda Castro/Senado/Divulgação/ND


Aécio fala com o empresário sobre os rumos da Lava Jato e cogita maneiras de deter a operação. Joesley gravava a conversa sem que o senador mineiro soubesse. A conversa foi publicada pelo site "BuzzfeedNews".

Confira trechos dos diálogos

Aécio Neves: Esses vazamentos, essa porra toda, é uma ilegalidade

Joesley: Não vai parar com essa merda?

Aécio: Cara, nós tamos vendo (...) Primeiro temos dois caras frágeis pra caralho nessa história é o Eunício [Oliveira, presidente do Senado] e o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara], o Rodrigo especialmente também, tinha que dar uma apertada nele que nós tamos vendo o texto (...) na terça-feira.

Joesley: Texto do quê?

Aécio: Não... São duas coisas, primeiro cortar o pra trás (...) de quem doa e de quem recebeu.

Joesley: E de quem recebeu.

Aécio: Tudo. Acabar com tudo esses crimes de falsidade ideológica, papapá, que é que na, na, na mão [dupla], texto pronto nãnã. O Eunício afirmando que tá com colhão pra votar, nós tamo (sic). Porque o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na... Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez... Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra. O que eu tô sentindo? Trabalhando nisso igual um louco.

Joesley: Lógico.

Aécio: O Rodrigo enquanto não chega nele essa merda direto, né?

Joesley: Todo mundo fica com essa. Não...

Aécio: E, meio de lado, não, meio de leve, meio de raspão, né, não vou morrer. O cara, cê tinha que mandar um, um, cê tem ajudado esses caras pra caralho, tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu? Se falar coisa sua aí... forte. Não que isso? Resolvido isso tem que entrar no abuso de autoridade... O que esse Congresso tem que fazer. Agora tá uma zona por quê? O Eunício não é o Renan.

Joesley: Já andaram batendo no Eunício aí, né? Já andaram batendo nas coisas do Eunício, negócio da empresa dele, não sei o quê.

Aécio: Ontem até... Eu voltei com o Michel ontem, só eu e o Michel, pra saber também se o cara vai bancar, entendeu? Diz que banca, porque tem que sancionar essa merda, imagina bota cara.

Joesley: E aí ele chega lá e amarela.

Aécio: Aí o povo vai pra rua e ele amarela. Apesar que a turma no torno dele, o Moreira [Franco], esse povo, o próprio [Eliseu] Padilha não vai deixar escapulir. Então chegando finalmente a porra do texto, tá na mão do Eunício.

Aécio então reclama da nomeação do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, a quem ele chama de "um bosta de um caralho". O senador queria mudanças na Polícia Federal.

Joesley: Esse é bom?

Aécio: Tá na cadeira (...). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (...). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.

Joesley: Pro João.

Aécio: É. O Aécio vai pro Zé (...)

inteligível

Aécio: Tem que tirar esse cara.

Joesley: É, pô. Esse cara já era. Tá doido.

Aécio: E o motivo igual a esse?

Joesley: Claro. Criou o clima.

Aécio: É ele próprio já estava até preparado para sair.

Joesley: Claro. Criou o clima.

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