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Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2018
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Os perigos da rodovia SC-401 para os ciclistas em Florianópolis

Ciclistas apontam os principais riscos que correm ao trafegar no trecho Norte da rodovia

Rafael Thomé
Florianópolis

A rodovia SC-401 Norte — onde morreu atropelado o jornalista Róger Bitencourt — é uma das vias de Florianópolis com maior incidência de acidentes fatais envolvendo ciclistas. Nos registros de Fabiano Faga Pacheco, conselheiro da UCB (União de Ciclistas do Brasil) e integrante dos grupos Viaciclo e Bicicletada Floripa, nove mortes aconteceram recentemente na rodovia – seis delas foram lembradas com a instalação de bicicletas-fantasmas. “A morte do Róger é mais um incidente fatal na rodovia das mortes, onde ciclistas são assassinados. Era uma situação previsível, com uma série de conjunções que a fazem uma tragédia anunciada”, disse ele.

 

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Marco Santiago/ND
Daniel Costa, da Viaciclo, mostra ponto crítico na rodovia sem espaço para ciclistas

 

Em 2013, o Ministério da Saúde divulgou um relatório que aponta que, naquele ano, no Brasil, 45 mil pessoas perderam a vida no trânsito, sendo 3% de ciclistas. Para Daniel de Araújo Costa, integrante do Viaciclo, com tantas mortes registradas recentemente, não só na SC-401, o poder público da Capital e do Estado precisam mudar a maneira como enxergam a mobilidade urbana. “Mobilidade não é sinônimo de velocidade. Trata-se de chegar vivo em seu lugar de destino. Quem vai ter que ser atropelado para alguma coisa mudar? A presidente? O governador? O Roberto Carlos?”, indignou-se.

Convidado pela reportagem do ND, Araújo Costa foi à SC-401 na tarde de ontem, quando apontou os principais problemas que ciclistas e pedestres enfrentam ao trafegar na SC-401: falta de acostamento em muitos trechos, ineficiência das ciclofaixas, imprudência dos motoristas e alta velocidade dos veículos. “Essa rodovia estimula muito a velocidade. Temos que transformá-la em uma avenida, porque a velocidade dos veículos é incompatível com o trânsito de pedestres e ciclistas”, afirmou.

Alta velocidade

“Andar de bicicleta não é perigoso. Perigoso é o modo como se permite andar de carro”. Para Daniel de Araújo Costa, o grande vilão dos incidentes fatais na rodovia SC-401 é a alta velocidade de tráfego dos veículos (o limite máximo em boa parte da via é de 80km/h, mas é comum ver motoristas acima do permitido). “É horrível quando você está pedalando e passa um cara passar do seu lado a 100 km/h. Você sabe que se ele cochilar ou der qualquer vacilo, já era”, disse. “Não sou contra o carro, mas, dentro de uma cidade, eles têm que andar devagar. Essa é uma via urbana, não é mais uma rodovia”, completou.

Imprudência e falta de respeito

Não é só a alta velocidade dos motoristas que preocupa os ciclistas. Muitos condutores se distraem ao longo do percurso ou realizam manobras arriscadas, que colocam em risco a vida de terceiros. Não foi preciso muito esforço para constatar esta realidade. Enquanto a reportagem do ND se deslocava para as proximidades do local da morte de Róger, na tarde de ontem, a equipe testemunhou um acidente entre um carro e uma moto na altura do rio Ratones. Uma longa fila de veículos se formou e rapidamente alguns motoristas passaram a trafegar pelo acostamento, onde há uma ciclofaixa, a cerca de 60km/h.

 

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PMRV/Divulgação
Bicicleta de Jacinto ficou presa ao carro

 

Trechos sem acostamento

Tão logo começa a SC-401, pouco antes do bairro João Paulo, já é possível perceber a falta de acostamento em muitos pontos. Para os ciclistas, um dos trechos mais críticos é o que fica ao lado do cemitério da Paz. “Não tem acostamento nenhum, só mato. A gente fica bem assustado. Aí, somos obrigados a andar na pista, como determina o CTB [Código de Trânsito Brasileiro]. Você anda a 20km/h, o motorista de carro fica bravo e joga o veículo em cima, porque acha que você está atrapalhando o trânsito. É bastante complicado”, afirmou Araújo Costa.

Ineficiência das ciclofaixas

Alguns trechos da rodovia SC-401 contam com uma ciclofaixa que ocupa metade do acostamento, separada apenas por tachões no asfalto. “Era melhor que não tivessem feito nada. Isso é um absurdo. Para o ciclista, é super perigoso. Para o motorista de carro, ele fica sem onde parar em caso de emergência”, disse Araújo Costa. Em alguns pontos, há, ainda, o problema da descontinuidade da ciclofaixa. Para Araújo Costa, o poder público precisa repensar a questão. “No mínimo tinha que ter uma ciclovia protegida e separada dos carros. Se não for possível, então uma ciclofaixa, mas com redução da velocidade para os veículos”, comentou.

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